domingo, 31 de maio de 2009

Audição IGL - Educação Vocal

António Fontes e André Ferreira - Gebet - Joseph Haydn

sábado, 30 de maio de 2009

Amanha

post da minha autoria retirado do blog da Associação de Estudandes do IGL

"Check", pensei, no final de mais uma ronda.

Subi ao meu quarto. O pessoal ja está todo a dormir. Lá em cima oiço barulho. Gritos. Jogos de pepe rápido que estão por terminar.

Amanha é mais uma audição. Sente-se o cheiro quente de Verão, dormimos com janelas abertas e estores corridos.

Sento-me. Os gritos continuam, soltam-se risos. Oh! Aquele é o da Laura, inconfundivel, como sempre. Vinha de fazer o Crisma. O riso parecia mais branco e puro que nunca!

Amanha é dia de Educação Vocal para mim. O cansaço ja pesa. Vou-me deitar com um suspiro profundo de quem passou um dia a trabalhar, e nao foi para a musica. Sinto falta, portanto.

Chiu. Alguem bateu à porta.

Espero.

Espero que alguem insista. É que nao me está a apetecer levantar, estou cansado.

"André", ouvi. "André, estás aí?", perguntava uma cabecinha que espreitava, a medo, para dentro do quarto.

Nao respondi. Desculpem o egoismo, surgiu do cansaço. De repente oiço..

.. um fungar de nariz..

.. e vejo a pessoa a levar as maos aos olhos e a soltar um soluço..

Levanto-me num àpice. Tronco nu, nao me queria vestir, fui directo à porta. Abri.

Timida, a criança levou as maos à cara e desatou a chorar. Reconheci.

"Joao, Joao, anda cá", disse. Baixei-me. Agarrou-se a mim e continuou a chorar que nem "uma Maria Madalena".

O Joao ainda é novo. Entrou este ano para o Gregoriano. Duvido que estivesse a chorar por saudades dos pais.

Acalmou-se. Limpou as lágrimas.

"Entao, agora queres contar o que se passa?"

Joao sentou-se. Queria contar mas tinha vergonha, eu notei.

"Vá, ja percebi. Envolve raparigas?"

Abanou a cabeça em sinal afirmativo.

"André... (Soluço)... Ela está a namorar com outro, nao gosta de mim", e dito isto, desata de novo a chorar.

Quis rir-me. Juro! Contive-me a tempo. E quando voltei a mim depois daquele momento, pensei na amargura, ainda criança, daquelas lágrimas. Lágrimas Gregorianas, de certo.

Levantei-me, deu-me a mao e seguiu-me. Ele vinha sempre a chorar. Fui ao quarto dele, vasculhei na secretária e encontrei as partituras dele. Peguei no violoncelo dele, e descemos até à sala de orgao.

Ele sentou-se, limpou as lágrimas e ficou a olhar para mim.

"Joao! Em vez de eu estar aquilo no bla bla bla e dizer-te que ela nao te merece (o que eu acho que é verdade!), vamos fazer algo.. Musica!"

Pausa. Olhar curioso.

"Musica, André? A esta hora? Nao consigo.. So penso nisto."

Nao liguei. Procuro alguma peça que ele esteja a tocar. Modo menor!

"Esta, pode ser? Sabes de cor?"

Olhou. A cara estava vermelha do choro, mas a musica nao chama horas, nem pessoas, nem idades, nem tempos..

Sentou-se, tirou o violoncelo. Apoiou o espigão. Deu umas arcadas. Afinámos.

Sentei-me ao orgao. Puxei os registos. Fiz uns acordes. Afinámos. Desta vez, sentimentos.

E antes de tocarmos, disse:

"Sente o quão triste estás. Agora toca a peça como se ela fosse um enorme desabafo a tudo aquilo que sentes."

Joao nao pestanejou. Foi forte. Pegou no arco. Respirei, comecei, ele entrou..

..Triste..

.. e triste continuava...

E dei por mim, as lágrimas corriam-me o rosto. Talvez de alegria por tanto talento, talvez pela tristeza dele me percorrer a alma.

Acabámos, e ficámos em silencio. Olhei para ele, e ao ver-me chorar, deixou escapar um ligeiro sorriso.

"Agora que me acabaste de fazer chorar, vamos a uma peça para nos alegrar?"

Sim, disse. Pegou rapidamente numa. Era aquela.

Tocámos. E o sentimento, ao mudar, mudava a sala. A cor. Nao ouvem? Cada nota pareciam 3. Cada 3 pareciam 1000.

Quando acabámos, arrumámos e subimos. Sao horas de deitar.

Em jeito de brincadeira, como costumo fazer, peguei nele estilo saco de batatas, e levei-o ao quarto. Ja soltava gargalhadas.

Pu-lo na cama. Lembrei-me do episodio das gemeas. Talvez agora nao fosse preciso, ele era mais velho.

Quando me levantei da cama, agarrou-me o braço e perguntou:

"André, se fosse contigo, que farias?".

Estremeci. Vacilei. Arrepiei-me.

"Nao sei. Mas fica combinado: se me acontecer, eu venho ter contigo!", e soltei um piscar-de-olho cumplice, próprio de nós dois.

A idade separa.

A música nao.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Outro mundo



Introduktion und Passacaglia d-moll , Max Reger - André Ferreira

video

domingo, 17 de maio de 2009

Crescer

(6 de Outubro de 2006 - Voluntariado em Caneças)

Hoje o Padre Vitor Feytor Pinto, pároco do Campo Grande, brindou toda a assembleia com mais uma reflexão brilhante e fantástica.

Perguntava, entao, na sua homilia: "Qual a actual definição de amor?"

Fiquei especialmente atento. Fiquei à espera de uma resposta concreta. Ele continuou.

"Para muitos, o amor é paixão. O problema é que a paixao dura pouquissimo tempo. Por vezes chegam-se jovens junto de mim que dizem: 'Queremos casar porque estamos muito apaixonados'. E eu digo sempre: 'Entao voltem daqui a 2 anos!' "

A assembleia soltou um riso. Gostei da primeira abordagem. Curioso. Ja tinha pensado no mesmo, mas nao com a mesma ideologia. Retirou a primeira não-definição. Mas ainda nao tinha chegado ao ponto fulcral.

"Para outros, amor é desejo. Porem, quando o desejo é satisfeito, depois já nao há nada, e dizem: 'Ja nao sinto nada por ti!' "

Outro riso, mais abafado desta vez, largava um sentimento de reconhecimento na assembleia. Sorri. De facto, aquelas duas nao-definições era as mais usadas. Talvez as mais faceis de serem usadas.

"Creio, meus amigos, que amor é, fundamentalmente, entrega. Amor é esquecermo-nos de nós para podermos-nos entregar totalmente a quem mais amamos."

Desta vez, nada de risos. Nem sequer um "Ah, sim, pois, claro". A verdade é que ja me tinha esquecido desta definição.

Depois continuou, desenrolando um leque de ideias interessantissimas. A entrega nao é facil, nunca será. Hoje à tarde estava a fazer zapping e parei num filme cuja a frase que estava a ser dita era: "Amor implica dificuldades."

Fiz 2+2 e cresci. Nao em altura, é certo, mas talvez num amadurecimento de ideias. E creio que oportunidades para aplica-las nao faltarão.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Melhor Momento?

"O órgão a tocar
Só pode ser o André, sao horas de o chatear
Ouve-se o metronomo, ele está adiantado
Deixo-o estudar mais um pouco, senão fica amuado.
Ouço um piano ali ao lado, penso em pecado
Como é que soaria um piano queimado?
Pão com Nutella a seguir
Já há pouco para hoje, mas as compras estão a vir.
Vou fazer um coral, a melodia 'ta boa
Nao fiz 5ªs paralelas, mas que bem que isto soa!
Uma sinfonia de Brahms p'ra escrever em FM
O Tiago já a sabe, o André quase que treme.
Na biblioteca encontrar Bach é uma ganda canseira
Mas hoje, nao sei como encontrei à primeira.
Na Caravela o André pede um Ucal p'ra mim
Ainda bem que há pessoas assim...

Apesar de parecer mais um tipo normal
Esse tal de André Ferreira é alguém especial
Ele é fixe, ele é bacano, ele é genial
Ainda bem que há pessoas assim....

O Esteireiro está inspirado
Hoje é um daqueles dias
Tá a aplicar no André todas as suas teorias
A peça que estudou ontem
Hoje parece que soa melhor
Ouvi-a tantas vezes, quase ja a sei decor.
Estou com EDD a ensaiar
Nem sinto o tempo a passar
Até o André dizer que ja sao horas de almoçar.
Meia de hamburguer vai demorar a sair
Mas mando vir, vá trazendo as bebidas para abrir.
Sinto a cola a deslizar, bem fresquinha
O Topo da Avenida é quem tem boa cozinha!
Para fechar, um doce da casa prá sobremesa.
O Sr Viana entra com toda a delicadeza.
Sentá-se à minha frente e começa a rir à toa
Nao consigo controlar, mas o André está na boa.
Mete conversa com ele, sempre a sorrir para mim
Ainda bem que há pessoas assim

Apesar de parecer mais um tipo normal
Esse tal de André Ferreira é alguém especial
Ele é fixe, ele é bacano, ele é genial
Ainda bem que há pessoas assim....

Latim acabou, vou-me embora, ja sao sete
Mas passo na Sala de Alunos e fico a jogar um Pepe
Um monte tem uma carta, tiro o que tinha quase cem
Levo as maos à cabeça, o André troça: "Muito bem...
Podes ser bonita, até simpáticoa
Mas tens uma treta de táctica
Vê-se que nao tens prática..."
Vou à Fnac comprar uns CDS para ouvir
Tens alguma coisa que me possas sugerir?
"Compra a Bela Moleira!"
Vou bazar.
Mas nao quero ir sozinha: a malta tá a chegar
Ao sair do IGL, mas que desilusão
Mostram-me uma negativa a composição
Acontece...
Depois das aulas, mochila arrumada
Todos a caminho foi rir à gargalhada
Comenta o André Ferreira chegando-se ao pé de mim:
"Devia haver mais dias assim..."

Apesar de parecer mais um tipo normal
Esse tal de André Ferreira é alguém especial
Ele é fixe, ele é bacano, ele é genial
Ainda bem que há pessoas assim...."

domingo, 10 de maio de 2009

Ana Lee, Ana Lee


Que ano..!

Estou aqui a escrever, e sinceramente, devia estar a estudar Topologia ou Orgao, algo deste genero. Esta é a nossa frase tipica de manha, quando interrompemos o estudo e fazemos o nosso "coffeebreak".

Escocia partiu de uma das nossas ideias impensaveis. Uma sede de projecto. Queriamos trabalho, queriamos divertir. Fico-te grato. Foi um renovar de energias: isto de estudar musica de manha enquanto se pensa que tem um curso de Matemática nao é a coisa mais facil do mundo.

Lembro-me quando a Directora entrou pela 26 (? Nunca sei as salas! So sei a de orgao! Ahaha!) e disse que queria remodelar o espaço do IGL, precisava de por armários na casa de banho. Sugerimos entao que tambem a banheira nao servia para nada, e ela gostou! Quem diria que agora o armário que está na casa de banho la de baixo e é a porta de entrada para Narnia foi sugestao nossa.

Lembro-me quando, numa durante, na Escocia, senti duas raparigas a invadirem-me o beliche. De repente, um peso nas costas: uma cabeça deitava-se em cima e dizia: "Posso ficar aqui, posso? Va laaaa!". Eu, desesperado, so dizia: "Laura, Ana.. Olhem os australianos. Mais baixo. XIUUU. Mais baixo!".

Lembro-me de ter visto o teu "quase-diário-musical" onde escreves o que tens que estudar, bla bla bla, e ter lido uma reflexão que fizeste acerca da tua escolha pela musica. "O trabalho é a diferença entre os que conseguem e os que nao conseguem". Era algo assim. Gostei. Deu o mote para esse semestre.

Lembro-me de há poucas semanas me teres obrigado a fazer horários para estudar para o IST, e deu uma ajuda: Tive 16,5 num dos trabalhos que entreguei.

Terça feira vai ser o dia. Sei que vais dar o teu melhor, e que o teu melhor é somente... mágico. Terça feira, o IGL vai abaixo. Quase como se conquistassemos um campeonato. O da vida, provavelmente.

A ti, obrigado!

"Quando ela se poe de vestidinha, parece logo uma princezinha"

Curiosidades


Ha um ano, começava aquilo que chamei de "Reviravolta". Nao interessa. Relembra-se.

Hoje foi a 1ª Comunhao dos miudos com quem ja estou há 3 anos.

Sempre achei treta ficarmos comovidos a ve-los crescer. Nao. Nao é mito. Quando nos entregamos, acredito que vale a pena.

Hoje tambem cresci. Teem sido 3 anos de re-viver infâncias. Creio que nos percebemos tao bem porque ainda me lembro como eram as "regras". Nao que sejam regras aceitaveis, mas que eles funcionam segundo.

O Francisco: é dos mais inteligentes. Ontem descobri que nao gosta de Portugues, e que adora Matemática. Ri-me. Reconheço-me ali!

O Ricardo: grande jogador de futebol. Quando me avista todos os sabádos de manha, corre para mim a perguntar se pode ir brincar. Sorriso maroto.

A Beatriz: porta-se sempre espectacularmnete bem, e sei que posso sempre contar com ela. Uma das "Pedras Seguras".

A Inês: tem as observações curiosas. Adora conversar com a Rita, mas ja aprendi a tecnica para isso nao acontecer.

A Rita: eterna parceira com da Ines. Nao gosta quando lhes chamo a atençao, mas percebe melhor que ninguem que está errado.

O Tomás: nao consigo nao me rir. Adora wrestling. Tem dificuldade em ficar parado, mas é a sua maneira de ser: aprender melhor!

O Martim: ja la vao os tempos em que eu lhe chamava a atençao e ele ficava a olhar para mim. Lembro da festa do Pai Nosso e da maneira como ele se portou. Agora sabe tudo direito, faz perguntas e é curioso. Começo a ficar sem resposta!

A Madalena: controla o irmao que é uma beleza. Tem uma cultura que me faz levantar a sobrancelha esquerda.

Ha mais nomes, mas por hoje ficam estes. Um dia hei-de agradecer-lhes. Profundamente!

domingo, 3 de maio de 2009

Desilusão

Hoje sinto-me desiludido.

Para tal ter acontecido, é porque criei expectativas. E criei. Muitas. Será que quanto maior a expectativa, maior a desilusão?

Mais um paragrafo que fecho do meu livro. Um ponto final. Nao, agora nao é ponto e virgula. Talvez um dia eu altere e acrescente palavras. Hoje sei que a decisão anteriormente tomada é definitiva.

Saio de um projecto que agarrei com muita devoção e amor ao inicio, que ao fim de 3 anos volto a re-descobrir nos sorrisos daqueles que agradecem. Agradecem o evoluir, agradecem o ter feito crescer. Sorrio e "eu é que agradeço". Ao longo destes 3 anos, tambem cresci.

Custa quando o nosso trabalho nao é reconhecido, ou pelo menos as sementes que deixámos. Custa quando nao somos alvos de nenhum olhar, porque a conversa nao existe.

A mim custa-me que se esqueçam de outros projectos anteriormente feitos que deram frutos. Eram sinal de alguma coisa. No entanto, passam por cima, como se tal nao fosse importante.

E quando o fazem, nao me vou embora. Procura essa folha pisada, sopro e levanta o pó, re-escrevo numa folha limpa essa história, projecto, que insistiram em esquecer, mas que eu nao deixo.

Hoje nao fui mais que mais um. Para aqueles que, ironicamente, surgiram graças às folhas que escrevi.

Hoje a desilusão é enorme.