sábado, 13 de setembro de 2008

Aquele querido mês de Agosto


Sabendo que os bilhetes para o musical Mamma Mia estavam esgotados, foi com algum receio que eu e o Tiago olhámos para a (pequena) lista de filmes do Fonte Nova. Optámos por ir ver "Aquele querido mês de Agosto" pois nunca nenhum de nós tinha ido ver um filme em português. Fiquei curioso... a ideia que tinha dos nossos filmes nao era muito "agradavel".

A primeira surpresa foi termos entrado sem nos terem pedido os bilhetes. O que vale é que tinhamos bilhetes à borla. Começado o filme, fiquei ainda mais curioso. De relance, tinha visto nas bilheteiras que o filme era um misto de documentário/filme. E assim era. Ao inicio, apenas paisagens, pequenas falas previam que iria ser muito chato.

Erro. Passado 10 minutos, já toda a sala ria a "bandeiras despregadas". O filme não é do comédia, de todo, mas retrata tao bem o rural do nosso país, que há situações que sendo "normais" nao deixam de causar grande impacto.

Fantástico. Provavelmente o melhor filme que vi ultimamente depois de "Bucket List". Vale a pena ir ver, definitivamente.
"... nao se esquecem na vida" in Aquele querido mês de Agosto
A nao esquecer.
Fátima, 11 de Setembro.

Estou na sala de jantar da Casa do Bom Samaritano. Sao 23:52, o telemovel nao mente. Vim há pouco do Santuário, e confesso que fiquei impressionado.

Quando saí de casa, depois do jantar, o sol deitava-se, a noite ia cobrindo a floresta que atravessava. De caderno e caneta na mão, ia para o Santuário escrever um bocado. E assim fiz: no meio do alcatrão, sentei-me, cruzei as pernas, e escrevi. A brisa apertava, tirei o casaco e cobri as pernas. Chegavam grupos de todo o lado para o terço da noite. A Capelinha ja estava bem composta, quando deram inicio à cerimónia. As inúmeras velas davam uma certa piada, e como o frio ja se fazia sentir, levantei-me e fui para junto do "forno" (local onde as pessoas mete as velas).

Enquanto me entretia a ver cera derreter, chegou junto de mim uma senhora com uma vela enorme, mais parecia um taco de baseball. Acendeu, colocou-a no lugar, e ficou a comtempla-la. Deixei-me a comtempla-la tambem. E lembrei-me de ti, avô. Lembrei-me o quanto gostavas de estar naquele local. Lembrei-me que era suposto termos festejado os teus 50 anos de casado e os meus 18 anos (curiosamente no mesmissimo dia) aqui. Lembrei-me que não o chegámos a fazer.

Isso não me impedia, claro, de acender uma vela por ti e pela familia. E assim o fiz. Mas quando comprava a vela, vi tambem aqueles "casulos" que metem para proteger a vela. Comprei e fui juntar-me à multidão que rezava o terço. Não fui capaz de deixar a vela a arder ali, porque isso pareceu tão pouco. Deixei-me ficar.

O terço acabara e ia começar a procissão (pois hoje é quinta feira, dia da semana mais especial, o resto deduzes). Não quis ir. Cheguei-me junto do vidro-parede da Capelinha e olhei Nossa Senhora de Fátima. Estranhei, pois nao sou devoto, mas olhei.

Agradeci. Pelas memórias que partilhei contigo, e com as quais ainda me rio muitas vezes. Pelas pessoas que me marcam e com as quais Vivo diariamente. Pedi por ti, tambem. Tem sido estranho. Lembro-me que quando sai da camioneta que me levou até Fátima, e fui em direção a esta Casa, tu tambem ias ao meu lado, de mochila às costas. E que quando eu me sentava para reflectir, tu tambem o fazias. Fizeste-o?

Não sei. Mas foi óptimo ter-te ali.


André

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Óptimo


"Então, como vais?", perguntou-me a minha tia. Nao hesitei a responder, sorridentemente, "Óptimo!". Entao perguntei-me, depois da conversa, porque é que tinha que passar ainda mais 3 dias em Fátima, por vontade própria. Porquê? Era mesmo necessário?

Depois de tanto tempo, com tanta gente, em tantos locais, creio ter chegado a altura de poder gastar um bocado do meu tempo... comigo. Poderá parecer estúpido aplicar-se esse tempo numa casa onde vou para trabalhar e reflectir. "És mesmo... anormal", quase que oiço estes comentários a ressoar dentro da minha cabeça.

Mas o verdadeiro tempo gasto connosco é aquele que nos faz reflectir sobre o que se passou. Sobre as pessoas que conhecemos, os locais que nos marcaram, e pensar nos tempos que aí veem. "Pensas demais, André", diziam-me este fim-de-semana. Creio que nao. Creio que cada vez menos as pessoas pensam... menos. Deixam-se levar somente pelo sabor do momento.

Nao creio que isso esteja errado. Bem pelo contrário: é saudavel e faz bem. Mas nao em demasia. Depois deste verão, é tempo de "descansar". Se escolhi ir a Fátima mais 3 dias, é porque sei que tenho a ganhar. Sim, irei sozinho, mas ao mesmo tempo sei que todos os quartos estarão cheios, porque de certa maneira lembrar-me-ei de tanta gente que gostaria de estar ali comigo, que duvido se irei mesmo sozinho.

Se saí de um Verão fantástico, é porque vou entrar no Ano espectacular. Nao tenho a minima dúvida disso. As 11 horas semanais no Gregoriano ainda parecem boas de mais para serem verdade. O Grupo de Jovens está mais unido que nunca, após um ano atribulado. O Técnico está lá no mesmo sitio, e afinal... afinal somos mesmo um conjunto de amigos que escolheu um curso meio marado para fazer a vida. E a Cacao aceitou dar uma maozinha com a catequese.

Que mais se pode pedir?

P.s.: Amanha, 15:30 - Igreja da Luz. Hora alterada, afinal há um casamento às 17.

:)

Ia desligar. De repente, lembro-me de visitar outra morada. Fui aqui. Olhei para as montagens. De fundo dava a música da Sara Tavares, "Eu sei".

Eu sei.

Há sorrisos que nao se esquecem.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Histórias


Amigo Afonso!

Perguntei-me que reacção terás quando, rodeado de netos, folheares o livro de recordações do teu baptizado e parares na fotografia de cima? A todas as outras pessoas, saberás dizer que eram tios, tias, primos, avós. "Quem era este senhor, avô?".

Bom, nao interessa! Apenas, quando souberes ler e se encontrares este blog, gostaria de dizer que.. gostei imenso. Do baptizado, da tua familia, da tua terra, do teu modo desajeitado como tentas andar. Esmerei-me, tentei tocar o melhor que consegui. Espero que tambem tenhas gostado da festa, embora pelo teu sorriso, mesmo quando a àgua caiu sobre ti, aposto que sim.

Cresces numa familia especial, onde tu próprio és de longe especial. Espero poder continuar a acompanhar-te, a poder dar-te viagens espaciais de alguidares ou de carrinhos de mão, tudo o que puder.


E quem sabe...


... se um dia mais tarde nao tocaremos mesmo juntos :) ?
Quarta. Dia 10. 16:30. Na Igreja da Luz, la estarei, a tocar. So a tocar. A sorrisos que gostaria de ver!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Alegria

Quero escrever. Quero-Te falar. Agradecer.

Quero agradecer por me ter enganado. Por ter estado errado. Por ter pensado que a amizade era substituivel....

... E mesmo quando o Bruno, colega do 7º ao 9º, o melhor guitarrista que eu conheço, me vem falar apos tanto tempo sem nos vermos, e ainda me chama "irmao", é na certeza de que a amizade, afinal, é das coisas mais porreiras que Tu criaste... isso enche-me de Alegria, é certo!


Quero agradecer pelos dedos esticados. No fim de contas, há quem ainda pense que eu "nao vi nada". Ah, enganam-se! Vi mais, de certo, do que eles pensam. Mas o mais importante, é saber que voltarei para "ver tudo o que deixei para a próxima vez". Essa certeza, de voltar, so me pode deixar ainda mais alegre!


Aos 20 anos, ele continua ao meu lado. Nao duvido que aos 40, o estará tambem. Nao sei como lá chegaremos, mas descobri que isso nao importa. Importa é que la estaremos, e seremos, claro, a dupla Los Duros e Man in Black. Dia 1 de Setembro é agora Feriado Nacional. Olha!... Mais uma razao para um sorriso... para um sorriso alegre!




Vou voltar à Casa do Bom Samaritano. Para ajudar, para começar o ano da melhor maneira, para dar-me, para dar aquilo que sou. Vou à casa onde so entra alegria. Tudo o resto que nao combine bem, fica lá fora!

Agradecer-Te nunca será de mais. Até pelas vitórias do Sporting! Ja viste? Estamos (suponho que nao Tenhas clube, portanto se quiseres, eu pago-te as cotas!) em primeiro! Haverá alguma razao para nao dormir com um sorriso estampado no rosto?

P.s.:

Pedro estava aqui ao lado enquanto escrevia o post. Ao trocar as janelas, olhou para tua, viu a tua imagem, e sorriu. "Precisa de treino para chegar ao teu estilo, mas está no bom caminho!", disse, com um tom trocista, mas com um sorriso na cara. O meu lado-oculto olha agora para as plantas de outra forma. Mas ainda pisa a relva. Ha mal nisso?

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Enquanto procurava forças para arrumar o quarto que desde há 3 dias que nao tem chao, visto serem papeis por todo o lado, resolvi parar, ouvir algumas musicas.

Surgiu-me a ideia de partilhar a minha musica. Nao no sentido estrito da frase. Achei, depois, que deviamos ser "obrigados" a parar e reflectir. No bom e no mau. Entao tive uma ideia! A ideia é esta:

Na Quarta feira, dia 10 de Setembro, gostava de convidar, quem quisesse, a ir à Igreja da Luz, em Carnide, por volta das 16:30 horas. Vou lá estar a tocar órgão. A ideia era passarmos lá uma hora, ao som da minha música, mas uma hora de reflexão pessoal. É só ir para lá, sentar, eu toco, tu pensas no que achares importante...

... tu pensas, eu "acompanho-te" ...

... e de certeza que Ele nos tocará a todos!

Fica o convite :)

Silêncio


"Eu sei quem és para mim, haja o que houver" (Madredeus)

A frase nada tem a haver com a imagem. E nao sei porquê. Talvez esteja ligada. Talvez até tenha tudo relacionado. Nao sei porque a escrevi...
Silêncio.

Agora que penso melhor, a frase vem da imagem!

Nao posso escrever muito depressa, o Pedro e a Claudia ja dormem, e o pc está no quarto deles.

Silêncio.

Apuro o ouvido. Oiço as suas respirações. Sincronizadas.

Silêncio.

Abro a pasta das fotografias, e revejo o Verão todo, de uma ponta à outra. Sorrio. Mas como é possivel que aquele local realmente exista, que nao foi um sonho?

Silêncio.

Pedro acorda, sinto que alterou a respiração. Percebe que estou no computador, olha-me, e diz: "Senhor, eu sei que um dia entao, conseguirei amar! Espero em Ti!" e voltou a proteger Cláudia. A frase era de uma musica. Pu-la a tocar. Anseio tanta coisa, quando nao devia ansiar nada, mas apenas o simples viver.

Silêncio.

Entro o ano como uma proposta para Vice-Presidente da AEIGL. Deixa-me com um grande sorriso. A familia vai-se reunir outra vez. Isto de sair de férias inesqueciveis e voltar a encontrar outra parte de mim é fantastico.

Silêncio.

..Parte de mim.. a imagem. E não só. Ha tanto que é oculto.

sábado, 30 de agosto de 2008

Sporting


Nao esperava escrever aqui acerca do Sporting, até que me apercebi que tem tanto de Oculto como o resto.

É uma paixao. É indiscritivel. Ouvir ou ver o Sporting a jogar é paralisante. Lembro-me quando era muito mais novo, talvez 9 ou 10 anos, e a febre do verde começava forte em mim. Sempre fui fiel às cores leoninas, mas so a partir dessa idade soube apreciar melhor. Quando o Sporting jogava, e eu supostavamente ja devia estar a dormir, tirava um velho radio da gaveta, punha-o ao lado da almofada, e ficava a ouvir até o jogo acabar.

Lembro-me de vestir a camisola do Peter Schmeichel, para cada jogo que dava na televisao. Ficava sentado no sofá, completamente embrenhado em cada jogada.

Lembro-me quando ganhámos os dois campeonatos, e a sensação que era. Mas lembro-me tambem quando num desses anos, perdemos a Taça de Portugal para o F.C.Porto, e fui-me deitar completamente lavado em lágrimas.

São histórias que fazem rir pelas figuras, pela raiva e alegria. É um fenomeno curioso. Cada golo é.. nao sei. É estranho, porque parece sempre que nunca tinha visto o Sporting a marcar um golo.
Lembro-me quando, ainda há 2 semanas, o Sporting jogava a Supertaça contra o Porto. Eu estava num jantar na Fajã, e consegui "desligar" do jogo. Perto do final, fui à carrinha ouvir o resultado final. Quando ouvi o 2-0 para o Sporting, sai, ajoelhei-me, e agradeci com os braços para o ceu. Figuras um bocado ... estranhas, mas é assim!

E quando vejo o verde a derrotar o vermelho? Ui!

Nao há nada como o Sporting!

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Faro, 29 de Agosto de 2008:

Deverei dizer "boa noite", ou isso é escusado? A esta hora ja voces estariam a dormir, mas agora duvido que o estejam a fazer, estando eu e o Miguel enfiados na sala, de comandos postos na mao, a fazer os nossos interminaveis jogos de PS2.
Agora que penso melhor, o "Verão" está a acabar. Surge-me, entao, tudo o que fiz neste Verão e queria partilhar convosco. (Embora logo a seguir me pergunte porquê, visto que sabem melhor do que ninguem o que eu fiz.)
Acima de tudo, sei que foram meses diferentes do habitual. Pelos locais, pelas pessoas, pelas actividades, pela disposiçao. Claro que sabe sempre bem voltar cá. Acima de tudo, sinto-me daqui, desta casa, desta cidade, deste sotaque e viver.
Diziam os alemaes, nao sei se perceberam, que estranharam-nos ao inicio, porque eramos muito sorridentes. Ficámos um bocado surpresos, mas depois apenas dissemos que... so tinhamos "razoes para sorrir".
Chego ao final destas férias so com "razoes para sorrir". E com uma energia renovada, ou lá o que é isto que sinto.

Nao sei se vai ser um ano fácil ou nao. Sei que vou poder dar o que posso dar. Pelo menos tenho a certeza absoluta que é isso que voces querem, e ainda gosto de concretizar alguns dos vossos sonhos, aqueles que estiverem ao meu alcance.
Daqui a um ano, voltarei a estar neste clima de noitadas, PS2, etc... e sei que vai ser outro Verao diferente. Assim como o do ano passado nada teve a haver com o deste, sei que vai sempre mudando.

Fica a garantia de que tudo vai correr bem. Nao sei bem como, mas sei que vai.
Entretanto, estou com uma fome de panquecas enorme. E nao decorei bem a receita. Uma das resoluções para este ano devia ser "aprender-a-cozinhar-decentemente", mas creio que que vai ter que esperar.


A rua está vazia, nao oiço barulho nenhum. É brutal estar aqui.

É brutal estarmos aqui.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Praia do Norte



Tentei escrever este post de 1000 maneiras diferentes. Procurava descrever o que vivi em 14 dias inesqueciveis, mas nao consegui. Acho que tal acontece porque a aventura ainda nao acabou. Escolhi a fotografia de cima porque lembro-me bem do que estava a sentir. Era ja tarde, via-se o por do sol ao longe, e iamos ter jantarada na Faja. E depois ainda iamos sair. Conheço aquele sorriso, e sei que quando o faço, é sinal de que está tudo acima do optimo. Mas por agora, ficam os agradecimentos.


Obrigado...

...ao Bruno, ao Tiago, à Susana, ao Carlos, ao Senhor Serafim e à Dona Alice. Ao nosso "quarto", à casa da Praia do Norte, à casa da Fajã. Á Semana do Mar, aos Asher Lane e às luzes neon. Ao fogo de artificio, e ao telemovel que caiu ao mar ( e ao Alcatel rasca que o foi substituir ). Á carrinha que nos transportou para todo o lado, aos Cabeços que subimos e às praias que descemos. Ao Peter. Á TAP e à gentil e despechada senhora da TAP. Ao Pico e à inesquecivel prova viva de sobrevivencia no topo do Pico. Ás placas que fizemos, à moldura que construimos. Ao telhado que limpámos. Ao chao novinho em folha que fizemos. Ás vacas a quem tirámos o leite. Aos adormeceres ao som das mensagens de boa noite, e o acordar com a luz do sol a entrar pelo quarto. Ás mousses e ao Sr.Castanho. Á Erica Azorica e às plantas endérmicas. Ao "Ena pah... tenho lama nos meus sapatos". Ao dedo mindinho esticado. Á Paula, ao Joao e à Joana. Á Sagres em tom ucraniano. Á poderosa Angelica. Aos nossos amigos Chris, Jörg e Judith. Ás discussoes acerca da verdade do cristianismo. Ás "monkey business". Ás noites passadas na procura incessante de estrelas cadentes. Á Ana, Catarina, Ana Lusia, Brigite, Romeu. Á Elsa e Jessica. Ao Padre Joao e á sua incomparavel homilia. Ao ensaio que tivemos. Ao Professor Mamadu e ao Professor Bambu. Á Cacao. Ás gargalhadas que demos. Ás ondas que apanhamos. Á testeira e belica. Aos inhames. Á descoberta da Natureza. Ao Tianbru. A Ti, claro.

sábado, 23 de agosto de 2008

Paula, Joao, Joana e Jesus

Ainda estou tocado com o que me disseste. Guardo as tuas palavras com um carinho especial. Se vos pedisse para o Pedro de Arimateia, o meu anjo de guarda, passasse a ser o anjo da guarda da vossa familia, deixariam?


O teu olhar, Paula, é d'Ele. O teu sorriso, humor e alegria, Joao (Parabens, ja agora!), são d'Ele. E tu, pequena Joana, cresces no centro de tanto Amor, no melhor local onde poderias crescer.


Quero poder olhar para e por voces. Fica a certeza que vou voltar. Porque parte de mim tambem ficou convosco. Com toda a alegria e amor que isso significa.

Acabo de escrever, e Pedro encontra-se atrás de mim. Está sentado, e chora.

"Porque choras, Pedro?", perguntei.

Fez um sorriso. Percebi. Fez o mesmo sorriso que eu faço ao olhar para as vossas fotografias. O mesmo sorriso quando entrei na vossa casa, o mesmo sorriso quando vos vi a entrar pela garagem do Bruno, o mesmo sorriso enquanto cantavamos às 4 da manha, o mesmo sorriso que sei que vem dalgo que nao eu.

O Nosso sorriso. Estarei sempre convosco!

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Amar


Sem saberes, subiste comigo ao Pico, ao Vulcao dos Capelinhos, desceste à Caldeira, viste as 2 únicas estrelas cadentes que consegui ver, fizeste comigo 1001 coisas que julgava impossivel fazer.

Nao vale a pena ligar-te a dizer que o fizeste. Sabes da nossa capacidade de falar sem telemovel, a capacidade de saber quando estamos a pensar um no outro sem falar, essa ligação estranha que mesmo apos isto tudo... continua.

Nao sei se quiseste fazer isto tudo. Seria ingenuidade minha pensar que sim. Mas fizeste-o.
E quando chegava a noite, e me estendia ao comprido, deixava livre o meu braço. Nao sei se o agarraste. Mas terás, de certo, ouvido o meu "boa noite".

Porque há coisas que nao se explicam... apenas existem!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Cacao

Era meio dia. Eu e o Tiago estavamos a tomar o pequeno-almoço.

De repente, enquanto eu estava embrenhado nos meus pensamentos, oiço o Tiago a dizer com uma voz muito preocupada:

- Tenho uma má noticia, André..!
- Mau... o que é que aconteceu?
- Olha.. olha o que fizeram à Cacao.

E mostrou-me isto:

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Linhas

O Bruno e o Tiago ja dormem. É uma da manha, e nao tenho sono. O nosso enorme quarto está mergulhado na escuridao, apenas surge esta luz forte do portatil. Nao tenho sono, e mesmo que tivesse, nao queria ir dormir.

O silêncio permite ouvir uma respiração mais detalhada. Nao quero ir dormir.

Hoje, na missa da Praia do Norte, na ilha do Faial, o Padre Joao gesticulava fortemente os braços na homilia. Estava empenhado no que dizia, e nao pude deixar de lhe seguir o pensamento. A certa altura, ele exclama:

"Porque nós todos, muitas vezes, temos uma fé infantil..! Quantas vezes me veem senhoras e senhores a dizerem que rezaram muito e pediram muito e nao sei mais o quê, e como nao aconteceu o que eles queriam, entao deixavam de acreditar Nele"

As horas nao permitem uma fiel reprodução, mas terá sido muito por volta disto. Foi uma ideia que me tocou bastante. "Fé infantil". Tocou-me na maneira como por vezes tambem deixo de acreditar tao facilmente. Tocou-me porque revi-me logo na figura retratada pelo Sr.Padre.

Por coicidencia (?), hoje à noite tivemos a agradavel companhia do Padre Joao ao jantar, na casa de praia da Faja, um pouco mais abaixo aqui da aldeia da Praia do Norte. Enquanto a familia ia conversando com os dois seminaristas tambem convidados, aproximei-me do Padre Joao e agradeci-lhe a homilia que tinha dado. Expliquei-lhe que quando um jogador de futebol joga bem, é noticia na primeira pagina, logo... quando um padre fala e nos toca, tambem o deviamos reconhcer. Ele sorriu imenso, olhou-me e disse:

"Muito obrigado, André! Sabes... todos nos temos muitas vezes uma fé infantil."

Lembrei-me entao de uma frase que eu tinha dito ao Tiago, ontem, durante uma das nossas viagens entre Horta-Praia do Norte: "Deus escreve direito por linhas tortas".

Acho que é isso que dá a "piada" ao estilo como Deus actua. Se tudo caisse do ceu, de nada valeria lutar, e seriamos todos uns "encostados à poltrona". Percebi que nao é facil seguir o caminho, sabendo que uma queda ou recuo ou algo parecido significa sempre um avanço ainda maior. Temos, ou tenho, a tendencia a desistir ao fim da queda, e pensar que so vale a pena ficar quieto no meu lugar. Ter fé infantil, é, afinal de contas, tao simples.

Antes de eles dormirem, comentámos que andavamos a orar muito pouco, para uma tripla como esta. Aqui fica, entao, a nossa oraçao desta noite:

"Senhor,

queremos-Te seguir,

construir a nossa casa sobre a rocha,
sorrir ao estranho que passa,
na certeza de que tambem Estás lá.

Para que no meio do mundo dos Franciscano
s nos dês certezas...
... para que no meio do mundo dos engenheiros biológicos nos dês confirmações...
... para que no meio do mundoo dos matemáticos nos dês resultados...

Oramos-Te"


quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Imagens

(Vulcao dos Capelinhos - 2008 )

"Nada se pode comparar a um amigo fiel, e nada se iguala ao seu valor. (...) O que teme o Senhor terá tambem boas amizades, porque o seu amigo será semelhante a ele". (Ben Sira 6, 15-17)

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Faial


É de manha. La fora está um nevoeiro que nada nos permite ver. Tempo de alterar planos, embora nao se perca a magia de cá estar: nos Açores. No Faial. Esta ilha, descobri, afinal tem quase tudo o que eu jamais pensara que nunca poderia encontrar.

Ontem à noite o Tiago disse-me o lema: "What happens in Faial, stays in Faial!". Rimo-nos da frase, das situações às quais ela se aplica, a podermos partilhar momentos únicos.

Ainda falta tanto para acabar, e isso sabe bem. Por mais que agradeça ao Bruno (aka Frei Bruno) nunca chega.

Sao tempos inesqueciveis.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Entre poeira, terra, montanhas, luzes..

Seria uma semana perdida se nao tivesse decidido pegar nela: como todos os verões, eu ia para uma terra fronteiriça, em Trás-os-Montes. Uma pacata aldeia, a qual sabe sempre bem visitar para fugir à rotina/barulheira da cidade.

Sera uma semana perdida se nao tivesse decidido que isso so dependia de mim. Nao iria ter lá alguem (amigos) pois o grupo que lá se reune desencontrou-se. Apenas eu, com as minhas tias. Agora (enquanto escrevo) reparo que foi isso que fez a diferença: decidir que podia fazer daquela semana, uma semana diferente.

Quando, no sabádo, olhei para o despertador e este apontava 5:40 da manha, nao resmungei: ia fazer algo diferente. Apanhar batatas. Digno de qualquer expressao que nao tenha a haver com o seu real significado, foi isto mesmo que fiz numa manha de sabado, para a qual tive que acordar muito mais cedo que alguma vez fiz. Mas lá está: era algo diferente. Poder conduzir um tractor, sozinho, enquanto via o nascer do sol e saltava constamente, pois o caminho era muito mau, é algo diferente. Nao pude deixar de sorrir. A certa altura, uma das senhoras que estava connosco perguntou: "Entao André, quando trazes amigos para virem fazer o mesmo?". Lembrei-me logo do Migas. Imagina-lo a acordar cedissimo, a resmungar, mas ao mesmo tempo a rirmo-nos que nem uns perdidos enquanto o tractor saltava e saltava. Migas, se vires isto, fica descansado. Nao faço intençoes de te pressionar a ires apanhar batatas.

Relembro agora o último domingo que lá passei. No dia a seguir iria de autocarro de volta para Lisboa, e como a viagem é muito cansativa, costumo deitar-me muito tarde, para depois ir a dormir a viagem toda. E resulta.

Peguei entao numa cadeira de encosto, regulei aquilo para ficar estilo cadeira de praia, peguei num cobertor, e sentei-me na varanda. Á minha frente tinha uma paisagem única: Espanha enrugava-se em montanhas. Embora nao conseguisse ver, o Rio Douro separava-nos, lá no fundo. Era de noite, e ao longe viam-se as aldeias espanholas iluminadas, pequenos algomerados de casas que se destribuiam ao longo da paisagem. De vez em quando, via-se algumas luzes brilharem no meio da escuridao: eram carros que faziam viagens, de aldeias para outras aldeias.

Lá no alto, o céu estendia-se ao comprido, preenchido por pequenas estrelas. Tentei decifrar algumas constelações, mas depois reparei que chamava "Ursa Maior" a tudo o que visse e que me lembrasse que era constelação.

Liguei o mp3 e pus-me a ouvir as músicas que Alguem me tinha cedido. Ficaria ali a noite toda. Reparei entao na estrela que mais brilhava no ceu. Nem tinha que mexer a cabeça para a ver, estava quase à minha frente. "E se fosses Tu?", pensei, "Porque nao?". E comecei ali uma conversa em que ninguem se calava. Ora eu, ora Ele. "Chamar-me iam maluco, se me vissem.", pensei. E nesse momento alguem falou ao meu ouvido:

"Sabes que não..!", respondeu Pedro. Estava envolto num robe. Sentou-se ao meu lado, no chao, e contemplou a mesma estrela.

"Onde será que ela está agora? Será que está acordada? A sorrir? A fazer loucuras? Será que já dorme?...", perguntei em voz alta.

"Hey hey hey hey hey, amigo!... ... Ela?... Ela quem?", perguntou-me com um ar muito surpreendido.

"Nao sei... Ela! Quem quer que ela seja.." , respondi. Percebi a estupidez da minha resposta, mas o meu lado-oculto nao me popou um (merecido) sermão.

"Estás a pensar nisso outra vez? Mas és ... maluco, ou que?", disse-me num tom de voz mais bravo. Levantou-se, debruçou-se na varanda, olhou para a estrela e depois olhou para mim. "André.. nao é preciso preocupares-te com isso. Nao precisas de estar sempre a entregar-te a alguem. Ja pensaste porque é que nao te entregas a Ele?", e apontou para a estrela.


"Talvez porque isso seria radical de mais. Nao sei.. quer dizer... tu percebes... isso sao coisas que nao se decidem hoje e agora."

"Apenas queria que tomasses isso como outro caminho."
, disse Pedro, enquanto saia.

Voltei a ligar o Mp3. Pus-me a pensar (outra vez), e é verdade. Certas alturas na nossa vida estamos preocupados, numa bifurcação, sem saber para onde ir, porque temos medo das duas opções. E depois há outras alturas na vida, em que afinal estamos numa bilifurcação (uma furcação com muitos caminhos de escolha), e as opções sao todas excelentes e positivas. Percebi que estou +/- por aí. Nao cheguei ainda lá, mas ao longe consigo-a ver.

A estrela nao parava de brilhar. E a musica, numa voz feminina, sussurrava-me:

"Haja o que houver, eu estou aqui. Volta no tempo, meu amor. Volta no vento, por favor."


"Sem stress", pensei. "Já ca estou". Sorri, fechei os olhos, abracei-te e adormeci. E a estrela ainda aparece todas as noites. Tenho a certeza que nao irá sair de lá.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Onde encontrar o Senhor?

Prometi este post quando os olhos ainda me pesavam, a cabeça ja nao funcionava bem, e quando olhei para trás e vi-te a dormir. Na altura Pedro riu-se e sugeriu-me que escrevesse, ali mesmo, o post. E com um caderno imaginário (cuja tinta nao prende muito bem e tenho dificuldade em decifrar o que, imaginariamente, escrevi) propus-me a tal tarefa.

Apercebi-me de uma coisa fantastica: nao temos horas de conversa, e no entanto ja te conheço há tanto.. tanto tempo. Provavelmente ainda andava de mao dada à minha mae, e ja sabia quem tu eras. Enfim.. crescer-se na mesma paróquia dá nisto!

Outra coisa fantastica foi o facto de querer escrever o post, nao porque estavas a dormir, mas talvez porque.. porque sempre achei que a nossa maneira de reagir nos grupos em que cada um está inserido é muito identica. Paro e tento perceber o que quero dizer, mas nao consigo. A energia inesgotavel... hum.. nao, é algo mais. Identifico-me. Assim está melhor.

Nesta altura o caderno começa a perder a tinta. Ja nao vejo bem o que escrevi. Pego no meu mp3, e ponho as musicas que me inspiram. Ah, olha..! A tinta re-aparece!

Lembro-me, ainda este ano, quando estavamos a conversar depois da catequese, e de repente perguntas-me: "Como é que achas que as pessoas se deviam casar?". O que me surprendeu nao foi a pergunta (talvez), mas o olhar de quem estava realmente interessada em ouvir o que tinha para eu dizer. "Eu? Nesta minha... juventude?!", pensei. Foi um momento raro. Nao que eu ache que as pessoas nao ligam nenhuma ao que eu digo. Mas sempre dei mais importancia à idade que nos separa, e achei que isso seria uma barreira para qualquer conversa credivel alem de "como vai a vida". Erro meu, eu sei.

Umas das coisas tambem engraçadas é que tenho alguem no meu curso que é muito parecida contigo. Nos oculos, na energia.. hum, cá está. Outro problema de expressao: sei que é parecida contigo, mas nao consigo perceber porque. Raramente a vejo, mas quando tal acontece, lembro-me de ti. Acreditas que isso me deixa com um sorriso na cara? Animo tantum bene cernimus.. So consigo explicar através disso. Por isso, sem termos horas de conversa e por muitas vezes as que temos sao pequenas e divertidas picardias, consigo escrever "tanto" sobre ti.

Ao remexer no caderno, caiu-me um papel que recebi no dia da caminhada do meu grupo de jovens, um dia antes da festa do Tó. A primeira frase dizia logo: "Onde encontrar o Senhor?". Se eu responder que tambem o posso fazer ao conversar contigo, seria estranho? Creio que nao. Tu percebes.

No fundo, ambos temos o poder de, em dias nublados, afastar nuvens. Devem ser dos nossos oculos :)

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Pedro

Hoje, ao ler os posts que escrevi há um ano atrás, percebo o real significado do Lado-Oculto.

Percebo que as frases que o Pedro diz sao as mesmas que, passado algum tempo, eu próprio tambem diria a esse André.

Hoje, ao ler os posts que escrevi há um ano atrás, percebo que estava noutra... dimensão. Sorrio a pensar em tudo o que vivi. Perguntam-me se chegou ao fim. Sorrio outra vez. A minha história nao tem fim, nao há capitulos, e é tudo escrito na mesma página. Nao há paragrafos, e as frases aglomeram-se. Ha, somente, imagens.

A ti, Pedro..




...obrigado!

terça-feira, 22 de julho de 2008

Apontamentos... ocultos


Sou teu aprendiz sem tu seres o meu mestre. Creio que percebes.

Nas alturas em que estava tao fraco que nem percebia o que devia fazer, falaste como se d'Ele se tratasse. E terá sido, sem dúvida.

Aprendiz de um "olhar" de amizade e de força. Aprendiz, nao de uma forma de vida, mas de uma maneira de abraçar a vida mais.. forte! Hoje so posso dizer... Obrigado!

Porque ambos temos Lado-Ocultos. Porque ambos escrevemos Apontamentos de histórias limpas.

Porque ambos saltamos de formas estrambólicas para a piscina...!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Ser feliz


Aceitei. Quando a Ana Rita me perguntou se queria ir fazer voluntariado à Casa do Bom Samaritano, nao hesitei e respondi que sim, sem olhar a datas nem obrigações.

Partiria segunda de manha, e ficaria lá até quarta à tarde. Três dias que se revelaram três meses.

No domingo que antecida essa Segunda feira, à noite fiquei aprensivo. Comecei a pensar para onde ia, e comecei a ficar com o pé atrás. A tarefa nao ia ser fácil. Estaria a pedir muito de mim? Estaria preparado para dispor algo que nao sabia se tinha? "Veremos", conclui. Adormeci na certeza de que ia. E isso era, naquela altura, o mais importante.

Acordei na segunda disposto a ir ao encontro do que a Divina Providência me tinha para propor. Esqueci-me, claro, que no que toca à Divina Providência, tudo aquilo que nao faz sentido, de repente parece a coisa mais lógica à face da terra.

Encontrei-me cedo com a Ana e fomos apanhar a camioneta a Sete Rios. Depois de algumas peripécias e um "Voces pensam que os motoristas sao uns grandes palhaços...!" vindo do prórpio motorista para toda a camioneta, antes do inicio da viagem, la arrancamos, em direcção a Fátima. Virei-me para a Ana, no inicio da viagem e perguntei:

"Achas que estamos preparados?"

Ela sorriu, e respondeu que sim. No fundo ela tinha mais fé que eu de que tudo iria correr bem. Liguei o MP3, encostei a cabeça, e deixei-me dormir.

Quando chegámos, ficámos à espera da irmã Ana. Figura especial, esta irma. O seu nome é Irma Ana da Paz, e realmente é verdade: transborda paz da cabeça aos pés. Ainda é nova, e a sua companhia foi sempre um factor motivante para o nosso trabalho.

Chegados à casa, onde ja tinhamos estado a uns meses atrás, ficamos à espera da Luisa e da Mafalda, duas amigas da Irmã Ana. Fomos depositar as malas aos respectivos quartos, e enquanto elas nao chegavam, saquei de uma folha que o meu amigo Tiago Krug me tinha dado, para reflectir. Era acerca da passagem da Samaritana com Jesus, e a àgua. Li, pus as perguntas na minha cabeça, e fui-me embora.
Da esquerda para a direita: Irma Ana, Luisa, Mafalda
A ideia era as respostas se fossem encontrando ao longo do dia, com a ajuda das meninas. E assim foi.

Quando a Luisa e a Mafalda chegaram, vindas de Coimbra, fomos reconhecer os cantos à casa. A memória ainda estava fresca, havia sitios que ainda perduravam na minha cabeça. Terminada a visita, fomos entao ter o contacto com as meninas. Ao principio cai-se sempre no erro de ficar de pé atrás, mas nao vale a pena. Incrivel. Sendo nós os supostos "Saudaveis" e essas tretas todas, no momento da verdade somos nós que vacilamos perante alguem que estupidamente rotulamos de "inferior".

Foi diferente. Estavamos ali por causa delas, desse por onde desse tinhamos que superar esse... medo (?). E so ganhámos com isso! A partir daí os dias foram passados numa total festa.

A primeira actividade em que iamos ajudar era o almoço. Confesso que nao estava preparado, mas gostei. Numa das mesas, faltava uma menina e entao sentei-me no seu lugar, e fiquei a falar com as restantes. Eram conversas de descoberta. Nao se desenvolvia muito, mas falar do cozinhado, do dia e das actividades que elas iam fazer ja dava conversa para horas seguidas.

Descobri as suas estações do ano preferidas, enquanto pensava na qual era a minha. Descobri que havia uma menina que fazia anos no mesmo dia que eu, e descobri ainda muitas tem tarefas distribuidas ao longo da casa. Uma sintonia a rondar o perfeito. Porque a simplicidade era a chave.

A tarde de segunda foi dedicada ao ar livre, e fomos para uma pequena mata que ficava ainda dentro das "propriedades" da Casa do Bom Samaritano. Falámos, rimos, cantámos e até fizemos teatros com fantoches. Tudo numa boa disposição. Sem qualquer preocupação a pairar na mente. Apenas o que era essencial estava ali.

Outra coisa que reparava ao longo dessa actividade era o bem estar das funcionárias, a dedicação e alegria que emitiam. Era de louvar. Todos os dias ajudavam, e percebi que tambem aquelas meninas passavem a ser parte da sua familia.

A certa altura dei conta de um rapazito que nos andava a seguir pela casa toda. Vim a saber que era o Tiago, 8 anos, filho de uma funcionária. E enquanto estavamos lá fora, nao pude deixar de reparar na maneira como ele falava com as meninas: uma simplicidade e desembaraço sem iguais. Pareciam suas irmas, na maneira como falavam, embora tivessem idade para serem suas avos. "Vê e aprende", disse-me o meu lado-oculto. Sem duvida.

Era tambem à tarde que eu começava a desenvolver uma relação muito especial com uma das utentes! Rosa Helena de seu nome, o seu sorriso, embora ja carregado de idade, e os seus constantes abraços punham-nos sempre de riso e sorriso. A minha tarefa ao longo destes 3 dias era clara: faze-la conseguir decorar o meu nome! E nao foi tarefa facil. Aliás, creio que ficou por cumprir. Para ela, eu era o Miguel, e ponto final. Nao havia volta a dar. De tal modo que quando eu ia nos corredores e ela, numa das salas, me via, depressa se levantava e dizia: "Miguel, Miguel!". Mais um nome para eu acrescentar à lista!

Chegou o jantar, e com ele maiores doses de boa disposição. Cada vez estavámos mais á vontade, aquela casa estava a ser a Nossa Casa.

As perguntas que me tinham sido lançadas para reflexão faziam o seu efeito. Descobrir as respostas era factor de alegria. Na partilha que o nosso grupo fez ("Sister Anne", Luisa, Mafalda, eu e Ana Rita) fiz questao de o mencionar. Habituado às partilhas do meu grupo, foi-me muito interessante ouvir o que a Luisa e a Mafalda tinham para dizer.

Depois do nosso jantar, onde passei a descobrir um maravilhoso sumo de laranja chamado "Ika", o qual aconselho vivamente, fomos descansar para a entrada da casa. As meninas ja estavam na cama, e estavamos á espera da Irma Ana para irmos ao Santuário.

Depois de alguns acontecimentos tais como levarmos com um balde d'agua fria em cima vindo do primeiro andar, lá nos pusemos a caminho do Santuário de Fátima. A certa altura a Margarida liga-nos (membro do GJ), dizendo que podia ir ter connosco no dia seguinte. Era outra excelente noticia, quantos mais, melhor!

Chegados ao Santuário da Fátima, sentámo-nos no meio do alcatrao, e por ali ficámos a ver e ouvir o terço que ser rezava nas diferentes linguas, na capelinha das Aparições. O tempo está agradavel, nao havia vento, e a temperatura permitia-nos estar ali toda a noite, caso fosse preciso.

Ao nosso lado, o caminho para se fazer de joelhos era percorrido por alguns peregrinos, cujo esforço era evidente nas suas caras. Passado algum tempo, olhei de novo para o lado, e vi algo que nos tocou a todos do grupo: um casal jovem, possivelmente da nossa idade, fazia de joelhos o tal percurso. Ele estava de capecete no braço esquerdo, e encorajava a namorada, embora tambem lhe custasse, a seguirem caminho. Ficámos um bocado enbasbacados. Disse em voz alta: "Se eles voltassem e passassem por aqui a pé, até ia falar com eles..!". Nao sei porque, confesso. Apenas senti-me tocado pela uniao que eles representavam ali, naquele momento. A Mafalda riu-se, mas depressa admitiu que "eu nao estaria ali de certeza com o meu namorado!".

E assim foi. Passado alguns minutos, vimo-los subir. A Irma Ana vira-se e diz-me: "Olha, ali vao eles! Va, vai lá dizer-lhes qualquer coisa.". Respondi que nao, e ela insistiu dizendo: "Há oportunidades na vida que so vem uma vez...!". Dita daquela maneira, poder-se-ia fazer uma verdade palestra. Parei um milésimo de segundo a pensar nela, levantei-me num àpice, e fui ter com eles.

Ao chegar junto deles, disse-lhes sem hesitar que admirava a devoção que tinham e que saltava à vista, numa idade que sabiamos que nao era comum. Trocámos algumas palavras, mas acima de tudo, trocámos olhares. Olhares de quem percebia que nao nos conheciamos de lado algum, mas havia algo que nos ligava: Ele.

Ao sairmos, desabafei o quao marcado me tinha a imagem deles os dois, de maos dadas, a descerem de joelhos. Foi entao que a Ana Rita me disse das daquelas frases que me deixou...

Os outros dias foram mais do mesmo: Ajudar! Foram autenticas descobertas das pegadas de S.Francisco, culminando com o filme "Irmao Sol e Irma Lua" (noite de terça) (filme o qual é espectacular, muito graças à incomparavel beleza da actriz que fazia de Clara :P). A Mafalda e a Margarida dormiam na sala, mas o filme prendeu-me e nao deixou dormir-me. Fiquei surpreendido pela vida de Francisco. Gostei.

Era altura de fazer o balanço. No autocarro apercebi-me de que, enquanto for capaz de ajudar...

... enquanto souber abraçar para fazer sorrir...

... e enquanto tiver pessoas ao meu lado dispostas a fazer o mesmo...



... serei, de certeza, feliz!

domingo, 13 de julho de 2008

Agora preciso do Teu sorriso, do Teu olhar e da Tua voz.

E embora precise deles urgentemente, é bom saber que preciso!

Amanha parto, de mochila às costas, para ajudar. Sei que nao vai ser nada facil, talvez ainda nao tenha bem a proporção das coisas, mas uma coisa é certa: Quero ajudar.

Amanha parto, de mochila às costas, para reflectir. Teem sido semanas de aprendizagem intensa, quero restruturar tudo aquilo que tenho aprendido e definir novos rumos. Vai dar trabalho, mas como diz a Irma Ana, "ninguem vem a esta casa e sai igual."

Pedro ri-se ao ler esta linhas. Foi ele me que sugeriu aceitar a proposta da Casa do Bom Samaritano.

Cláudia estava nos seus braços, deitados sobre a cama, a sentirem o por-do-sol. Ela sorria tambem. No entanto, quando olhou para mim mudou as feições. Fazia-o para nao ter que dizer directamente o que queria saber.

"E agora?", perguntou-me. Entendi-lhe as palavras. Percebi a curiosidade e a leve preocupação.

Pedro, ainda antes que eu pudesse responder, disse-lhe, como se eu nao estivesse ali:

"O André será sempre o André. E isso significa tudo. Se hoje a terra é boa para semear, porque nao o será amanha? Se hoje a semente que deitas germina e dá bom fruto, porque nao o dará amanha?..."

Claúdia bebia-lhe as palavras, e eu pasmado fiquei. Pedro nada disse, apenas sorriu. Acho que ele sempre teve, e sempre terá, mais fé que eu. Mas para isso é que há... o lado-oculto.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Instituto Gregoriano de Lisboa

Houve um dia que sonhei, por momentos, que a nossa escola de música era tambem a nossa casa. Deixei-me envolver pelo sonho, construi uma história, e prometi que a iria escrever:


20h. Cheguei a Entrecampos. Saio do Metro lentamente, completamente estafado do dia. A casa, essa ainda nao se via, mas estava lá perto. Virei a esquina, e la ao fundo começava a deslumbrar-se. Fica no final da Avenida 5 de Outubro, e está no melhor sitio que podia estar.

Abro a porta. Os professores ja nao estao, as aulas ja acabaram. Hoje nao é o meu turno de estar a na cozinha a preparar o jantar, felizmente. Sim, o nosso internato é diferente: os alunos mais velhos ficam encarregues de tudo, inclusivé cuidar dos mais novos. Limpo os pés, e suspiro: "Lar doce lar.".

Os quartos, para quem conhece a casa, ficam no segundo e terceiro piso, cozinha e refeitório ficam no quarto. Ainda no rés-do-chão, fui ter à sala de Alunos. Entrei. Estava lá o Luis, o Jorge, a Magui, o Grilo e algus miudos do básico. Grunhiram um "boa noite", e continuaram de olhos pregados na televisao. Fui-me embora.

Quando fechei a porta, ouvi alguem a tocar piano. "A esta hora?", pensei. O som vinha do salão, e foi para lá que me dirigi. Abri a porta, e estava la o Pedro Damásio, a Bea, a Ana Spencer e claro, mais alguns miudos, todos a discutirem freneticamente as suas músicas de piano. Mal entrei, o Damásio virou-se e disse:

"André, isto nao é zona para ti". , disse com um sorriso de gozo.

"Eu sei, é abaixo da minha qualidade." , respondi com o mesmo sorriso. Era bom estar de volta a casa.

Antes de ir ver como estava a preparação do jantar, subi ao segundo andar. O meu quarto ficava por lá. Como era aluno do 8º grau de instrumento, tinha direito a quarto so para mim. Deitei-me na cama, barriga para cima. Nao havia nada melhor do que chegar aquela casa depois de um dia estafante. Descansei 5 minutos e, upa, está na hora de ir ver como estao as coisas!

Subi ao quarto andar, entrei na cozinha. Hoje estavam encarregues a Laura, a Margarida, a Ana Gomes, a Maria e a Fatinha.

"Ui! Isto hoje vai sair uma delicia", disse-lhes enquanto cumprimentava e sentia o agradavel cheiro do cozinhado.

"Comblé, camandro!", soltou a Ana. Certas expressões nunca tiveram significado próprio, sao apenas usadas porque... sao as nossas expressoes!

"André, temos que avisar o stor Ricardo que este fim-de-semana temos que fazer mais compras, estamos outra vez a ficar sem nada na dispensa.", dizia-me a Laura sem tirar os olhos da comida que confecionava.

"Mais compras? Mas entao alguem anda a devorar a dispensa à noite, ou coisa assim. Ainda na semana passada fizemos compras para... hum... duas semanas...!", respondeu a Fatinha. "Temos que ter mais cuidado com os miudos, tenho o pressentimento que ás vezes nos desleixamos para eles. E como dormimos no 2º piso, eles nao teem dificuldade nenhuma em cá chegar..."

"Entao vamos por o Alberto a dormir em frente à dispensa, assim os putos ja nao tiram nada."
, sugeriu a Ana, na bricandeira.

Rimo-nos todos da situação, imaginando o Alberto, aquela torre, a dormir em frente à dispensa.

"Bom, entao alguem tem que tratar de falar com a direcção mal possa. Amanha saio cedo, tenho estudo no IST por volta das 8. Alguem fica em casa?"
, perguntei.

"Amanha vou ter que ficar a estudar para um exame, portanto acho que posso ficar encarregue disso.", respondeu a Maria.

Sai da cozinha em direcção a um pequeno estúdio que se situava no sotão. La dentro estava o AndreBa, o AndreLo e o Tiago Amaro. De auscultadores nos ouvidos, descansavam e aproveitavam o sol que entrava pela janela.

"Lourenço, nao eras tu hoje encarregue de por a mesa, com mais alguns miudos?", perguntei.

"Oh André, pah... primeiro, nao chames Lourenço... segundo.. trabalhas é demais... tem mesmo que ser? Mandem os putos... ... pronto pronto, daqui a 5 minutos ja vou por", respondeu-me. Ainda agora quando escrevo isto, tenho alguma dificuldade em imaginar o André Lourenço a por uma mesa para mais de 30 pessoas :P

Desci as escadas. Agora era aproveitar até que nos chamassem para jantar. Era sexta-feira, o pessoal ia todo sair, tinha calhado a mim ficar nessa noite a tomar conta da casa. Fui de novo para o quarto descansar.

Habituado a ir para o meu outro quarto, que partilhava com o Tiago Oliveira, entrei de rompante e deparei-me com ele e a Ana Raquel a conversarem.

"Anda bem que te vejo", disse o Tiago, "Queres amanha ir tocar a um casamento a Alverca?"

"Até ia, mas amanha tenho que ir estudar cedo para a faculdade."

"Amanha?! Mas amanha é sabado! Vá, estudas noutro dia", tentava convercer-me a Ana.

Cedi. Sempre gostei imenso de tocar com eles, impossivel de recusar.

Enquanto conversavamos, ouvimos o habitual: "JANTAAAAAAAAAAAAAAAAAAAR!", que se gritava pelos corredores, na hora de ir para a mesa.

Era o reboliço do costume. As portas dos quartos abriam-se, o pessoal subia as escadas e reunia-se no agradavel refeitorio.

"Ora bem.. música para hoje?", perguntou o Joao Pedro.

A parte das habituais sugestoes como "D'ZRT" ou "4Taste", lá se escolheu Tchaikovsky, e o jantar começava. Porem, antes de se atacar o delicioso prato confecionado, era hora de agradecer.

"André, vá, faz lá a tua habitual rúbrica", pediu o Ricardo.

Levantamo-nos. Disse umas quantas palavras sonantes, e prontamente nos sentamos, a fome ja se fazia sentir.

A meio do jantar, houve-se uma voz grossa a pedir ainda no corredor: "AINDA HÁ COMIDA PARA MIM?". Era o Manel, chegava tarde mas a tempo de devorar, ao seu bom estilo, tudo o que havia sobrado e possivelmente ainda ficaria com fome.

Acabado o jantar, outra equipa foi escolhida para lavar a loiça, levantar a mesa, enfim... deixar tudo pronto para o dia seguinte.

Passado algumas horas, metade do IGL ia sair para a noite. Como tinha que registar quem saia, quem ficava, la me fui meter à porta.

Manel, Teresa, Laura, Baleira, Andre Lourenço, Ana. Primeiro grupo saía.

Depois passaram tao agarrados que nem me viram nem disseram aonde iam, o Tiago e a Ana Raquel.

Passado alguns minutos, Maria, Fatinha, Mariana Cardoso, Mariana Martins, Verónica, iam-se juntar ao casal que tinha passado.

Ricardo, Afonsos, Magui, Carolina iam dar um passei ali perto.

Sexta era assim. Uma dor de cabeça para quem ficava a controlar, uma diversão para quem saia.
Fechei a porta. Ouvia-se o silêncio. Sabia bem.

Depois de ter dado ordem aos miudos do básico para ir deitar, ja eram horas, a casa ficou totalmente vazia. Por mim ainda passou a Bayley, e ao nosso bom estilo sugeri-lhe que pussessemos cruelmente os putos a lavarem a casa toda com uma escova de dentes. Rimo-nos maliciosamente e tambem da estupidez da ideia, e ela tambem saiu, esqueci-me de anotar com quem ia ter.

Brutal. Assim se descreve aquela casa. Sentei-me nas escadas que davam ao primeiro andar, zona das salas de aula, e pus-me a pensar naquilo que representava para nós. Costumamos dizer, e é verdade, que ja nem nos vemos sem esta casa. Isso é bom. Mais engraçado é ver todos a abandonarem o que fazem para seguir Música, para nos dedicarmos ao que esta casa se dedicou a fazer-nos.

Enquanto subia e descia a escadas, ia falando ao telefone, bons hábitos que nao se perdem. O Verão está aí à porta, e o mais um bom ano estava a passar.

5 da manha. O ultimo grupo chegava. Era a "Rainha do Mundo", como simpaticamente chamo à Laura, mais a sua "Realeza".

"André, pah.. coiso... cenas. Obrigado! Desculpa termos chegado tanto tarde, mas ... pronto.. cenas.", disse-me.

"Vá, vai la... (bocejo)... deitar-te, eu tou a morrer de sono.". e subi as escadas em direcção ao meu quarto.

Deitei-me, apaguei a luz. Mais um dia. Vai deixar saudades.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Repetições

Ao caminhar, olhei. Sorri. Desviei o olhar. Passado instantes olhei de novo. Havia alterações.

Desviei o caminho. Olhei. Dentro de mim, sorri de novo e senti a chama a inflamar como sempre.

Continuei o caminho. Olhei para trás. O sorriso desvanesceu, a chama queimou mesmo, o olhar ficou incrédulo.

"Estavas à espera do que? Que fosse tudo um mar de rosas?", perguntou-me o Delavid.

sábado, 5 de julho de 2008

Retiro

Em conversa com o meu Grupo de Jovens, que inflizmente continua sem nome, foi-nos "oferecido" uns dias de voluntariado na casa um fizemos o nosso retiro à uns meses atrás, a Casa do Bom Samaritano, em Fátima.

Aceitei logo, mas tambem por outra razao: vou em reflexão. Vou para o Voluntariado, mas sabendo que a Casa é ja "fora" de Fátima, e num local muito sossegado, gostaria de reflectir.

Nao costumo falar muito concretamente acerca do Lado-Oculto com as pessoas (salvo raras e boas expeções). Mas há bocado surgiu-me esta ideia:

Quem quiser pode deixar neste post um comentário com uma passagem da Bíblia que goste, e umas perguntas para se reflectir acerca dela.

Muito muito Obrigado!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

"Abre a mão"

Nao sabia o que fazer. Percebi que Tiveste que interferir.

Senti a Tua mao no meu ombro, e a Tua voz a dizer-me: "Abre a mao."

A mesma que me disse: "Entrega-te", diz-me agora: "Abre a mao."

Deixei libertar.

Olhei para Pedro, limitou-se a curvar a cabeça em sinal de apoio.

Porque? Porque tive de abrir a mao? Porque tive sequer de fecha-la?

Tens algo na Tua manga. Faço disso aventura. Tu sabes que sim.

E sei, tal como Tu sabes perfeitamente, que Estas a esconder algo.

É aqui que a aventura começa de novo!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Guerras


Estamos cansados de lutar. Quando tudo ja parecia certo, outra vez atacam pela calada: um despacho rápido do Ministério visa deixar os alunos mais velhos do I.G.L a estudar na rua....

Nao paramos. Sorrio ao ver-nos unidos, "velhos" e novos, garantidos ou nao, por uma causa.. nobre!

sábado, 28 de junho de 2008

Entre

Voltava do arraial dos escuteiros, ao qual fui dar um passeio, quando resolvi passar por um caminho que ja nao percorria há muito tempo, e pelo qual passei muitas e muitas vezes quando era mais novo.

O cheiro da relva era o mesmo, caracteristico. Os postes de luz tinham ainda as mesmas marcas, e o campo de futebol inventado ainda me aparecia na cabeça.

Aos poucos, começo a ouvir passos de alguem que corria atrás de mim. Volto a cabeça, e vejo um miudito a correr, desenfreadamente. Quando passa à minha frente, tropeça e cai.

Parei. Dei-lhe a mao e disse: "Vamos, campeao, continua!". Ele agarrou a minha mao para se levantar, e olhou-me.

Reconheci o olhar. O sorriso. A franja. Até a mão.

Entretanto Pedro tocou-me no ombro e disse: "Vamos André, ja é tarde."

Percebi entao que estava a estender a mao ao nada.

"Há memórias que nao se apagam...", disse a Pedro.

Ele riu-se e respondeu: "Ainda bem que sabes disso..!"

quinta-feira, 26 de junho de 2008


Devias usar aquela cor :P

terça-feira, 24 de junho de 2008

Luz


A luz apaga-se, fica somente a Luz. Maos cerradas, cabeça curvada, espirito em silêncio.

Peço por Ti.

Peço por eles.
(Tiago e Ana, Marcos e Mandy, Sara e Marco, outros..)
Peço por aqueles por quem ninguem pede.

Peço pela Família.

Peço pelos que sofrem.

Peço por de novo por Ti.

E adormeço, criando um sorriso de quem se alegra por se poder dar aos outros.

Relatos

Subi as escadas de cabeça baixa, o cansaço já era muito. Ao passar pelo quarto de Pedro, a porta estava semi-aberta, e ouvi-o exclamar:

"O André?!", admirava-se ao ouvir a pergunta da Claúdia, que acabara de procurar saber como eu estava. Respondeu:

"Num estado deprimente."

Ao passar de rompante, vi o olhar de preocupada de Cláudia enquanto Pedro a abraçava. Hesitei. Esperei que ele dissesse algo, como "Mas julgo que vai acontecer isto e isto" ou "Ele devia tentar fazer aquilo ou aqueloutro". Nada.

Senti-me tocado. Ter ouvido aquilo nao iria levantar a moral, que so por si já era baixa. Fui-me deitar na certeza que de "amanha é outro dia". Mas todos os dias sao outros. E os outros sao estes.

sábado, 21 de junho de 2008

Cristo

Se mesmo quando sofro, sei que Estás presente e isso me reconforta, entao como exprimir a sensação de ser feliz? É bimbo, mas percebi que isso tem realmente um valor único.

Percebi que amo (1Cor 13, 1-13), das várias interpretações que se podem tirar, tirei aquela que Tu me disseste que necessitava.

Tenho voltado para Ti, a olhos vistos, e isso é bom. Olho para trás, e percebo que devia conciliar as duas coisas, mas isso já nao sou eu que decido, deixo para Ti.

O Lado-Oculto continua a marcar caminho. Este blog é um caminho, diário, registo, enfim... entende-se. Faz hoje um ano. E como disse alguem...

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Opostos

Ouvi o lamentar, o choro, a dor de quem la longe (nao muito longe), chorava a perda de alguem querido. Era funeral.

No mesmo ruido de som, ouvi buzinares frenéticos de quem passava de carro. Acabavam de vir de um casamento.

Há tempo para tudo.

Encontros


Baixa, rosto suave, pele branca. Cabelo tambem branco, a idade nao a esconde, mas ela tambem nao quer esconder a idade. Enérgica e decidida na maneira como se move, sem levantar o queixo ou mostrar-se superior. Ali ela está em casa, e goza cada momento que lá está.

Sempre que vou à missa dos escuteiros, em Carnide, 19 de Sabádo, ela lá está. As vezes usando uma especie de chinelos, reconheço-a sempre e sorrio, sempre que a vejo. Usa cores vivas, bem vivas. Gosto de a ver. Transmite alegria, e acima de tudo, vive esses momentos da missa.. com alegria. É raro ver isso. Pessoas mais velhas por vezes vivem a missa mais como um funeral.

Mal se move, o meu olhar segue-a com curiosidade. Delicia, talvez. No final da acção de graças, percorre toda a igreja e pára ao meu lado, em frente à porta principal. Maos cruzadas, olhar levantado, sorrio meio escondido. Mal o Padre faz a benção, inclina-se para levantar as estacas que prendem a porta, abre-a, e sai disparada como uma seta.

Sempre lhe estranhei esta "saída". Ha uns dias atrás, percebi porque. Passado 2 minutos de a missa ter acabado, vi-a passar num autocarro que dizia "Pontinha". Os horários estavam todos controlados, achei piada.

Admiro-lhe.

Ontem ... Hoje ... Amanha


Ontem, se pudesse, tinha visto o por-do-sol numa falésia. Se pudesse, uma brisa suave passaria por mim, uma fome apertar-me-ia o estomago e iria jantar perto. Ali perto.

Ontem, se pudesse, teria deixado as preocupações falésia abaixo. Rir-me-ia bem alto, e seria de novo livre.

Ontem...

...Hoje...

Hoje, se puder, cantarei rua fora, agarrado a minha interminavel forma de viver. Vivendo Contigo, Comigo, com Aquele que por perto me faz ser quem sou.

Hoje, se puder, vou fechar os olhos e rezar por aquelas pessoas, cuja lista esta feita na minha cabeça. Inevitavel nao sorrir quando olho para elas.

Hoje...

...Amanha...

Amanha, se puder, deixarei frases bimbas. Mas isso implicaria deixar algo de mim.

Amanha, se puder, vou-te ver. Nao o saberás, nem eu. É essa a magia.

domingo, 15 de junho de 2008

Mais um concerto, mais uma sensação de sabor-a-nada. Mais um final sem nenhuma alegria, sem sensação de dever cumprido, nada. Cansa-me. Mais ainda nao saber o que fazer.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Música!







É verdade, a classe de orgão do Instituto Gregoriano de Lisboa estava metida em mais uma audição. Desta vez, na moderna igreja de Linda-a-Velha, dia 18 de Junho, às 16 horas. Conta tambem com a intervenção do Coro Gregoriano do IGL. E iremos efectuar a obra Missa para os Conventos, de François Couperin.



Inicialmente era para ser gravado para a Antena2, mas inflizmente, e devido ao Euro, nao houve pessoal disponivel para tal. Mesmo assim, tivemos a oportunidade de ter uma MasterClass com o Professor Jose Uriol, o qual se revelou bastante simpático, atencioso, e um grande professor.




Esta pequena aventura, que ainda nao terminou, começou ontem à noite. Fomos assistir ao concerto do Professor, (eu, o Ricardo, o Joao e o Daniel), e na vinda a festa foi enorme, muito em parte à boa disposição que havia no grupo. Hoje tinhamos a MasterClass, e foi um dia bem passado.






Apesar das várias opinioes existentes serem todas muito contrárias, creio que é uma igreja espectacular. Por ser diferente, por ser original. A única coisa que me desagrada é um pintura no tecto, em que se vê a mulher a sair (literalmente) das costelas do homem. Enfim..


O órgão é bastante engraçado, visto de fora e para quem o toca, pois o som, alem de sair da frente (como é usual), tambem saí das "costas" do organista.







(Segundo o prof, dois virtuosos do orgao. Segundo nós, dois desleixados do mesmo! - Daniel e eu)


Gostei da partilhas de experiencias. Nos seus 70 anos, o Professor foi espectacular, na maneira como interagiu connosco, na sua peculiar maneira de agir. De certo, se visse aquele senhor na rua antes de ele ter actuado, jamais imaginaria que ele era um dos maiores organistas, reconhecido a nivel mundial pelo seu trabalho de peças ibericas, etc..!


(Daniel, eu, Joao - Final da MasterClass, cabeças cansadas, poses pouco compreensiveis!)

Nao estava com muita vontade de ir, ao inicio, muito em parte devido ao trabalho que tenho tido e terei. Mas no final, soube bem. Fugir à rotina, fazer algo de que gosto muito, e acima disso, estar bem reunido! Valeu a pena :)

P.s.: Para quem sabe: "CERVEZAAAA! AHH! AHH! AHH! AHH!"

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Linhas tortas

Desabafava, ontem, da falta da Sua voz. Hoje ouvi-A, com estes dois ouvidos. Falou comigo. Nao, nao foi de dentro, ouvi mesmo!

Eram 11 da noite quando voltávamos do concerto do Professor Uriol, d'orgao, o qual nos vai orientar a MasterClass de amanha. Há um ano atrás, dava, pela mesma hora, um passeio à noite memoravel, com alguem memoravel. Agora, um por um, o Joao foi nos deixando nas nossas casas. Fiquei para último. Nao sei porque, a conversa entre mim e o Joao foi parar a Ele, às escrituras, Biblia e afins...

Espectacular. Ouvi o que precisava de fazer. Ouvir o que precisava de ouvir seria dizerem-me o que vai acontecer, e isso nao é do meu interesse. Senti o conforto de saber que aquelas palavras me guiavam, que no fundo era Ele a falar comigo. Disse ao Joao, a meio da conversa: "Vou sair daqui mais reconfortado." E sai. Era como se tivessem agarrado na minha cabeça e tivessem apontado o caminho.

Agora sei o que fazer. Claramente. Agora sei que Deus escreve mesmo direito por linhas tortas.
Obrigado, Joao. Pela tua calma, pela serenidade e experiencia que revelas, mesmo sendo tao "novo". Caramba..!

quarta-feira, 11 de junho de 2008


Queria Ter-te aqui. Poder falar. So isso. Poder ouvir a Tua voz.
"If you love me..."
Fazes falta.
"won't you let me know?"

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Obrigado


Ao casal Oliveira.
Aos comblés que foram gritados.
Ao moche feito na sacristia.
Aos sorrisos de boa sorte.
Á expectativa.
Á fé.
Ao programa da Tyra (sic mulher. Era a unica coisa que deu na televisao enquanto almoçava em frente ao IGL).
Á eterna Presidente.
Aos trocadores de registos.
Aos matemáticos que foram!
Á curiosidade de saber o que é que eu fazia no #Gregoriano, há 4 anos atrás.
Ao IGL.

No fundo, tudo alimentou e apagou aqueles pedaços de nervosismo que ainda persistiam. De certa maneira senti-me um pouco Mercury, um bocado de Bublé, talvez uma certa descontração de Chris Martin. Tocar ali, convosco ao "lado", é outra coisa. É mesmo outra coisa!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Pedaços de "Eu"

Percebi que este blog tem tido uma importancia fulcral para mim: é quase um registo de todo o que senti ao longo do ano, e isso ajuda-me a reflectir e a perceber como estou. E claro, estou muito melhor. Sem me dar conta, inumeras situações recompuseram-se, e aos poucos, vou voltando ao que me habituei ser. E isso é bom.

No outro dia, fui ver o filme:



Ahhh.. Nada sabe melhor que ver um filme com o qual me identifico, por alguma razao. E este foi um deles. Basicamente, Ben Campbell (estudante do MIT), conseguiu entrar para medicina, em Harvard. Contudo, a "estadia" é muito cara, e a única solução será a bolsa. Para conseguir essa bolsa, durante a entrevista ele tem que mostrar porque merece a bolsa. E entao ele conta a sua história:

Da primeira vez que foi à entrevista, nada tinha para dizer. Desanimado, e a precisar de dinheiro para pagar Harvard, Ben é convidado a entrar numa equipa secreta do MIT, liderada por o seu professor de Equações nao Lineares, onde participam 4 alunos, um dos quais é uma famosa rapariga, linda e maravilhosa, a mais bonita de toda a faculdade (tinha que ser.. ao bom estilo de filme americano :P). A equipa desenvolveu um metodo ja existente para ganhar no Blackjack. Ben recusa, mas passado algum tempo, acaba por aceitar.

Entao, todos os fins-de-semana, a equipa vai para Las Vegas, muda a sua identidade e preparam-se sempre para ganharem rios de dinheiro. Bom, o resto da história deixo para voces saberem, eu gostei imenso do filme e aconselho.

Identifiquei-me. Com a nerdice. Com a maneira como usa a matemática. Com a curiosidade.
Mas o que mais me surpreendeu foi o uso da Matemática. Nao o seu uso prático, mas a maneira de como ele a encarava. Para ele, era apenas mais um metodo, sem duvida O metodo. Era ajuda, e no entanto, essencial. No seu caso, no Blackjack, para mim, na música. Para ele, nao se podia enganar nas simples contas que fazia durante o jogo, para mim.. nao posso estar a tocar sem sentir que encaixa, que é proporcional a algo, que ... soa a numeros a somarem-se.

Quando começo a tocar, se as notas nao se encaixarem como um simples conta de 3+4=7, nao é musica. Algo está errado. Assim como se eu estiver a resolver um exercicio Lógico, se nao houver musica e harmonia no meio das contas, algo está de errado tambem. Nao sei explicar, e no entanto, ja é tao comum.

Aos fins-de-semana, Ben passava de um simples estudante de MIT, para um grande jogador de Blackjack, dos casinos de Las Vegas, local onde tinha adquirido grande reputação e estatuto. Nao posso mentir: tambem por vezes me sinto assim. E amanha vai ser outro dia assim: quando me sentar para tocar a minha peça, adquiro uma importancia especial. Cada gesto é vigiado, murmurado, cada pose é analisada. O meu nome vai estar escrito no progama: "André Ferreira - Concert Piece", e as pessoas vao ter uma leve curiosidade em saber: "Quem?". Cada nota é interpretada, e toda a sua sequencia é criada na expectativa de algo.. poderoso. Deixo de ser eu, para ser Eu. Nao porque o queira, nem que o seja quando estou fora de concertos, mas isso é algo que me trasncende. E sabe bem. As notas, ao soarem, apagam a minha idade. O meu olhar deixa passa a ser mais semicerrado, a pose mais curva. A peça acabará. E quando sair, volto ao normal. Mas sabe bem esses instantes.

Alguns pedaços meus sao dificeis de conhecer. Sao precisos momentos próprios, talvez nao forçados, e eles la estarão, a mostrar-me ainda mais fundo do que ao que sou.

E sei como quero usar isto tudo: como instrumento Teu. Ja viste o desfecho :) ?

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Certezas

Dentro de 5 dias e mais umas horas, estarei sentado no banco do orgao da Sé, onde vou participar em mais Concerto Final do IGL.

5 dias, e até esse momento ainda vou ter que passar por 2 testes, um exame de código, e claro.. muito estudo.

Pergunto-me se sou capaz. Se sou capaz de naquele momento, apos 5 dias, sentar-me, e conseguir tocar a peça de Certa maneira.

Tenho medo. Tenho medo de, na ânsia de tudo fazer, acabar por nao fazer nada. Mas sei que, apesar de tudo, vou dar o meu melhor. Isso, sempre :)

domingo, 1 de junho de 2008

La Vie

Tu me manques pas. Oui, c'est vraix, et je sais aussi que avec toi, c'est la meme chose. "Alors", tu peux demander (je sais que tu vais pas lire... mais..), "porquoi ecris tu ça?". Sais pas. Primiere, je dois dire (et tu as deja vu) que mon francais... bon, j'ai oblié tout le francais. La dernier fois que j'ai parlé avec Coralie, hum.. vas faire demain, je pense, 9 mois.


Aujord'hui je pensais sur la Voyage. Porquoi?.. sais pas. J'ai besoin, maintenant, de penser en moi dans cette anné. Et je te dis autrefois.. c'est pas pour toi que j'ai pensé sur ça. Et je sais aussi que tu vas faire la meme question. Et je te peux dire: parce que j'ai appris beaucoup avec toi. Comment? Ahaha, tu sais, je suis en peux fou. Je apprends beaucoup avec tout le monde. Mais avec toi... bon, avec toi a ete outre "dimension".


Je recorde la phrase que j'ai dit pour Bernardo, Migas, les outres: "Duas semanas.. duas semanas." Tu etais pas un jeu, bien sur. Aventure, c'est mieux. Et tu as pensé la meme chose. Et apres, tout les portugais ont dit: "André, vá.. Impossivel." Et dans le dernier jour...


Bon, mais c'est pas pour retorner à cette jour que j'ecris. C'est por tout que j'ai appris aprés..


6 mois ensuite, je recevais ton e-mail. Pas le dernier, c'est vraix, mais le plus important. Le e-mail que me a fait penser sur la Voyage. Tu as dit quelque chose comme ça: "André, fais pas de betises. Je suis ici, en Francais, j'aime quelque autre, tu ne peux pas penser sur moi. La personne que tu cherche habite la, en Portugal, pas ici."


J'ai etais pas fáché. "Tu as tout le raison", j'ai pensé. Maintenant, avec un sourire, je te peux dire: Tu as tout le raison. J'ai trouvé.


Mais j'aime penser sur la voyage.



Ahahahaha, oui, c'est Migas, le primiere garçon. Apres c'est moi. Avec l'orgue, le meme que je encore jeu dans la eglise!



Bowling. Le dernier jour que vous ont été au Portugal. J'ai faite une mémorable lancement: la boule a glissé (cof cof cof) pour la voie du côté :P



Maintenant tu peux comprend porquoi j'ai ete connu dans ma ecole comme le "Harry Potter". Oui, j'ai pas cette lunettes maintenant.





14 ans. Je suis maintenant tout que j'ai rêvé dans cette anné. Tres bonne, oui, je sais. Mais j'ai besoin, encore, de me recorder avec cette anné. Je apprends avec moi aussi :P



Maintenant je sais et je vois: je suis heureux. Je dois voir le bonne choses dans ma vie, comme nous ont faite dans notre Voyage. Je reve, encore. J'ai tout pour savoir ça. Merci.