"Nada se pode comparar a um amigo fiel, e nada se iguala ao seu valor. (...) O que teme o Senhor terá tambem boas amizades, porque o seu amigo será semelhante a ele". (Ben Sira 6, 15-17)
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Imagens
"Nada se pode comparar a um amigo fiel, e nada se iguala ao seu valor. (...) O que teme o Senhor terá tambem boas amizades, porque o seu amigo será semelhante a ele". (Ben Sira 6, 15-17)
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Faial
É de manha. La fora está um nevoeiro que nada nos permite ver. Tempo de alterar planos, embora nao se perca a magia de cá estar: nos Açores. No Faial. Esta ilha, descobri, afinal tem quase tudo o que eu jamais pensara que nunca poderia encontrar.
Ontem à noite o Tiago disse-me o lema: "What happens in Faial, stays in Faial!". Rimo-nos da frase, das situações às quais ela se aplica, a podermos partilhar momentos únicos.
Ainda falta tanto para acabar, e isso sabe bem. Por mais que agradeça ao Bruno (aka Frei Bruno) nunca chega.
Sao tempos inesqueciveis.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Entre poeira, terra, montanhas, luzes..
Sera uma semana perdida se nao tivesse decidido que isso so dependia de mim. Nao iria ter lá alguem (amigos) pois o grupo que lá se reune desencontrou-se. Apenas eu, com as minhas tias. Agora (enquanto escrevo) reparo que foi isso que fez a diferença: decidir que podia fazer daquela semana, uma semana diferente.
Quando, no sabádo, olhei para o despertador e este apontava 5:40 da manha, nao resmungei: ia fazer algo diferente. Apanhar batatas. Digno de qualquer expressao que nao tenha a haver com o seu real significado, foi isto mesmo que fiz numa manha de sabado, para a qual tive que acordar muito mais cedo que alguma vez fiz. Mas lá está: era algo diferente. Poder conduzir um tractor, sozinho, enquanto via o nascer do sol e saltava constamente, pois o caminho era muito mau, é algo diferente. Nao pude deixar de sorrir. A certa altura, uma das senhoras que estava connosco perguntou: "Entao André, quando trazes amigos para virem fazer o mesmo?". Lembrei-me logo do Migas. Imagina-lo a acordar cedissimo, a resmungar, mas ao mesmo tempo a rirmo-nos que nem uns perdidos enquanto o tractor saltava e saltava. Migas, se vires isto, fica descansado. Nao faço intençoes de te pressionar a ires apanhar batatas.
Relembro agora o último domingo que lá passei. No dia a seguir iria de autocarro de volta para Lisboa, e como a viagem é muito cansativa, costumo deitar-me muito tarde, para depois ir a dormir a viagem toda. E resulta.
Peguei entao numa cadeira de encosto, regulei aquilo para ficar estilo cadeira de praia, peguei num cobertor, e sentei-me na varanda. Á minha frente tinha uma paisagem única: Espanha enrugava-se em montanhas. Embora nao conseguisse ver, o Rio Douro separava-nos, lá no fundo. Era de noite, e ao longe viam-se as aldeias espanholas iluminadas, pequenos algomerados de casas que se destribuiam ao longo da paisagem. De vez em quando, via-se algumas luzes brilharem no meio da escuridao: eram carros que faziam viagens, de aldeias para outras aldeias.
Lá no alto, o céu estendia-se ao comprido, preenchido por pequenas estrelas. Tentei decifrar algumas constelações, mas depois reparei que chamava "Ursa Maior" a tudo o que visse e que me lembrasse que era constelação.
Liguei o mp3 e pus-me a ouvir as músicas que Alguem me tinha cedido. Ficaria ali a noite toda. Reparei entao na estrela que mais brilhava no ceu. Nem tinha que mexer a cabeça para a ver, estava quase à minha frente. "E se fosses Tu?", pensei, "Porque nao?". E comecei ali uma conversa em que ninguem se calava. Ora eu, ora Ele. "Chamar-me iam maluco, se me vissem.", pensei. E nesse momento alguem falou ao meu ouvido:
"Sabes que não..!", respondeu Pedro. Estava envolto num robe. Sentou-se ao meu lado, no chao, e contemplou a mesma estrela.
"Onde será que ela está agora? Será que está acordada? A sorrir? A fazer loucuras? Será que já dorme?...", perguntei em voz alta.
"Hey hey hey hey hey, amigo!... ... Ela?... Ela quem?", perguntou-me com um ar muito surpreendido.
"Nao sei... Ela! Quem quer que ela seja.." , respondi. Percebi a estupidez da minha resposta, mas o meu lado-oculto nao me popou um (merecido) sermão.
"Estás a pensar nisso outra vez? Mas és ... maluco, ou que?", disse-me num tom de voz mais bravo. Levantou-se, debruçou-se na varanda, olhou para a estrela e depois olhou para mim. "André.. nao é preciso preocupares-te com isso. Nao precisas de estar sempre a entregar-te a alguem. Ja pensaste porque é que nao te entregas a Ele?", e apontou para a estrela.
"Talvez porque isso seria radical de mais. Nao sei.. quer dizer... tu percebes... isso sao coisas que nao se decidem hoje e agora."
"Apenas queria que tomasses isso como outro caminho." , disse Pedro, enquanto saia.
Voltei a ligar o Mp3. Pus-me a pensar (outra vez), e é verdade. Certas alturas na nossa vida estamos preocupados, numa bifurcação, sem saber para onde ir, porque temos medo das duas opções. E depois há outras alturas na vida, em que afinal estamos numa bilifurcação (uma furcação com muitos caminhos de escolha), e as opções sao todas excelentes e positivas. Percebi que estou +/- por aí. Nao cheguei ainda lá, mas ao longe consigo-a ver.
A estrela nao parava de brilhar. E a musica, numa voz feminina, sussurrava-me:
"Haja o que houver, eu estou aqui. Volta no tempo, meu amor. Volta no vento, por favor."
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Onde encontrar o Senhor?
Apercebi-me de uma coisa fantastica: nao temos horas de conversa, e no entanto ja te conheço há tanto.. tanto tempo. Provavelmente ainda andava de mao dada à minha mae, e ja sabia quem tu eras. Enfim.. crescer-se na mesma paróquia dá nisto!
Outra coisa fantastica foi o facto de querer escrever o post, nao porque estavas a dormir, mas talvez porque.. porque sempre achei que a nossa maneira de reagir nos grupos em que cada um está inserido é muito identica. Paro e tento perceber o que quero dizer, mas nao consigo. A energia inesgotavel... hum.. nao, é algo mais. Identifico-me. Assim está melhor.
Ao remexer no caderno, caiu-me um papel que recebi no dia da caminhada do meu grupo de jovens, um dia antes da festa do Tó. A primeira frase dizia logo: "Onde encontrar o Senhor?". Se eu responder que tambem o posso fazer ao conversar contigo, seria estranho? Creio que nao. Tu percebes.
No fundo, ambos temos o poder de, em dias nublados, afastar nuvens. Devem ser dos nossos oculos :)
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Pedro
Percebo que as frases que o Pedro diz sao as mesmas que, passado algum tempo, eu próprio tambem diria a esse André.
Hoje, ao ler os posts que escrevi há um ano atrás, percebo que estava noutra... dimensão. Sorrio a pensar em tudo o que vivi. Perguntam-me se chegou ao fim. Sorrio outra vez. A minha história nao tem fim, nao há capitulos, e é tudo escrito na mesma página. Nao há paragrafos, e as frases aglomeram-se. Ha, somente, imagens.
A ti, Pedro..

terça-feira, 22 de julho de 2008
Apontamentos... ocultos
Nas alturas em que estava tao fraco que nem percebia o que devia fazer, falaste como se d'Ele se tratasse. E terá sido, sem dúvida.
Aprendiz de um "olhar" de amizade e de força. Aprendiz, nao de uma forma de vida, mas de uma maneira de abraçar a vida mais.. forte! Hoje so posso dizer... Obrigado!
Porque ambos temos Lado-Ocultos. Porque ambos escrevemos Apontamentos de histórias limpas.
Porque ambos saltamos de formas estrambólicas para a piscina...!
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Ser feliz
Aceitei. Quando a Ana Rita me perguntou se queria ir fazer voluntariado à Casa do Bom Samaritano, nao hesitei e respondi que sim, sem olhar a datas nem obrigações.
Partiria segunda de manha, e ficaria lá até quarta à tarde. Três dias que se revelaram três meses.
No domingo que antecida essa Segunda feira, à noite fiquei aprensivo. Comecei a pensar para onde ia, e comecei a ficar com o pé atrás. A tarefa nao ia ser fácil. Estaria a pedir muito de mim? Estaria preparado para dispor algo que nao sabia se tinha? "Veremos", conclui. Adormeci na certeza de que ia. E isso era, naquela altura, o mais importante.
Acordei na segunda disposto a ir ao encontro do que a Divina Providência me tinha para propor. Esqueci-me, claro, que no que toca à Divina Providência, tudo aquilo que nao faz sentido, de repente parece a coisa mais lógica à face da terra.
Encontrei-me cedo com a Ana e fomos apanhar a camioneta a Sete Rios. Depois de algumas peripécias e um "Voces pensam que os motoristas sao uns grandes palhaços...!" vindo do prórpio motorista para toda a camioneta, antes do inicio da viagem, la arrancamos, em direcção a Fátima. Virei-me para a Ana, no inicio da viagem e perguntei:
"Achas que estamos preparados?"
Ela sorriu, e respondeu que sim. No fundo ela tinha mais fé que eu de que tudo iria correr bem. Liguei o MP3, encostei a cabeça, e deixei-me dormir.
Quando chegámos, ficámos à espera da irmã Ana. Figura especial, esta irma. O seu nome é Irma Ana da Paz, e realmente é verdade: transborda paz da cabeça aos pés. Ainda é nova, e a sua companhia foi sempre um factor motivante para o nosso trabalho.
Chegados à casa, onde ja tinhamos estado a uns meses atrás, ficamos à espera da Luisa e da Mafalda, duas amigas da Irmã Ana. Fomos depositar as malas aos respectivos quartos, e
Da esquerda para a direita: Irma Ana, Luisa, Mafalda
A ideia era as respostas se fossem encontrando ao longo do dia, com a ajuda das meninas. E assim foi.
Quando a Luisa e a Mafalda chegaram, vindas de Coimbra, fomos reconhecer os cantos à casa. A memória ainda estava fresca, havia sitios que ainda perduravam na minha cabeça. Terminada a visita, fomos entao ter o contacto com as meninas. Ao principio cai-se sempre no erro de ficar de pé atrás, mas nao vale a pena. Incrivel. Sendo nós os supostos "Saudaveis" e essas tretas todas, no momento da verdade somos nós que vacilamos perante alguem que estupidamente rotulamos de "inferior".
Foi diferente. Estavamos ali por causa delas, desse por onde desse tinhamos que superar esse... medo (?). E so ganhámos com isso! A partir daí os dias foram passados numa total festa.
A primeira actividade em que iamos ajudar era o almoço. Confesso que nao estav
Descobri as suas estações do ano preferidas, enquanto pensava na qual era a minha. Descobri que havia uma menina que fazia anos no mesmo dia que eu, e descobri ainda muitas tem tarefas distribuidas ao longo da casa. Uma sintonia a rondar o perfeito. Porque a simplicidade era a chave.
A tarde de segunda foi dedicada ao ar livre, e fomos para uma pequena mata que ficava ainda dentro das "propriedades" da Casa do Bom Samaritano. Falámos, rimos, cantámos e até fizemos teatros com fantoches. Tudo numa boa disposição. Sem qualquer preocupação a pairar na mente. Apenas o que era essencial estava ali.
Outra coisa que reparava ao longo dessa actividade era o bem estar das funcionárias, a dedicação e alegria que emitiam. Era de louvar. Todos os dias ajudavam, e percebi que tambem aquelas meninas passavem a ser parte da sua familia.
A certa altura dei conta de um rapazito que nos andava a seguir pela casa toda. Vim a saber que era o Tiago, 8 anos, filho de uma funcionária. E enquanto estavamos lá fora, nao pude deixar de reparar na maneira como ele falava com as meninas: uma simplicidade e desembaraço sem iguais. Pareciam suas irmas, na maneira como falavam, embora tivessem idade para serem suas avos. "Vê e aprende", disse-me o meu lado-oculto. Sem duvida.
Era tambem à tarde que eu começava a desenvolver uma relação muito especial com uma das utentes! Rosa Helena de seu nome, o seu sorriso, embora ja carregado de idade, e os seus constantes abraços punham-nos sempre de riso e sorriso. A minha tarefa ao longo destes 3 dias era clara: faze-la conseguir decorar o meu nome! E nao foi tarefa facil. Aliás, creio que ficou por cumprir. Para ela, eu era o Miguel, e ponto final. Nao havia volta a dar. De tal modo que quando eu ia nos corredores e ela, numa das salas, me via, depressa se levantava e dizia: "Miguel, Miguel!". Mais um nome para eu acrescentar à lista!
Chegou o jantar, e com ele maiores doses de boa disposição. Cada vez estavámos mais á vontade, aquela casa estava a ser a Nossa Casa.
As perguntas que me tinham sido lançadas para reflexão faziam o seu efeito. Descobrir as respostas era factor de alegria. Na partilha que o nosso grupo fez ("Sister Anne", Luisa, Mafalda, eu e Ana Rita) fiz questao de o mencionar. Habituado às partilhas do meu grupo, foi-me muito interessante ouvir o que a Luisa e a Mafalda tinham para dizer.
Depois do nosso jantar, onde passei a descobrir um maravilhoso sumo de laranja chamado "Ika", o qual aconselho vivamente, fomos descansar para a entrada da casa. As meninas ja estavam na cama, e estavamos á espera da Irma Ana para irmos ao Santuário.
Depois de alguns acontecimentos tais como levarmos com um balde d'agua fria em cima vindo do primeiro andar, lá nos pusemos a caminho do Santuário de Fátima. A certa altura a Margarida liga-nos (membro do GJ), dizendo que podia ir ter connosco no dia seguinte. Era outra excelente noticia, quantos mais, melhor!
Ao nosso lado, o caminho para se fazer de joelhos era percorrido por alguns peregrinos, cujo esforço era evidente nas suas caras. Passado algum tempo, olhei de novo para o lado, e vi algo que nos tocou a todos do grupo: um casal jovem, possivelmente da nossa idade, fazia de joelhos o tal percurso. Ele estava de capecete no braço esquerdo, e encorajava a namorada, embora tambem lhe custasse, a seguirem caminho. Ficámos um bocado enbasbacados. Disse em voz alta: "Se eles voltassem e passassem por aqui a pé, até ia falar com eles..!". Nao sei porque, confesso. Apenas senti-me tocado pela uniao que eles representavam ali, naquele momento. A Mafalda riu-se, mas depressa admitiu que "eu nao estaria ali de certeza com o meu namorado!".
E assim foi. Passado alguns minutos, vimo-los subir. A Irma Ana vira-se e diz-me: "Olha, ali vao eles! Va, vai lá dizer-lhes qualquer coisa.". Respondi que nao, e ela insistiu dizendo: "Há oportunidades na vida que so vem uma vez...!". Dita daquela maneira, poder-se-ia fazer uma verdade palestra. Parei um milésimo de segundo a pensar nela, levantei-me num àpice, e fui ter com eles.
Ao chegar junto deles, disse-lhes sem hesitar que admirava a devoção que tinham e que saltava à vista, numa idade que sabiamos que nao era comum. Trocámos algumas palavras, mas acima de tudo, trocámos olhares. Olhares de quem percebia que nao nos conheciamos de lado algum, mas havia algo que nos ligava: Ele.
Ao sairmos, desabafei o quao marcado me tinha a imagem deles os dois, de maos dadas, a descerem de joelhos. Foi entao que a Ana Rita me disse das daquelas frases que me deixou...
Os outros dias foram mais do mesmo: Ajudar! Foram autenticas descobertas das pegadas de S.Francisco, culminando com o filme "Irmao Sol e Irma Lua" (noite de terça) (filme o qual é espectacular, muito graças à incomparavel beleza da actriz que fazia de Clara :P). A Mafalda e a Margarida dormiam na sala, mas o filme prendeu-me e nao deixou dormir-me. Fiquei surpreendido pela vida de Francisco. Gostei.
Era altura de fazer o balanço. No autocarro apercebi-me de que, enquanto for capaz de ajudar...
... serei, de certeza, feliz!
domingo, 13 de julho de 2008
Amanha parto, de mochila às costas, para ajudar. Sei que nao vai ser nada facil, talvez ainda nao tenha bem a proporção das coisas, mas uma coisa é certa: Quero ajudar.
Amanha parto, de mochila às costas, para reflectir. Teem sido semanas de aprendizagem intensa, quero restruturar tudo aquilo que tenho aprendido e definir novos rumos. Vai dar trabalho, mas como diz a Irma Ana, "ninguem vem a esta casa e sai igual."
Pedro ri-se ao ler esta linhas. Foi ele me que sugeriu aceitar a proposta da Casa do Bom Samaritano.
Cláudia estava nos seus braços, deitados sobre a cama, a sentirem o por-do-sol. Ela sorria tambem. No entanto, quando olhou para mim mudou as feições. Fazia-o para nao ter que dizer directamente o que queria saber.
"E agora?", perguntou-me. Entendi-lhe as palavras. Percebi a curiosidade e a leve preocupação.
Pedro, ainda antes que eu pudesse responder, disse-lhe, como se eu nao estivesse ali:
"O André será sempre o André. E isso significa tudo. Se hoje a terra é boa para semear, porque nao o será amanha? Se hoje a semente que deitas germina e dá bom fruto, porque nao o dará amanha?..."
Claúdia bebia-lhe as palavras, e eu pasmado fiquei. Pedro nada disse, apenas sorriu. Acho que ele sempre teve, e sempre terá, mais fé que eu. Mas para isso é que há... o lado-oculto.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Instituto Gregoriano de Lisboa
20h. Cheguei a Entrecampos. Saio do Metro lentamente, completamente estafado do dia. A casa, essa ainda nao se via, mas estava lá perto. Virei a esquina, e la ao fundo começava a deslumbrar-se. Fica no final da Avenida 5 de Outubro, e está no melhor sitio que podia estar.
Abro a porta. Os professores ja nao estao, as aulas ja acabaram. Hoje nao é o meu turno de estar a na cozinha a preparar o jantar, felizmente. Sim, o nosso internato é diferente: os alunos mais velhos ficam encarregues de tudo, inclusivé cuidar dos mais novos. Limpo os pés, e suspiro: "Lar doce lar.".
Os quartos, para quem conhece a casa, ficam no segundo e terceiro piso, cozinha e refeitório ficam no quarto. Ainda no rés-do-chão, fui ter à sala de Alunos. Entrei. Estava lá o Luis, o Jorge, a Magui, o Grilo e algus miudos do básico. Grunhiram um "boa noite", e continuaram de olhos pregados na televisao. Fui-me embora.
Quando fechei a porta, ouvi alguem a tocar piano. "A esta hora?", pensei. O som vinha do salão, e foi para lá que me dirigi. Abri a porta, e estava la o Pedro Damásio, a Bea, a Ana Spencer e claro, mais alguns miudos, todos a discutirem freneticamente as suas músicas de piano. Mal entrei, o Damásio virou-se e disse:
"André, isto nao é zona para ti". , disse com um sorriso de gozo.
"Eu sei, é abaixo da minha qualidade." , respondi com o mesmo sorriso. Era bom estar de volta a casa.
Antes de ir ver como estava a preparação do jantar, subi ao segundo andar. O meu quarto ficava por lá. Como era aluno do 8º grau de instrumento, tinha direito a quarto so para mim. Deitei-me na cama, barriga para cima. Nao havia nada melhor do que chegar aquela casa depois de um dia estafante. Descansei 5 minutos e, upa, está na hora de ir ver como estao as coisas!
Subi ao quarto andar, entrei na cozinha. Hoje estavam encarregues a Laura, a Margarida, a Ana Gomes, a Maria e a Fatinha.
"Ui! Isto hoje vai sair uma delicia", disse-lhes enquanto cumprimentava e sentia o agradavel cheiro do cozinhado.
"Comblé, camandro!", soltou a Ana. Certas expressões nunca tiveram significado próprio, sao apenas usadas porque... sao as nossas expressoes!
"André, temos que avisar o stor Ricardo que este fim-de-semana temos que fazer mais compras, estamos outra vez a ficar sem nada na dispensa.", dizia-me a Laura sem tirar os olhos da comida que confecionava.
"Mais compras? Mas entao alguem anda a devorar a dispensa à noite, ou coisa assim. Ainda na semana passada fizemos compras para... hum... duas semanas...!", respondeu a Fatinha. "Temos que ter mais cuidado com os miudos, tenho o pressentimento que ás vezes nos desleixamos para eles. E como dormimos no 2º piso, eles nao teem dificuldade nenhuma em cá chegar..."
"Entao vamos por o Alberto a dormir em frente à dispensa, assim os putos ja nao tiram nada.", sugeriu a Ana, na bricandeira.
Rimo-nos todos da situação, imaginando o Alberto, aquela torre, a dormir em frente à dispensa.
"Bom, entao alguem tem que tratar de falar com a direcção mal possa. Amanha saio cedo, tenho estudo no IST por volta das 8. Alguem fica em casa?", perguntei.
"Amanha vou ter que ficar a estudar para um exame, portanto acho que posso ficar encarregue disso.", respondeu a Maria.
Sai da cozinha em direcção a um pequeno estúdio que se situava no sotão. La dentro estava o AndreBa, o AndreLo e o Tiago Amaro. De auscultadores nos ouvidos, descansavam e aproveitavam o sol que entrava pela janela.
"Lourenço, nao eras tu hoje encarregue de por a mesa, com mais alguns miudos?", perguntei.
"Oh André, pah... primeiro, nao chames Lourenço... segundo.. trabalhas é demais... tem mesmo que ser? Mandem os putos... ... pronto pronto, daqui a 5 minutos ja vou por", respondeu-me. Ainda agora quando escrevo isto, tenho alguma dificuldade em imaginar o André Lourenço a por uma mesa para mais de 30 pessoas :P
Desci as escadas. Agora era aproveitar até que nos chamassem para jantar. Era sexta-feira, o pessoal ia todo sair, tinha calhado a mim ficar nessa noite a tomar conta da casa. Fui de novo para o quarto descansar.
Habituado a ir para o meu outro quarto, que partilhava com o Tiago Oliveira, entrei de rompante e deparei-me com ele e a Ana Raquel a conversarem.
"Anda bem que te vejo", disse o Tiago, "Queres amanha ir tocar a um casamento a Alverca?"
"Até ia, mas amanha tenho que ir estudar cedo para a faculdade."
"Amanha?! Mas amanha é sabado! Vá, estudas noutro dia", tentava convercer-me a Ana.
Cedi. Sempre gostei imenso de tocar com eles, impossivel de recusar.
Enquanto conversavamos, ouvimos o habitual: "JANTAAAAAAAAAAAAAAAAAAAR!", que se gritava pelos corredores, na hora de ir para a mesa.
Era o reboliço do costume. As portas dos quartos abriam-se, o pessoal subia as escadas e reunia-se no agradavel refeitorio.
"Ora bem.. música para hoje?", perguntou o Joao Pedro.
A parte das habituais sugestoes como "D'ZRT" ou "4Taste", lá se escolheu Tchaikovsky, e o jantar começava. Porem, antes de se atacar o delicioso prato confecionado, era hora de agradecer.
"André, vá, faz lá a tua habitual rúbrica", pediu o Ricardo.
Levantamo-nos. Disse umas quantas palavras sonantes, e prontamente nos sentamos, a fome ja se fazia sentir.
A meio do jantar, houve-se uma voz grossa a pedir ainda no corredor: "AINDA HÁ COMIDA PARA MIM?". Era o Manel, chegava tarde mas a tempo de devorar, ao seu bom estilo, tudo o que havia sobrado e possivelmente ainda ficaria com fome.
Acabado o jantar, outra equipa foi escolhida para lavar a loiça, levantar a mesa, enfim... deixar tudo pronto para o dia seguinte.
Passado algumas horas, metade do IGL ia sair para a noite. Como tinha que registar quem saia, quem ficava, la me fui meter à porta.
Manel, Teresa, Laura, Baleira, Andre Lourenço, Ana. Primeiro grupo saía.
Depois passaram tao agarrados que nem me viram nem disseram aonde iam, o Tiago e a Ana Raquel.
Passado alguns minutos, Maria, Fatinha, Mariana Cardoso, Mariana Martins, Verónica, iam-se juntar ao casal que tinha passado.
Ricardo, Afonsos, Magui, Carolina iam dar um passei ali perto.
Sexta era assim. Uma dor de cabeça para quem ficava a controlar, uma diversão para quem saia.
Fechei a porta. Ouvia-se o silêncio. Sabia bem.
Depois de ter dado ordem aos miudos do básico para ir deitar, ja eram horas, a casa ficou totalmente vazia. Por mim ainda passou a Bayley, e ao nosso bom estilo sugeri-lhe que pussessemos cruelmente os putos a lavarem a casa toda com uma escova de dentes. Rimo-nos maliciosamente e tambem da estupidez da ideia, e ela tambem saiu, esqueci-me de anotar com quem ia ter.
Brutal. Assim se descreve aquela casa. Sentei-me nas escadas que davam ao primeiro andar, zona das salas de aula, e pus-me a pensar naquilo que representava para nós. Costumamos dizer, e é verdade, que ja nem nos vemos sem esta casa. Isso é bom. Mais engraçado é ver todos a abandonarem o que fazem para seguir Música, para nos dedicarmos ao que esta casa se dedicou a fazer-nos.
Enquanto subia e descia a escadas, ia falando ao telefone, bons hábitos que nao se perdem. O Verão está aí à porta, e o mais um bom ano estava a passar.
5 da manha. O ultimo grupo chegava. Era a "Rainha do Mundo", como simpaticamente chamo à Laura, mais a sua "Realeza".
"André, pah.. coiso... cenas. Obrigado! Desculpa termos chegado tanto tarde, mas ... pronto.. cenas.", disse-me.
"Vá, vai la... (bocejo)... deitar-te, eu tou a morrer de sono.". e subi as escadas em direcção ao meu quarto.
Deitei-me, apaguei a luz. Mais um dia. Vai deixar saudades.
terça-feira, 8 de julho de 2008
Repetições
Desviei o caminho. Olhei. Dentro de mim, sorri de novo e senti a chama a inflamar como sempre.
Continuei o caminho. Olhei para trás. O sorriso desvanesceu, a chama queimou mesmo, o olhar ficou incrédulo.
"Estavas à espera do que? Que fosse tudo um mar de rosas?", perguntou-me o Delavid.
sábado, 5 de julho de 2008
Retiro
Aceitei logo, mas tambem por outra razao: vou em reflexão. Vou para o Voluntariado, mas sabendo que a Casa é ja "fora" de Fátima, e num local muito sossegado, gostaria de reflectir.
Nao costumo falar muito concretamente acerca do Lado-Oculto com as pessoas (salvo raras e boas expeções). Mas há bocado surgiu-me esta ideia:
Quem quiser pode deixar neste post um comentário com uma passagem da Bíblia que goste, e umas perguntas para se reflectir acerca dela.
Muito muito Obrigado!
sexta-feira, 4 de julho de 2008
"Abre a mão"
Senti a Tua mao no meu ombro, e a Tua voz a dizer-me: "Abre a mao."
A mesma que me disse: "Entrega-te", diz-me agora: "Abre a mao."
Deixei libertar.
Olhei para Pedro, limitou-se a curvar a cabeça em sinal de apoio.
Porque? Porque tive de abrir a mao? Porque tive sequer de fecha-la?
Tens algo na Tua manga. Faço disso aventura. Tu sabes que sim.
E sei, tal como Tu sabes perfeitamente, que Estas a esconder algo.
É aqui que a aventura começa de novo!
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Guerras
Nao paramos. Sorrio ao ver-nos unidos, "velhos" e novos, garantidos ou nao, por uma causa.. nobre!
sábado, 28 de junho de 2008
Entre
O cheiro da relva era o mesmo, caracteristico. Os postes de luz tinham ainda as mesmas marcas, e o campo de futebol inventado ainda me aparecia na cabeça.
Aos poucos, começo a ouvir passos de alguem que corria atrás de mim. Volto a cabeça, e vejo um miudito a correr, desenfreadamente. Quando passa à minha frente, tropeça e cai.
Parei. Dei-lhe a mao e disse: "Vamos, campeao, continua!". Ele agarrou a minha mao para se levantar, e olhou-me.
Reconheci o olhar. O sorriso. A franja. Até a mão.
Entretanto Pedro tocou-me no ombro e disse: "Vamos André, ja é tarde."
Percebi entao que estava a estender a mao ao nada.
"Há memórias que nao se apagam...", disse a Pedro.
Ele riu-se e respondeu: "Ainda bem que sabes disso..!"
quinta-feira, 26 de junho de 2008
terça-feira, 24 de junho de 2008
Luz
Peço por Ti.
Peço por eles.
Peço por aqueles por quem ninguem pede.
Peço pela Família.
Peço pelos que sofrem.
Peço por de novo por Ti.
E adormeço, criando um sorriso de quem se alegra por se poder dar aos outros.
Relatos
"O André?!", admirava-se ao ouvir a pergunta da Claúdia, que acabara de procurar saber como eu estava. Respondeu:
"Num estado deprimente."
Ao passar de rompante, vi o olhar de preocupada de Cláudia enquanto Pedro a abraçava. Hesitei. Esperei que ele dissesse algo, como "Mas julgo que vai acontecer isto e isto" ou "Ele devia tentar fazer aquilo ou aqueloutro". Nada.
Senti-me tocado. Ter ouvido aquilo nao iria levantar a moral, que so por si já era baixa. Fui-me deitar na certeza que de "amanha é outro dia". Mas todos os dias sao outros. E os outros sao estes.
sábado, 21 de junho de 2008
Cristo
Percebi que amo (1Cor 13, 1-13), das várias interpretações que se podem tirar, tirei aquela que Tu me disseste que necessitava.
Tenho voltado para Ti, a olhos vistos, e isso é bom. Olho para trás, e percebo que devia conciliar as duas coisas, mas isso já nao sou eu que decido, deixo para Ti.
O Lado-Oculto continua a marcar caminho. Este blog é um caminho, diário, registo, enfim... entende-se. Faz hoje um ano. E como disse alguem...
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Opostos
No mesmo ruido de som, ouvi buzinares frenéticos de quem passava de carro. Acabavam de vir de um casamento.
Há tempo para tudo.
Encontros
Sempre que vou à missa dos escuteiros, em Carnide, 19 de Sabádo, ela lá está. As vezes usando uma especie de chinelos, reconheço-a sempre e sorrio, sempre que a vejo. Usa cores vivas, bem vivas. Gosto de a ver. Transmite alegria, e acima de tudo, vive esses momentos da missa.. com alegria. É raro ver isso. Pessoas mais velhas por vezes vivem a missa mais como um funeral.
Mal se move, o meu olhar segue-a com curiosidade. Delicia, talvez. No final da acção de graças, percorre toda a igreja e pára ao meu lado, em frente à porta principal. Maos cruzadas, olhar levantado, sorrio meio escondido. Mal o Padre faz a benção, inclina-se para levantar as estacas que prendem a porta, abre-a, e sai disparada como uma seta.
Sempre lhe estranhei esta "saída". Ha uns dias atrás, percebi porque. Passado 2 minutos de a missa ter acabado, vi-a passar num autocarro que dizia "Pontinha". Os horários estavam todos controlados, achei piada.
Admiro-lhe.
Ontem ... Hoje ... Amanha
Ontem, se pudesse, tinha visto o por-do-sol numa falésia. Se pudesse, uma brisa suave passaria por mim, uma fome apertar-me-ia o estomago e iria jantar perto. Ali perto.
Ontem, se pudesse, teria deixado as preocupações falésia abaixo. Rir-me-ia bem alto, e seria de novo livre.
Ontem...
...Hoje...
Hoje, se puder, cantarei rua fora, agarrado a minha interminavel forma de viver. Vivendo Contigo, Comigo, com Aquele que por perto me faz ser quem sou.
Hoje, se puder, vou fechar os olhos e rezar por aquelas pessoas, cuja lista esta feita na minha cabeça. Inevitavel nao sorrir quando olho para elas.
Hoje...
...Amanha...
Amanha, se puder, deixarei frases bimbas. Mas isso implicaria deixar algo de mim.
Amanha, se puder, vou-te ver. Nao o saberás, nem eu. É essa a magia.
domingo, 15 de junho de 2008
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Música!

O órgão é bastante engraçado, visto de fora e para quem o toca, pois o som, alem de sair da frente (como é usual), tambem saí das "costas" do organista.
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(Segundo o prof, dois virtuosos do orgao. Segundo nós, dois desleixados do mesmo! - Daniel e eu)
Gostei da partilhas de experiencias. Nos seus 70 anos, o Professor foi espectacular, na maneira como interagiu connosco, na sua peculiar maneira de agir. De certo, se visse aquele senhor na rua antes de ele ter actuado, jamais imaginaria que ele era um dos maiores organistas, reconhecido a nivel mundial pelo seu trabalho de peças ibericas, etc..!
(Daniel, eu, Joao - Final da MasterClass, cabeças cansadas, poses pouco compreensiveis!)
Nao estava com muita vontade de ir, ao inicio, muito em parte devido ao trabalho que tenho tido e terei. Mas no final, soube bem. Fugir à rotina, fazer algo de que gosto muito, e acima disso, estar bem reunido! Valeu a pena :)
P.s.: Para quem sabe: "CERVEZAAAA! AHH! AHH! AHH! AHH!"
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Linhas tortas
Eram 11 da noite quando voltávamos do concerto do Professor Uriol, d'orgao, o qual nos vai orientar a MasterClass de amanha. Há um ano atrás, dava, pela mesma hora, um passeio à noite memoravel, com alguem memoravel. Agora, um por um, o Joao foi nos deixando nas nossas casas. Fiquei para último. Nao sei porque, a conversa entre mim e o Joao foi parar a Ele, às escrituras, Biblia e afins...
Espectacular. Ouvi o que precisava de fazer. Ouvir o que precisava de ouvir seria dizerem-me o que vai acontecer, e isso nao é do meu interesse. Senti o conforto de saber que aquelas palavras me guiavam, que no fundo era Ele a falar comigo. Disse ao Joao, a meio da conversa: "Vou sair daqui mais reconfortado." E sai. Era como se tivessem agarrado na minha cabeça e tivessem apontado o caminho.
Agora sei o que fazer. Claramente. Agora sei que Deus escreve mesmo direito por linhas tortas.
Obrigado, Joao. Pela tua calma, pela serenidade e experiencia que revelas, mesmo sendo tao "novo". Caramba..!
quarta-feira, 11 de junho de 2008
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Obrigado

Ao casal Oliveira.
Aos comblés que foram gritados.
Ao moche feito na sacristia.
Aos sorrisos de boa sorte.
Á expectativa.
Á fé.
Ao programa da Tyra (sic mulher. Era a unica coisa que deu na televisao enquanto almoçava em frente ao IGL).
Á eterna Presidente.
Aos trocadores de registos.
Aos matemáticos que foram!
Á curiosidade de saber o que é que eu fazia no #Gregoriano, há 4 anos atrás.
Ao IGL.
No fundo, tudo alimentou e apagou aqueles pedaços de nervosismo que ainda persistiam. De certa maneira senti-me um pouco Mercury, um bocado de Bublé, talvez uma certa descontração de Chris Martin. Tocar ali, convosco ao "lado", é outra coisa. É mesmo outra coisa!
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Pedaços de "Eu"
Ahhh.. Nada sabe melhor que ver um filme com o qual me identifico, por alguma razao. E este foi um deles. Basicamente, Ben Campbell (estudante do MIT), conseguiu entrar para medicina, em Harvard. Contudo, a "estadia" é muito cara, e a única solução será a bolsa. Para conseguir essa bolsa, durante a entrevista ele tem que mostrar porque merece a bolsa. E entao ele conta a sua história:
Da primeira vez que foi à entrevista, nada tinha para dizer. Desanimado, e a precisar de dinheiro para pagar Harvard, Ben é convidado a entrar numa equipa secreta do MIT, liderada por o seu professor de Equações nao Lineares, onde participam 4 alunos, um dos quais é uma famosa rapariga, linda e maravilhosa, a mais bonita de toda a faculdade (tinha que ser.. ao bom estilo de filme americano :P). A equipa desenvolveu um metodo ja existente para ganhar no Blackjack. Ben recusa, mas passado algum tempo, acaba por aceitar.
Entao, todos os fins-de-semana, a equipa vai para Las Vegas, muda a sua identidade e preparam-se sempre para ganharem rios de dinheiro. Bom, o resto da história deixo para voces saberem, eu gostei imenso do filme e aconselho.
Identifiquei-me. Com a nerdice. Com a maneira como usa a matemática. Com a curiosidade.
Mas o que mais me surpreendeu foi o uso da Matemática. Nao o seu uso prático, mas a maneira de como ele a encarava. Para ele, era apenas mais um metodo, sem duvida O metodo. Era ajuda, e no entanto, essencial. No seu caso, no Blackjack, para mim, na música. Para ele, nao se podia enganar nas simples contas que fazia durante o jogo, para mim.. nao posso estar a tocar sem sentir que encaixa, que é proporcional a algo, que ... soa a numeros a somarem-se.
Quando começo a tocar, se as notas nao se encaixarem como um simples conta de 3+4=7, nao é musica. Algo está errado. Assim como se eu estiver a resolver um exercicio Lógico, se nao houver musica e harmonia no meio das contas, algo está de errado tambem. Nao sei explicar, e no entanto, ja é tao comum.
Aos fins-de-semana, Ben passava de um simples estudante de MIT, para um grande jogador de Blackjack, dos casinos de Las Vegas, local onde tinha adquirido grande reputação e estatuto. Nao posso mentir: tambem por vezes me sinto assim. E amanha vai ser outro dia assim: quando me sentar para tocar a minha peça, adquiro uma importancia especial. Cada gesto é vigiado, murmurado, cada pose é analisada. O meu nome vai estar escrito no progama: "André Ferreira - Concert Piece", e as pessoas vao ter uma leve curiosidade em saber: "Quem?". Cada nota é interpretada, e toda a sua sequencia é criada na expectativa de algo.. poderoso. Deixo de ser eu, para ser Eu. Nao porque o queira, nem que o seja quando estou fora de concertos, mas isso é algo que me trasncende. E sabe bem. As notas, ao soarem, apagam a minha idade. O meu olhar deixa passa a ser mais semicerrado, a pose mais curva. A peça acabará. E quando sair, volto ao normal. Mas sabe bem esses instantes.
Alguns pedaços meus sao dificeis de conhecer. Sao precisos momentos próprios, talvez nao forçados, e eles la estarão, a mostrar-me ainda mais fundo do que ao que sou.
E sei como quero usar isto tudo: como instrumento Teu. Ja viste o desfecho :) ?
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Certezas
5 dias, e até esse momento ainda vou ter que passar por 2 testes, um exame de código, e claro.. muito estudo.
Pergunto-me se sou capaz. Se sou capaz de naquele momento, apos 5 dias, sentar-me, e conseguir tocar a peça de Certa maneira.
Tenho medo. Tenho medo de, na ânsia de tudo fazer, acabar por nao fazer nada. Mas sei que, apesar de tudo, vou dar o meu melhor. Isso, sempre :)
domingo, 1 de junho de 2008
La Vie


Bowling. Le dernier jour que vous ont été au Portugal. J'ai faite une mémorable lancement: la boule a glissé (cof cof cof) pour la voie du côté :P

Maintenant tu peux comprend porquoi j'ai ete connu dans ma ecole comme le "Harry Potter". Oui, j'ai pas cette lunettes maintenant.

14 ans. Je suis maintenant tout que j'ai rêvé dans cette anné. Tres bonne, oui, je sais. Mais j'ai besoin, encore, de me recorder avec cette anné. Je apprends avec moi aussi :P

Maintenant je sais et je vois: je suis heureux. Je dois voir le bonne choses dans ma vie, comme nous ont faite dans notre Voyage. Je reve, encore. J'ai tout pour savoir ça. Merci.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Los Duros

(Los Duros - Hora de aparas d'óstias)sábado, 24 de maio de 2008
Tudo
Fui nada. Ja nao tinha aquela Chama. Tocar sem Ter. Para que? É tocar sem alma. É tocar para os aplausos. É tirar à palavra música toda a música que ela contem.
Fui contradição. E sabe-lo é triste.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Desabafo
O elástico? Esse nao sai. Bolas, assim é mais dificil perceber. Ou nao? Nao sei. Sei sim que o elástico estará no braço esquerdo.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Instrumento Teu
"Nao stresses.." e levantou-se. Continuou, dizendo: "Anda, vamos ao Colombo."
Sem proferir uma palavra, segui-o. No elevador, ele lembrou-me disto. Nao pude deixar de sorrir. Ja com um sorriso na minha cara, relembrou-me outras tantas histórias, ditas loucas, em tao pouco espaço de tempo.
"A energia ainda cá está, Pedro. Sem dúvida."
"Mais pareces um Indiana Jones..." murmurou, à saída do predio.
Enquanto andavámos, Pedro nada dizia. Nao precisava. Eu sabia o que ele pensava. No entanto, disse-me:
"Hoje deparei-me com uma carta para ti, de uma amiga tua...." e antes que eu pudesse transformar o meu olhar de raiva em palavras, disse: "que em poucas frases, descreveu tal e qual a tua pessoa."
Calei-me. Deixei-o prosseguir. Gosto de me ver "por fora".
" "Ser André é viver cada dia, aproveitando cada momento e saboreando-o ao máximo, fazendo com que cada momento seja marcante." " . Relembrei-me entao da carta. Sim, era verdade. Eram frases que me descreviam melhor do que eu o poderia alguma vez ter feito.
Pedro nunca temeu o futuro. É impressionante. Na sua forma simples de ser, a fé sustenta tudo. Tento seguir-lhe o exemplo. Ha poucos dias, outra amiga achava chocante, mas pelo positivo, a minha fé. Disse-lhe que achava que era tudo o que eu nao tinha, fé. Ela achou piada, e disse-me que nao. Que eu estava errado.
Pedro nunca temerá o futuro. Tem-no programado, de maneira desalinhada, como quem se deixa levar pelo vento, mas quem sabe para aonde o vento o leva. Estranho. O aprendiz pode ultrapassar o mestre, mas quando?
Vivo cada dia na Tua certeza, de que quero ser Instrumento teu. E sei que por muito que custe, é isso que vale a pena. Sei que já o sou, mas por vezes afasto-me do caminho com a facilidade de quem desiste.
" Desistir... é taoo facil. Ja reparaste? O que custa, subir ou descer a montanha? Será a sensação da chegada ao cume, depois de tanto esforço, equiparavel à descida? Nunca. É um absurdo." disse Pedro. Eu sei. Creio que o encontro com a Izzie lhe terá feito bem.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Relances [O C U L T O]
"ja estava previsto! Ele anda a remexer-te nas ideias!"
E se antes tinha medo que Ele o fizesse, talvez agora ja nao o tenho. Talvez agarrada a essa tua frase veio algo mais Oculto. Nao sei.
domingo, 11 de maio de 2008
11 de Maio
E há um ano atrás, era-me diagnosticado Glaucoma. É interessante olhar para o escrevia na altura. Mal eu podia adivinhar que o diagnóstico estava errado!
Obras de Deus
Ontem fui convidado a ir tocar a um casamento na Ericeira, mais Ele e Ela, que iriam cantar, ambos do Instituto Gregoriano. Entao, por volta da duas da tarde, la fui no carro vermelho, um Mini moderno, que bem aguentou a pedalada que Ela lhe imprima. Fui no banco de trás, a viagem prometia ser divertida, e foi. Ao ponto de nos enganarmos nas tabuletas, e chegarmos a Óbidos (ainda vimos ao longe o castelo de Óbidos), porque nao tinhamos visto o sinal a dizer: "Mafra Malveira". Enfim...
O casamento correu bem, é sempre interessante ver o nervosismo do noivo, e o momento da chegada da noiva. E ontem foi especial, porque segundo o padre, a noiva sempre teve o sonho, desde pequenina, de entrar no seu casamento ao som da Ave Maria de Schubert. E eu, ao tocar, senti-me ajudante dessa concretização.
Na viagem para cá vinhamos mais cansados. Ja nao havia musicas para aprender, ja nao nos apetecia cantar, entao viemos a conversar.
Por meio de conversas mais sérias, Ela olhou-me pelo retrovisor, e disse: "Algo que eu acho fenomenal é a maneira como voces" (eu e Ele) "se entregam às pessoas e às coisas que se envolvem.".. "é lindo!". Ele suspirou, eu tambem. E Ela continou, como se Ele nao tivesse ali: "O problema d'Ele é que, sendo tao humilde, caiu nas maos da pessoa errada.", e dito isto, logo lhe agarrou a mao. Suspirei outra vez. Disso eu estava certo que nao me tinha acontecido. Caido nas maos da pessoa errada? Bem pelo contrário. Por momentos senti mais que eu é que era a pessoa errada no meio da confusão.
A viagem continuou. Nalguns momentos de silêncio, olhei para eles os dois, para a sua simplicidade. Ele passara o ano todo em baixo. O verão passado foi vivido em sofrimento, o qual testemunhei com a dor de um amigo. Mas como agora lhe digo, ha males que veem por bem. E a alegria que Ele agora tem, faz-nos (a nós, familia Gregoriano) crer que está entregue a que sempre lhe foi destinado. Porque? Nao sei. Há aquelas coisas que nos nao sabemos explicar porque, mas sabemos que assim são. E tambem porque gostamos sempre de ter casais que sejam "lá da casa"!
Já em Carnide, pedi-lhe para me deixar na Quinta da Luz. Ao passar em frente ao Teatro, o sinal ficou vermelho. Parou ao lado da Igreja. A conversa ja tinha acabado. E de repente, Ela olhou-o nos olhos, e disse A frase. Fiquei estupefacto, mais parecia estar sentado a ver um filme.. mas a sério. E sentado no banco de trás, continuava embasbacado a olhar para aquilo. Soltei um "Ai mae..". Estupefacto e embasbacado porque ha frase foi dita de Tal maneira, com Tal olhar e com Tal sorriso, que era certo: são Obras de Deus. Talvez se tivessem feito daquele momento um filme, com uma musica romantica e suave, milhares de pessoas estariam a chorar. E eu assisti aquilo, sozinho, no banco de trás. E outro suspiro lancei. O terceiro desse dia. Perante tal espanto, Ela olhou para trás, e disse-me: "Vá, eu nao digo muitas destas, mas quando digo, gosto de dize-las!". E enquanto escrevo isto, ainda paro, a pensar nesse momento.
Depois de tal espanto, olhei para a Igreja. Sempre tive o sonho de tocar a Marcha Nupcial e mal a noiva estivesse perto do altar, eu fazia slide de onde está o orgao (em cima da entrada), e descer ate ao altar. Chamar-me-iam de louco. Eu apenas acho que é a minha maneira de ser. (Embora ninguem aprove a ideia..!)
Quando me deixaram na Quinta da Luz, nao pude deixar de lhes dizer obrigado. E quando me dirigi para frente daquela Janela, senti que era altura de trasnformar outra coisa em Obra de Deus. Peguei no telemovel. Nao desisto. Sei que Ele nao quer isso.
Obrigado Ana, Obrigado Tiago!
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Ainda
Cada vez que me chamam Ferreira, um dispositivo em mim relembra-te. E gosto disso. Gosto de pensar que continuo algo que tu começaste, e te esforçaste, por construir.
Tenho pensado em ti, e na falta que fazes. Mas a tua memória continua, e continuará, a aquecer-me o coração.
André
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Hoje
Hoje o ar que paira na rua é o mesmo que há um ano atrás. Mas falta-lhe algo. O cheiro é caracteristico, deixa saudade. Falta-lhe algo. Entrentanto fecho os olhos. Recordações! Impossiveis de apagar.
domingo, 4 de maio de 2008
?!
Apetece dormir a tarde inteira, esquecer tudo, mas nao dá. Em vez disso, tenho que estudar afincadamente, como se nao houvesse amanha, pois assim tem que ser.
Mas estou magoado. Ofereci a minha ajuda, e recusaram-na, quase bruscamente. Pensei que talvez ela nao fosse precisa, mas depois vim a perceber que era. Bolas...!
Ao menos o dia condiz comigo. Ao menos isso, e algo mais.
(P.s.: Parabens, Cacau!)
sexta-feira, 25 de abril de 2008
The Bucket List
Bimbo e foleiro seria dizer que por vezes vejo a minha vida como uma... bucket list. Mas tem que ser. A minha vida é mesmo uma bucket list. Percebi isso, quando ao ve-los a riscarem as acções que tinham marcadas na sua lista, dei por mim a ver-me a riscar tantas e tantas coisas que sempre desejei fazer, e fi-las. Nao com o objectivo de faze-las "antes de bater a bota". Faze-las somente porque assim saberia que estava a "dar alegria à vida".
Outra vertente espectacular do filme é a Fé. Quase que passa despercebida, mas no fundo é o que leva ao seu final simples mas emocionante.
Acho que nao me cansaria de ver este filme. O filme.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Concerto de Páscoa

Tenho que agradecer ao meu amigo Tiago Oliveira. Por meio de ensaios, viagens de comboio para Alverca, constipações e coisas do genero, tem sabido bem ensaiar estas peças e tocar com a malta. E o concerto promete!
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Paradeiros Cruzados
Enquanto esperava lentamente que me levassem de boleia para a minha escola de Música, o sol começava a aparecer, mas ninguem ainda tinha a coragem de passear nas ruas. Ao som de uma música qualquer, e enquanto fixava os olhos no chão, e a minha cabeça continuava desligada pelo sono, alguem se chegou perto de mim.
Uma idosa, pobre, estendia-me a mao com um envelope lá dentro.
"É para si", disse ela
Estupefacto, fiquei meio segundo a olhar a cena. "Desculpe, mas é engano, deve-me ter confundido com alguem." , e recuei, preparado ja para abandonar o local.
"Engano? Nao, nao. Eu reconheço sempre a cara de alguem que me indicam. Veja, é mesmo para si." , disse enquanto mostrava-me o envelope.
Vinha endereçado: "André Ferreira"
Agarrei a carta, e de repente ouvi uma voz dentro de mim a dizer: "CUIDADO, PODE TER ANTRAX!". Estupidez. Abri, e uma carta escrita em letra trémula (ou talvez apressada) preenchia toda a uma folha ja por si amarrotada. Quando me preparava para ler a carta, reparei que a senhora se tinha ido embora. Olhei em volta, e nao estava mesmo la. Confuso com aquela actuação toda, achei por bem ler a carta.
"André, André, André...
... Mesmo aqui em cima, obrigas-me sempre a ter que arranjar maneira de poder falar comigo. Ah, Vá lá, Ele ficou condecesdente. Riu-se e permitiu-me que passasse a arranjar maneira de continuar a falar contigo. Impossivel, mas é verdade. Agora ja deu para perceber que estás a descarrilar outra vez.."
Parei de ler. Achei que era alguma piada de mau gosto, mas depressa percebi, ao reler outra vez, que nao era. Tinha metido o código, o nosso "código indecifravel". Pedro estava de volta. Grunhi um "Nem mesmo depois de morto me vejo livre de ti", como quem ja sabia que ele estava ao meu lado. "Porquê?", perguntei em voz alta, "porque é que insistes em mexer-me na vida, em controlar-me, em falar comigo? Isto é completamente de loucos". E continuei a ler
"... E la tenho eu que vir falar contigo. Deixa-te de merdas, levanta a cabeça, és o André, nao és um ninguem. Chega, pára de te lamentares, a tua atitude desde a minha morte tem sido vergonhosa. Esperava que tratasses melhor a Cláudia, mas esqueceste-te tao depressa dela como de mim..."
Senti-me culpado. Sabia que tudo o que ele escrevia era verdade.
"... Não te lamentes, quando nada tens para te lamentar. Nao te queixes, quando nao há nada para queixar. Não desesperes, quando acima de tudo so tens é razoes para estar feliz. Sei que apenas estas linhas já te farão pensar.
Pedro
P.s.: Pareces uma criança a olhar para um mapa e a nao perceber o que lá está escrito. Há paradeiros que estão cruzados, que por mais que se queira, o caminho une-se num em dada altura. E no entanto, parece que estás sempre a perguntar: "Mas une-se mesmo? Tens a certeza?". Pensas demais.
P.s.: Isto cá em cima está a uma boa temperatura.
P.s.: Eles mandam abraços e beijos, agradecendo A música.
P.s.: Daqui a uns tempos voltarei a dar noticias"
Percebi que antes de tocar , antes de tudo, tinha que por a cabeça em ordem, e "levantar-me". Ha coisas ocultas inexplicaveis.
segunda-feira, 24 de março de 2008
domingo, 9 de março de 2008
O bom samaritano



Afinal a Casa do Bom Samaritano acolhia mulheres com deficiencias mentais. Tivessem elas 18 ou 34 ou 88 anos. Eram mais de 100 pessoas, entre funcionários e "crianças". Depressa percebi que o termo "criança" era bem aplicado. No fundo, como vim mais tarde a descobrir, o seu comportamente era igual à das crianças. No entanto, passavam a vida inteira nesse estado. Habitavam lá algumas Irmãs, da Divina Providência. Creio que foi estranho o enfase que deram à Divina Providência: a Irmã Ana começou por dizer: "Voces vieram cá por uma razao. Tudo aconteceu por uma razao. E Ele sabe qual é!". Estremeci. Eu e o Carlos ficámos um bocado entroalhados, como quem até tem medo de ouvir aquilo. Mas no final do retiro, ela ate tinha razao.

Sábado. Relembro agora o que a minha namorada escreveu no blog vizinho: "Ha quanto tempo não rezo como deve ser,com tempo, sem pressa.". Sorri, pois era o que eu tinha sentido até sabado de manha. E era pena, pois quando foi o momento de nos retirarmo-nos, cada um para seu lado, sobe bem. As partilhas de reflexão tambem. Senti que afinal nao era só eu que andava a cometer o mesmo erro.

Á tarde fomos conhecer as Meninas. Foram emoções fortes, pois uma coisa é falar-se, outra é ver ao vivo. Foi uma sensação estranha, mas saí de lá melhor que ao que tinha entrado. Foi mesmo estranho, mas ainda assim volta a repetir a experiencia (até estamos a pensar voltar lá para fazer uma semanita de voluntariado, nao é malta? :P)
O dia passou-se sempre em grandes conversas, principalmente naquelas em que a Chica entrava, dando o seu habitual toque que nos deixava sempre com um sorrisao na cara, não tivesse ela uma maneira peculiar de ver a vida.
Á noite fizemos uma reflexão bastante boa. Nunca tive numa oração que fosse má, creio que isso acaba por nao existir, mas sabe sempre melhor quando as pessoas que estão ao nosso lado sao As pessoas. No final da reflexão, fizemos algo que eu ja tinha feito algures noutro lado qualquer, mas que por mais que me tente lembrar, nao consigo: demos um abraço a toda a gente.
Talvez o que mais me impressionou foi o Carlos. Já la vao 6 anos (6 !...) em que nos conhecemos. Temos maneiras muito diferentes de ver a vida, mas respeitámo-nos sempre. Ao longo destes anos nunca houve momento algum em que desviámos a cara do outro, em que dissemos mal um do outro, porque isso é praticamente impossivel.

Carlao, lembras-te do retiro quando eu tava no 8 volume? Eras o MC Carlos, e até tinhamos o irmao da Leila, ja nao me lembro o nome, e outro gajo. Eramos estilo Jackson 5, mas só com 4, e um deles branco, eu! Ou lembraste de há 2 anos atrás, quando nos cruzámos com os frades de Varatojo, especialmente com o Frei Morgado, e eu tive que esconder-me o atrás de ti durante as orações ás refeições porque estava perdido de riso? Enfim.. Se contablizarmos as horas que vivemos isto tudo, sao poucas, muito poucas. Mas mesmo assim, suficientes para marcarem. Lembras-te dos "Los Duros"? Acho que "Man in Black" fica melhor... "Punts-ta-pa"! Enfim... ainda temos que saber por onde anda a Filipa, no fundo foi ela que deu origem aquela famosa frase: "Eu nao sei se é ela que está a tomar conta dos putos, ou se são os putos que estão a tomar conta dela!". Ou agora, na nossa ceia de Natal, quando a Sara foi contra o espelho da sala, porque achava que ali era a entrada. Enfim.. Acho que este retiro tem videos fenomenais, que nao poderei por aqui para nao denegrir a nossa (já por si reduzida) imagem.
Quando acabámos a reflexão, pediram-me para escrever uma Acção de Graças para a missa de Domingo. Era suposto fazermos em conjunto, eu pedi uns minutos so para fazer um telefonema. Quando voltei, tinha-me perdido nas horas: tinha estado 2 horas ao telefone, as raparigas ja se tinham ido deitar, e as aparas de óstia tinham acabado. Completamente ensonados, escrevi umas linhas no papel, e após consenso final, iria improvisar no final.

Domingo foi espectacular (Carlos, remember: "EPAH, NEM VAIS ACREDITAR! ACABEI DE CAIR NA BANHEIRA!" ... ... ... "epah, grande oceano que está aqui!"). A missa foi bastante boa, e as "Crianças" sabiam muitas orações de cor, e via-se que estavam concentradas (bastante mais que eu) naquilo que realmente se passava. Na Acção de Graças, acho que disse aquilo que realmente tinha que ser dito: Obrigado.

(ahahahhaahahhahahahahahahahahhahah. Nao resisti!)
O resto foi voltar para Lisboa. Vinhamos diferentes. Afinal a Irma tinha razao: quem saía de lá, nao saía igual. Foi uma realidade bastante diferente do custume, mas era preciso. Era preciso vermos com os nossos próprios olhos que temos razoes de sobra para sermos felizes. Parece, e é lamechas, mas é verdade. Acabámos todos por sentir o mesmo. Acabámos por sair mais fortes, nem que seja pelos laços que se fortaleceram naqueles momentos mais dificeis. Sabemos que vamos lá voltar, para ajudar. No fim de contas, o unico trabalho que eu la fiz foi por a loiça na maquina (e pensa uma pessoa que eu conheço: "Oh nao...!"), e eu prometi que fazia mais que isso!

O nosso Grupo de Jovens, ou GJC (Grupo de Jovens de Carnide), continua sem nome, e precisamos urgentemente de um. Os maiores disparates ja foram sugeridos ("Os pintainhos.."), portanto acho que qualquer sugestão é muito bem vinda.
Jesus, és o maior!
P.s.: "MAN IN BLACK!... ACTIVAR... POSIÇÃO!". Chica: "Oh meu deus, nao acredito que eles estão a fazer isto!"


