sábado, 27 de março de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
Talento para Amar
E foi no Varatojo que continuei a escrever dos capitulos mais interessantes da minha história. Esse capitulo, anónimo, foi preenchido por um retiro do meu Grupo de Jovens de Carnide.
Nao é preciso muito. É so preciso saber fazer, entregar, e olhar.
O tempo passa, ou nao tivesse sido mais este fim-de-semana um simples sequela duma inesquecivel história.
domingo, 14 de março de 2010
Filmes de vidas
"Pursuit of Happyness" foge da banalidade onde, inspirado numa história real, o desenvolvimento nao é de fácil previsão.
Lembro-me de Chris Gardner (Will Smith) ter dito durante o filme: "Tenho que fazer em 2 horas aquilo que os outros podem fazer em 6." De certa maneira identifiquei-me. Não que seja um grande problema: Chris só dispunha de duas horas porque depois tinha que ir a correr, com o filho, tenta arranjar cama numa especie de "lar" para os sem-abrigo. Eu tenho que correr, porque enquanto estou envolto em equaçoes, teoremas e preposiçoes, a seguir tenho tons salmódicos, peças e tudo o mais para cantar, tocar.
Vejo isto quase como uma benção. Dizia a minha madrinha da faculdade que "Gosto imenso de aprender, estudar." Compreendo-lhe o contexto. E tambem me identifiquei. Há quem ache que isto nao é nada de especial. Concordo! Não há nada de especial em estudar Matemática, em estudar Música. Mas a verdadeira essência é poder estudar as duas coisas.
Relembro a determinação de Chris, e gostava de por vezes dispor de alguma. Nao falta motivaçao nem energia, mas talvez mais certeza no resultado final. E sei que nao sou o único nestas aventuras, nestas correrias. E isso, claro, tambem reconforta. Se agarrar oportunidades parecia uma frase muito usada, neste filme passou a fazer outra vez sentido. E isso fez-me pensar.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Rotinas
Voltam os ensaios de órgão seguidos de estudo de Matemática, voltam os projectos que afinal ainda sao para fazer.
Voltam as correrias loucas, o desespero de as fazer, o descanso e sabor de as ter feito. Volta imenso coisa.
A rotina do voltar.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Fé em ti

Espero que esteja tudo bem contigo. Nessa pequena grande aventura em que embarcaste, mando esperança e algum conforto, espero.
Porque sei que se há perto de um ano e meio atras algumas coisas eram projectos, agora começam a ser realidade. E sei que tu vais conseguir!
Oculta nao pode ficar, claro, a fé que tenho em ti, nesta caminhada que lentamente nos começa a mandar para lugares opostos.
Talvez um dia mais tarde, quando pagarmos a conta ao Ricardo, e dissermos: "Agora tenho que ir para o Gregoriano", que nao seja para ter aula, mas para a dar!
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Música (ou simplicidade)
Quando cheguei, reconheci o local pelas poucas vezes que lá estive. Entrei. Uma senhora, baixa, atarracada, mas com um caminhar ironicamente rápido, cumprimentou-me.
"Boa tarde, sou o André Ferreira, o organista que vem tocar a missa das 7", disse-lhe, anunciado-me.
Com um sorriso de alegria, talvez pela minha juventude, a senhora respondeu:
"Ah, sim sim, o Sr Padre disse-me que viria!", e vendo que nao tinha a chave do orgao, apressou-se a ir buscar a um armário, empoleirando-se numa cadeira, dentro da salinha que estava logo à entrada da pequena igreja.
"Sabe onde é?", perguntou, ao entregar a chave.
"Sim, ja ca estive algumas vezes", respondi, com um sorriso. Apontou-me o caminho.
Subi as escadas de madeira, meio tortas. Era estreito. De lado, a parede ja meio cinzenta, do outro, um amontoado de recordaçoes, adereços natalicios, um infindavel numero de coisas que conferiam uma especia de arrecadaçao aquele espaço.
Subi. Depois de descobrir como se ligava o orgao, fiquei completamente atonito pela leveza do som que saia. Nao é descritivel. Mas é audivel.
Sentei-me, entao, sossegando da azafama do dia, e olhei em frente. Toda a fachada envolvente ao sacrário era em talha dourada, que mesmo no escuro da tarde, parecia ter um brilho especial. A igreja, pequena, sem acustica, seca, parecia igreja de aldeia.
As pessoas iam chegando, mas poucas. Ao inicio contavam-se pelos dedos das maos. Falavam, nao muito baixinho. Entretanto o Sr Padre chegara.
Apressei-me a descer as escadas e ir ao seu encontro. Um sorriso profundo esperava-me, assim como as peças que iria tocar. Conhecia tudo, e fiquei satisfeito por assim ser, dá outra tranquilidade.
O Sr Padre iria cantar a solo, e disse-me: "Irei ensaiar com a assembleia daqui a pouco." Achei curioso. A assembleia nao passava de 3 dezenas de pessoas. Eu contei.
Na verdade, mais uma vez ficaria surprendido. Nao só se revelou um excelente solista, com o Sr Padre conseguiu por a assembleia a cantar a plenos pulmoes.
É isto que me toca. A simplicidade das coisas, e o sabor que a música leve. Senti-me profundamente feliz, e se isso é explicavel, nao o sei fazer. Senti-me bem. E sei que se a missa durasse 2, 3 horas, estaria com o mesmo sorriso.
O sol ja se tinha apagado, mas naquele dia de chuva, era questionavel se alguma vez ele teria acendido.
A vida tem mais sabor assim, nas coisas simples. Ha quem se maravilhe com coisas imponentes. Eu tambem. Mas acabam por ser as mais simples que me dao um gozo enorme.
E o som do orgao, embora nao fizesse eco, preenchia e perdurava. Porque um som daqueles nao se esquece.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
"Faz-te ao largo!"
Ontem marcou o inicio do Ano Mundial contra a Pobreza e Exclusão Social.
A passagem do Evangelho desta semana encaixa na perfeiçao. A mensagem é de aposta. De arriscar. De mudar.
Esta passagem tambem me marca especialmente porque foi o tema do meu primeiro retiro, na Praia das Maçãs.
E se tantas vezes nao tivessemos fé? E se tantas vezes nao quisessemos dar o passo em frente? E se tantas vezes nao tivessemos coragem para lançar a rede como Pedro fez?
É certo: nao sorririamos tantas vezes!
Mas é preciso ainda mais. Descobri que 18% da população portuguesa é pobre. Ou seja, que aproximadamente 1 em cada 5 pessoas é pobre.
São numeros assustadores. Nao esqueço um dia em que saí da Sé, chuvia imenso (mais um frio insuportavel). E á porta, 3 sem abrigo dormiam (ou tentavam) debaixo de caixotes. Assim. Mais nada.
É preciso mudar. E mais que querer mudar, fazer mudar. Para este Ano, façamo-nos entao a este largo!
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Descanso
Gosto de uma noite passada a navegar na internet. Talvez por vezes um bocado futil, de certo, mas depois de um dia agitado, sabe bem.
Entre aprender alemao, preparar "Holanda '10" e estudo de orgao, a sensaçao de descanso é enorme. O semestre está a acabar. O IST tambem.
Porque quase num abrir e fechar de olhos, estou no 3º ano do curso, prestes a acabar. E ainda parecia que foi ontem que estava a ir inscrever-me. Costumam-me perguntar se vou continuar com Matemática. Nao, por agora. Nao vou deixar de lado, e sei que é por isso que estou a acabar o curso. Foi sempre algo que quis.
Entretanto, definem-se rumos. Procuram-se metas cada vez mais longe. Porque tenho a certeza de que sonhar alto compensa.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Partida
E enquanto fechava a porta de casa, ouvi Pedro a descer as escadas, desenfreado, suportando a enorme mochila que trazia às costas.
Pondo-as no chão e largando um sopro de cansaço, explicou:
"Vou para o Haiti."
Ele nao esperava nenhuma reacçao minha, percebi. Perguntei por Cláudia, ele disse que iria ficar cá. Ao menos teria quem me fizesse o jantar, pensei.
Sei que preciso de explicar: Pedro é voluntário na AMI. Recrutado nas catástrofes naturais de grande escala, nunca disse Nao a um pedido de ajuda.
Eu fico, mas com pena de tambem nao puder ajudar. Podemos estar a viver numa sociedade com crise de valores, mas é bom sinal ver a pronta ajuda prestada pelos vários paises, organizaçoes, entidades, pessoas.
Valerá sempre a pena.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Re-descoberta
Aceita o universo
Como to deram os deuses.
Se os deuses te quisessem dar outro
Ter-to-iam dado.
Se há outras matérias e outros mundos -
Haja.
Alberto Caeiro
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Descanso
(Royal Yacht - Edimburgo, Escócia)
Mesmo na afazama dos exames, a calma tem sido imenso, e o lema tao arduamente ensinado durante 9 anos, "Sem stress", começa a dar os seus frutos.
Fica a partilha.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
2010
2010 começa no silêncio do meio do campo, preparando mais um ano fantastico.
Mais 365 dias!
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
sábado, 26 de dezembro de 2009
Natal
Bom, ja sei como costuma ser o Natal. Este ano tem uma particularidade: nao há Faro. Ate mudaria quase tudo, nao tivessemos feito uma troca: a familia algarvia veio entao passar cá o Natal.
E assim se constroi tradições. Simples. No meio da aflição de ter que preparar a epoca de exames do IST, aindo reservo dois dias para nada fazer. Os carols soam por toda a casa, e as velas desenham um percurso desde o topo até ao presépio. Veem-se filmagens de outros anos, e acima de tudo, continua uma história de partilhas.
Este foi mais um Natal. Todos eles teem alguma coisa em particular, em especial, que os diferencia.
Este ano foi mais O Natal. Sem duvida, das melhores alturas do ano.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
domingo, 13 de dezembro de 2009
Ílhavo
Este sabado rumei a Aveiro, mais propriamente a Ílhavo, para tocar o meu primeiro recital fora de portas Lisboetas e Gregorianas.
Acompanhado pelo meu colega Daniel, esta pequena aventura acabou por revelar que nem sempre onde se espera está o que se procura.
Na verdade, os dois orgaos que hoje toquei (um alemao e um holandes, modernos) foram uma agradavel surpresa. A simplicidade das Igrejas onde se encontravam, e mesmo a sua estrutura, transformaram as peças numa interessante descoberta de sons. Nao era mais do mesmo. Era diferente.
Para recordação, e na esperança de um dia lá voltar para poder fazer um Concerto, fica a Igreja da Costa Nova, rodeada de dunas. Ao sairmos do carro, e sem ver omar, pudemos logo sentir o espectaculo que era.É um novo Natal.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Escadas
Loulé, 3 da manha.
Silêncio mentiroso, nas escadas que subo. Olho pela janela. Mais que noite cerrada, nao é a noite Lisboeta, que luzes tanto iluminam. É mais simples.
Decoro estas palavras que agora escrevo, numa especie de viagem ao futuro. De hoje, entre IST, ensaios na Juvenil, viagens e dormidas, fica a frase:
"O ouvinte ouve o presente à luz do passado. O executante planeia o futuro à luz do presente", maestro Christopher Bochmann.
Olho para trás. As imensas histórias vividas. Todas elas quase sempre tem os mesmos "actores". Nós. E agradeço, porque é assim que a Matemática tem dado resultado, e a Música tem soado melhor.
E agora, vai um poker?
domingo, 29 de novembro de 2009
Recital
A minha redescoberta do Natal foi feita atravês de dois dos mais famosos compositores para Órgão. Terei todo o prazer em partilhar convosco.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
domingo, 8 de novembro de 2009
Fim de dia
Fica apenas a 40 minutos. Nao muito.
E ontem, de noite, la fui. Esse poder que tenho, basta fechar os olhos, parar e ir.
A casa é da familia. Quero dizer, ja faz historia.
Abro a porta, devagar. Quem a conhece, sabe o quao dificil é poder abrir sem barulho. Pensei entrar pelo quintal do Tio Filipe, mas parece-me demasiado arriscado. Mesmo apos estes anos, nunca ganhei coragem para passar aquele simples caminho sozinho.
Entro, sigo para a sala. Fria, sem ninguem. Ja estao deitados.
Afinal, o que é um refúgio?
Lugar onde paramos, inclusive no tempo. Aí, podemos avançar para a frente ou para trás. Podemos re-viver as historias. O meu estilo desajeitado de futebol foi treinado ali, no palheiro. Ou podemos imaginar futuras historias.
O silêncio. Alguns carros passam, é raro.
Subo as escadas ao topo da casa.
Deito-me, adormeço. As noites sao iguais às passadas. O sorriso de fim de dia é o mesmo.
E naquele sorriso esconde-se a companhia de quem lá está.













