sexta-feira, 23 de maio de 2008

Desabafo

Sei que Tens algo para me dizer. E nesta confusao de ideias, pensamentos, nao consigo ouvir. Sei que Tens o caminho apontado algures, mas nao sei para aonde.

O elástico? Esse nao sai. Bolas, assim é mais dificil perceber. Ou nao? Nao sei. Sei sim que o elástico estará no braço esquerdo.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Instrumento Teu

Entrei em casa, entrei no quarto, Pedro estava sentado a ler um livro. Atirei a mochila para a cama, ele levantou os olhos do livro e apenas disse:

"Nao stresses.." e levantou-se. Continuou, dizendo: "Anda, vamos ao Colombo."

Sem proferir uma palavra, segui-o. No elevador, ele lembrou-me disto. Nao pude deixar de sorrir. Ja com um sorriso na minha cara, relembrou-me outras tantas histórias, ditas loucas, em tao pouco espaço de tempo.

"A energia ainda cá está, Pedro. Sem dúvida."

"Mais pareces um Indiana Jones..." murmurou, à saída do predio.

Enquanto andavámos, Pedro nada dizia. Nao precisava. Eu sabia o que ele pensava. No entanto, disse-me:

"Hoje deparei-me com uma carta para ti, de uma amiga tua...." e antes que eu pudesse transformar o meu olhar de raiva em palavras, disse: "que em poucas frases, descreveu tal e qual a tua pessoa."

Calei-me. Deixei-o prosseguir. Gosto de me ver "por fora".

" "Ser André é viver cada dia, aproveitando cada momento e saboreando-o ao máximo, fazendo com que cada momento seja marcante." " . Relembrei-me entao da carta. Sim, era verdade. Eram frases que me descreviam melhor do que eu o poderia alguma vez ter feito.

Pedro nunca temeu o futuro. É impressionante. Na sua forma simples de ser, a fé sustenta tudo. Tento seguir-lhe o exemplo. Ha poucos dias, outra amiga achava chocante, mas pelo positivo, a minha fé. Disse-lhe que achava que era tudo o que eu nao tinha, fé. Ela achou piada, e disse-me que nao. Que eu estava errado.

Pedro nunca temerá o futuro. Tem-no programado, de maneira desalinhada, como quem se deixa levar pelo vento, mas quem sabe para aonde o vento o leva. Estranho. O aprendiz pode ultrapassar o mestre, mas quando?

Vivo cada dia na Tua certeza, de que quero ser Instrumento teu. E sei que por muito que custe, é isso que vale a pena. Sei que já o sou, mas por vezes afasto-me do caminho com a facilidade de quem desiste.

" Desistir... é taoo facil. Ja reparaste? O que custa, subir ou descer a montanha? Será a sensação da chegada ao cume, depois de tanto esforço, equiparavel à descida? Nunca. É um absurdo." disse Pedro. Eu sei. Creio que o encontro com a Izzie lhe terá feito bem.

quinta-feira, 15 de maio de 2008


Nao ver um único raio de Sol de jeito no meu dia de anos é absolutamente frustrante.
Pior que isso so mesmo sentir que este dia tem sido o pior da semana. Será de mim? Nao creio. É demasiado tarde, mas devia ter ido a um certo sitio.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Relances [O C U L T O]


Quantas conversas teremos tido este ano? 3, 4? Nao sei. Poucas. Mas curiosamente, as suficientes para perceber que tens sempre algo para dizer. Sempre vindo dEle. Por vezes parece patético, outras nao sei se sou eu que me esforço para tentar ver algo que nao é, mas creio que a Fé é mesmo assim: quando menos esperamos, algo confirma tudo.
Há um ano atrás, ajudavas-me a embarcar nesta enorme aventura. Riste quando eu corri à chuva, sorriste quando tudo começou oficialmente, sorriste quando perguntavas por Nós e eu respondia que tudo estava bem e continuas com o mesmo sorriso quando, apesar dos tormentos, tu sabes que tudo vai ficar bem.
Esse sorriso de criança, curioso, deixa transparecer tanto dEle. Se me perguntares se recorri da tua inocente forma de ver a vida (talvez como a minha) para aprender algo, eu digo que sim. Sem medo, sem receio.

"ja estava previsto! Ele anda a remexer-te nas ideias!"

E se antes tinha medo que Ele o fizesse, talvez agora ja nao o tenho. Talvez agarrada a essa tua frase veio algo mais Oculto. Nao sei.
Nao te surpreendas pela minha fé. Por vezes acho que é a coisa mais inventada por mim que tenho. Deixa-me, sim, a mim, surpreender-me contigo. Faz-me bem, sem duvida!
Pedro de Arimateia

domingo, 11 de maio de 2008

11 de Maio

Há sensivelmente um ano atrás, voltei a pegar no meu blog. Obrigado Cacau!

E há um ano atrás, era-me diagnosticado Glaucoma. É interessante olhar para o escrevia na altura. Mal eu podia adivinhar que o diagnóstico estava errado!

Obras de Deus

Gosto de ver com os meus próprios olhos aquilo a que eu chamo "obras de Deus". São raras as vezes, mas as suficientes para eu perceber o quão fantasticas sao. Ja tive momentos em que me olhei como uma, sem egocentrismo ou convencimento, momentos esses em que estive perto do tal paraíso.



Ontem fui convidado a ir tocar a um casamento na Ericeira, mais Ele e Ela, que iriam cantar, ambos do Instituto Gregoriano. Entao, por volta da duas da tarde, la fui no carro vermelho, um Mini moderno, que bem aguentou a pedalada que Ela lhe imprima. Fui no banco de trás, a viagem prometia ser divertida, e foi. Ao ponto de nos enganarmos nas tabuletas, e chegarmos a Óbidos (ainda vimos ao longe o castelo de Óbidos), porque nao tinhamos visto o sinal a dizer: "Mafra Malveira". Enfim...



O casamento correu bem, é sempre interessante ver o nervosismo do noivo, e o momento da chegada da noiva. E ontem foi especial, porque segundo o padre, a noiva sempre teve o sonho, desde pequenina, de entrar no seu casamento ao som da Ave Maria de Schubert. E eu, ao tocar, senti-me ajudante dessa concretização.



Na viagem para cá vinhamos mais cansados. Ja nao havia musicas para aprender, ja nao nos apetecia cantar, entao viemos a conversar.



Por meio de conversas mais sérias, Ela olhou-me pelo retrovisor, e disse: "Algo que eu acho fenomenal é a maneira como voces" (eu e Ele) "se entregam às pessoas e às coisas que se envolvem.".. "é lindo!". Ele suspirou, eu tambem. E Ela continou, como se Ele nao tivesse ali: "O problema d'Ele é que, sendo tao humilde, caiu nas maos da pessoa errada.", e dito isto, logo lhe agarrou a mao. Suspirei outra vez. Disso eu estava certo que nao me tinha acontecido. Caido nas maos da pessoa errada? Bem pelo contrário. Por momentos senti mais que eu é que era a pessoa errada no meio da confusão.



A viagem continuou. Nalguns momentos de silêncio, olhei para eles os dois, para a sua simplicidade. Ele passara o ano todo em baixo. O verão passado foi vivido em sofrimento, o qual testemunhei com a dor de um amigo. Mas como agora lhe digo, ha males que veem por bem. E a alegria que Ele agora tem, faz-nos (a nós, familia Gregoriano) crer que está entregue a que sempre lhe foi destinado. Porque? Nao sei. Há aquelas coisas que nos nao sabemos explicar porque, mas sabemos que assim são. E tambem porque gostamos sempre de ter casais que sejam "lá da casa"!



Já em Carnide, pedi-lhe para me deixar na Quinta da Luz. Ao passar em frente ao Teatro, o sinal ficou vermelho. Parou ao lado da Igreja. A conversa ja tinha acabado. E de repente, Ela olhou-o nos olhos, e disse A frase. Fiquei estupefacto, mais parecia estar sentado a ver um filme.. mas a sério. E sentado no banco de trás, continuava embasbacado a olhar para aquilo. Soltei um "Ai mae..". Estupefacto e embasbacado porque ha frase foi dita de Tal maneira, com Tal olhar e com Tal sorriso, que era certo: são Obras de Deus. Talvez se tivessem feito daquele momento um filme, com uma musica romantica e suave, milhares de pessoas estariam a chorar. E eu assisti aquilo, sozinho, no banco de trás. E outro suspiro lancei. O terceiro desse dia. Perante tal espanto, Ela olhou para trás, e disse-me: "Vá, eu nao digo muitas destas, mas quando digo, gosto de dize-las!". E enquanto escrevo isto, ainda paro, a pensar nesse momento.



Depois de tal espanto, olhei para a Igreja. Sempre tive o sonho de tocar a Marcha Nupcial e mal a noiva estivesse perto do altar, eu fazia slide de onde está o orgao (em cima da entrada), e descer ate ao altar. Chamar-me-iam de louco. Eu apenas acho que é a minha maneira de ser. (Embora ninguem aprove a ideia..!)



Quando me deixaram na Quinta da Luz, nao pude deixar de lhes dizer obrigado. E quando me dirigi para frente daquela Janela, senti que era altura de trasnformar outra coisa em Obra de Deus. Peguei no telemovel. Nao desisto. Sei que Ele nao quer isso.



Obrigado Ana, Obrigado Tiago!


quinta-feira, 8 de maio de 2008

Ainda

Ainda choro. Sem problema. Quando penso em ti, mesmo quase após 2 anos, ainda choro. É inevitavel. Sei que ultrapassei tudo o que aconteceu, ja pensei muito nisso, mas creio que a saudade prevalece sempre. De tal maneira que a tua memória aquece-me o coração de uma maneira muito... aconchegante.

Cada vez que me chamam Ferreira, um dispositivo em mim relembra-te. E gosto disso. Gosto de pensar que continuo algo que tu começaste, e te esforçaste, por construir.

Tenho pensado em ti, e na falta que fazes. Mas a tua memória continua, e continuará, a aquecer-me o coração.

André

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Hoje

Hoje pego na guitarra, fico sozinho no quarto, e sozinho canto algumas músicas. Algumas foi o Pedro que me ensinou, no seu tom desafinado. Faz-me falta, preciso de ser orientado.

Hoje o ar que paira na rua é o mesmo que há um ano atrás. Mas falta-lhe algo. O cheiro é caracteristico, deixa saudade. Falta-lhe algo. Entrentanto fecho os olhos. Recordações! Impossiveis de apagar.

domingo, 4 de maio de 2008

?!

E hoje estou chateado. Mas mais que isso, magoado.

Apetece dormir a tarde inteira, esquecer tudo, mas nao dá. Em vez disso, tenho que estudar afincadamente, como se nao houvesse amanha, pois assim tem que ser.

Mas estou magoado. Ofereci a minha ajuda, e recusaram-na, quase bruscamente. Pensei que talvez ela nao fosse precisa, mas depois vim a perceber que era. Bolas...!

Ao menos o dia condiz comigo. Ao menos isso, e algo mais.

(P.s.: Parabens, Cacau!)

sexta-feira, 25 de abril de 2008

The Bucket List

A publicidade que havia em torno do filme era leve, sem grandes mediatismos, sem grandes "este é o filme do ano". Mas fiquei curioso. Quando fui ve-lo, da melhor maneira que podia ir acompanhado(!), essa curiosidade foi bem "morta". Nao vou estar a descrever o filme, acho que seria melhor se cada um descobrisse por si.. vale a pena.

Bimbo e foleiro seria dizer que por vezes vejo a minha vida como uma... bucket list. Mas tem que ser. A minha vida é mesmo uma bucket list. Percebi isso, quando ao ve-los a riscarem as acções que tinham marcadas na sua lista, dei por mim a ver-me a riscar tantas e tantas coisas que sempre desejei fazer, e fi-las. Nao com o objectivo de faze-las "antes de bater a bota". Faze-las somente porque assim saberia que estava a "dar alegria à vida".

Outra vertente espectacular do filme é a Fé. Quase que passa despercebida, mas no fundo é o que leva ao seu final simples mas emocionante.

Acho que nao me cansaria de ver este filme. O filme.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Concerto de Páscoa



Tenho que agradecer ao meu amigo Tiago Oliveira. Por meio de ensaios, viagens de comboio para Alverca, constipações e coisas do genero, tem sabido bem ensaiar estas peças e tocar com a malta. E o concerto promete!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Paradeiros Cruzados

Sei agora que não é anormal. Mas surreal.

Enquanto esperava lentamente que me levassem de boleia para a minha escola de Música, o sol começava a aparecer, mas ninguem ainda tinha a coragem de passear nas ruas. Ao som de uma música qualquer, e enquanto fixava os olhos no chão, e a minha cabeça continuava desligada pelo sono, alguem se chegou perto de mim.

Uma idosa, pobre, estendia-me a mao com um envelope lá dentro.

"É para si", disse ela

Estupefacto, fiquei meio segundo a olhar a cena. "Desculpe, mas é engano, deve-me ter confundido com alguem." , e recuei, preparado ja para abandonar o local.

"Engano? Nao, nao. Eu reconheço sempre a cara de alguem que me indicam. Veja, é mesmo para si." , disse enquanto mostrava-me o envelope.

Vinha endereçado: "André Ferreira"

Agarrei a carta, e de repente ouvi uma voz dentro de mim a dizer: "CUIDADO, PODE TER ANTRAX!". Estupidez. Abri, e uma carta escrita em letra trémula (ou talvez apressada) preenchia toda a uma folha ja por si amarrotada. Quando me preparava para ler a carta, reparei que a senhora se tinha ido embora. Olhei em volta, e nao estava mesmo la. Confuso com aquela actuação toda, achei por bem ler a carta.

"André, André, André...

... Mesmo aqui em cima, obrigas-me sempre a ter que arranjar maneira de poder falar comigo. Ah, Vá lá, Ele ficou condecesdente. Riu-se e permitiu-me que passasse a arranjar maneira de continuar a falar contigo. Impossivel, mas é verdade. Agora ja deu para perceber que estás a descarrilar outra vez.."

Parei de ler. Achei que era alguma piada de mau gosto, mas depressa percebi, ao reler outra vez, que nao era. Tinha metido o código, o nosso "código indecifravel". Pedro estava de volta. Grunhi um "Nem mesmo depois de morto me vejo livre de ti", como quem ja sabia que ele estava ao meu lado. "Porquê?", perguntei em voz alta, "porque é que insistes em mexer-me na vida, em controlar-me, em falar comigo? Isto é completamente de loucos". E continuei a ler

"... E la tenho eu que vir falar contigo. Deixa-te de merdas, levanta a cabeça, és o André, nao és um ninguem. Chega, pára de te lamentares, a tua atitude desde a minha morte tem sido vergonhosa. Esperava que tratasses melhor a Cláudia, mas esqueceste-te tao depressa dela como de mim..."

Senti-me culpado. Sabia que tudo o que ele escrevia era verdade.

"... Não te lamentes, quando nada tens para te lamentar. Nao te queixes, quando nao há nada para queixar. Não desesperes, quando acima de tudo so tens é razoes para estar feliz. Sei que apenas estas linhas já te farão pensar.

Pedro

P.s.: Pareces uma criança a olhar para um mapa e a nao perceber o que lá está escrito. Há paradeiros que estão cruzados, que por mais que se queira, o caminho une-se num em dada altura. E no entanto, parece que estás sempre a perguntar: "Mas une-se mesmo? Tens a certeza?". Pensas demais.

P.s.: Isto cá em cima está a uma boa temperatura.

P.s.: Eles mandam abraços e beijos, agradecendo A música.

P.s.: Daqui a uns tempos voltarei a dar noticias"

Percebi que antes de tocar , antes de tudo, tinha que por a cabeça em ordem, e "levantar-me". Ha coisas ocultas inexplicaveis.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Into the wild



"Happiness is only real when shared."

Custou-lhe, mas percebeu :)

domingo, 9 de março de 2008

O bom samaritano

Em dois dias, podem-se fortalecer grupos, amizades, sorrisos, enfim...

Sexta feira, 19 h: Preparava-me para ir para Fátima com o Zé Maria, de autocarro. Iamos encontrar-nos com o restante Grupo de Jovens de Carnide (GJ), na casa do Bom Samaritano. Prometia ser brutal, mas revelou ser melhor que isso. Marcou.



A minha ideia e a do Zé era irmos dar com a tal Casa por nós próprios, sem dizer ao Frei Bruno, que era suposto ir buscar-nos à estação. E entao, às 9:30 da noite, num frio cerrado, pusemo-nos a caminho. Um taxista disse: "Muito facil: contorna a rotunda e sai na saida que diz Leiria. E depois é sempre ir em frente, nao tem que duvidar!". Mas na verdade a certa altura chegamos a uma bifurcação, e tivemos que ir bater a uma casa para saber aonde ficava o caminho certo. Enquanto esperavamos que a porta se abrisse, o Zé comentou: "So falta aparecer um gajo com um caçadeira a dizer: "FORA DAQUI, JA, OU EU DISPARO!"." Nao foi, mas ficamos sempre na expectativa que podia ter acontecido. O senhor que apareceu foi simpático, e lá demos com a parte certa da bifurcação.


Contudo as nossas "aventuras" nao paravam ali. Quanto mais avançavamos, mais longe ficavamos da real povoação, as casas escassavam, e via-se que nao estavam habitadas. A certa altura chegámos à "Casa de S. Francisco". Pensámos que era lá, e batemos freneticamente à campainha. Dado que nao respondiam, resolvemos continuar em frente. E a certa altura vimos ao fundo uma enormmeeee casa (mas mesmo grande), e uma seta no meio das silvas a dizer, apontando: "Casa do Bom Samaritano". Tavamos com fome e cansados da viagem, soube bem.



Batemos à porta. Abriu-nos a Irmã Ana, como viemos a descobrir que se chamava. Depressa apelidar-lhe-iamos de "Nossa Senhora", visto que falava e actuava de uma maneira que mais parecia ser a Mãe de Jesus. Entrámos numa sala, e lá estava o grupo todo: Frei Bruno, Tiago, Carlos, Ana, Rita, SaraF, SaraT, Teresa, Alex, e mais uma irma, a Irma Maria Jose.


Sentámos e começámos a ouvir a Irma Maria Jose a falar da casa aonde nos encontravámos. Eu pensava que era simplesmente uma casa de retiros, tal como outras tantas aonde ja tinhamos estado. Mas nao. E por isso é que o retiro passou a marcar. A Irma falava de "crianças", "muitas crianças", que eram felizes, que geralmente vinham de familias que nao tinham condições para acolher. Confesso que fiquei um bocado baralho. Mas afinal aquilo era um lar de acolhimento de crianças?


Mas tudo se complicou qd a irmã começou a falar de "crianças especiais". Que nao sabiam nao ser felizes. "Beeem, fazem disto um paraiso, caramba!", pensei. Até que a Irmã Ana passou uns slides de PowerPoint com imagens da instituição. Na minha cabeça fez-se um grande "AH, Ja percebi!".



Afinal a Casa do Bom Samaritano acolhia mulheres com deficiencias mentais. Tivessem elas 18 ou 34 ou 88 anos. Eram mais de 100 pessoas, entre funcionários e "crianças". Depressa percebi que o termo "criança" era bem aplicado. No fundo, como vim mais tarde a descobrir, o seu comportamente era igual à das crianças. No entanto, passavam a vida inteira nesse estado. Habitavam lá algumas Irmãs, da Divina Providência. Creio que foi estranho o enfase que deram à Divina Providência: a Irmã Ana começou por dizer: "Voces vieram cá por uma razao. Tudo aconteceu por uma razao. E Ele sabe qual é!". Estremeci. Eu e o Carlos ficámos um bocado entroalhados, como quem até tem medo de ouvir aquilo. Mas no final do retiro, ela ate tinha razao.


Fui jantar, com o Zé, e pouco mais se passou nessa noite. Fomos desde logo proibidos de nos encontrármos durante a noite com as raparigas, regra que sabádo à noite foi quebrada sem qualquer problema.



A noite de sexta passou-se a comer aparas de óstias. Sim, temos um fascinio por aparas de óstias, que é exactamente aquilo que sobra quando as ostias sao confeccionadas. Absolutamente divinal e viciante. Aliar isso a um quarto quente, e com uma boa conversa, e as horas prolongavam-se. O dia de sexta acabava.

Sábado. Relembro agora o que a minha namorada escreveu no blog vizinho: "Ha quanto tempo não rezo como deve ser,com tempo, sem pressa.". Sorri, pois era o que eu tinha sentido até sabado de manha. E era pena, pois quando foi o momento de nos retirarmo-nos, cada um para seu lado, sobe bem. As partilhas de reflexão tambem. Senti que afinal nao era só eu que andava a cometer o mesmo erro.



Á tarde fomos conhecer as Meninas. Foram emoções fortes, pois uma coisa é falar-se, outra é ver ao vivo. Foi uma sensação estranha, mas saí de lá melhor que ao que tinha entrado. Foi mesmo estranho, mas ainda assim volta a repetir a experiencia (até estamos a pensar voltar lá para fazer uma semanita de voluntariado, nao é malta? :P)

O dia passou-se sempre em grandes conversas, principalmente naquelas em que a Chica entrava, dando o seu habitual toque que nos deixava sempre com um sorrisao na cara, não tivesse ela uma maneira peculiar de ver a vida. 

Á noite fizemos uma reflexão bastante boa. Nunca tive numa oração que fosse má, creio que isso acaba por nao existir, mas sabe sempre melhor quando as pessoas que estão ao nosso lado sao As pessoas. No final da reflexão, fizemos algo que eu ja tinha feito algures noutro lado qualquer, mas que por mais que me tente lembrar, nao consigo: demos um abraço a toda a gente.

Talvez o que mais me impressionou foi o Carlos. Já la vao 6 anos (6 !...) em que nos conhecemos. Temos maneiras muito diferentes de ver a vida, mas respeitámo-nos sempre. Ao longo destes anos nunca houve momento algum em que desviámos a cara do outro, em que dissemos mal um do outro, porque isso é praticamente impossivel.



Carlao, lembras-te do retiro quando eu tava no 8 volume? Eras o MC Carlos, e até tinhamos o irmao da Leila, ja nao me lembro o nome, e outro gajo. Eramos estilo Jackson 5, mas só com 4, e um deles branco, eu! Ou lembraste de há 2 anos atrás, quando nos cruzámos com os frades de Varatojo, especialmente com o Frei Morgado, e eu tive que esconder-me o atrás de ti durante as orações ás refeições porque estava perdido de riso? Enfim.. Se contablizarmos as horas que vivemos isto tudo, sao poucas, muito poucas. Mas mesmo assim, suficientes para marcarem. Lembras-te dos "Los Duros"? Acho que "Man in Black" fica melhor... "Punts-ta-pa"! Enfim... ainda temos que saber por onde anda a Filipa, no fundo foi ela que deu origem aquela famosa frase: "Eu nao sei se é ela que está a tomar conta dos putos, ou se são os putos que estão a tomar conta dela!". Ou agora, na nossa ceia de Natal, quando a Sara foi contra o espelho da sala, porque achava que ali era a entrada. Enfim.. Acho que este retiro tem videos fenomenais, que nao poderei por aqui para nao denegrir a nossa (já por si reduzida) imagem.

Quando acabámos a reflexão, pediram-me para escrever uma Acção de Graças para a missa de Domingo. Era suposto fazermos em conjunto, eu pedi uns minutos so para fazer um telefonema. Quando voltei, tinha-me perdido nas horas: tinha estado 2 horas ao telefone, as raparigas ja se tinham ido deitar, e as aparas de óstia tinham acabado. Completamente ensonados, escrevi umas linhas no papel, e após consenso final, iria improvisar no final.



Domingo foi espectacular (Carlos, remember: "EPAH, NEM VAIS ACREDITAR! ACABEI DE CAIR NA BANHEIRA!" ... ... ... "epah, grande oceano que está aqui!"). A missa foi bastante boa, e as "Crianças" sabiam muitas orações de cor, e via-se que estavam concentradas (bastante mais que eu) naquilo que realmente se passava. Na Acção de Graças, acho que disse aquilo que realmente tinha que ser dito: Obrigado.


(ahahahhaahahhahahahahahahahahhahah. Nao resisti!)

O resto foi voltar para Lisboa. Vinhamos diferentes. Afinal a Irma tinha razao: quem saía de lá, nao saía igual. Foi uma realidade bastante diferente do custume, mas era preciso. Era preciso vermos com os nossos próprios olhos que temos razoes de sobra para sermos felizes. Parece, e é lamechas, mas é verdade. Acabámos todos por sentir o mesmo. Acabámos por sair mais fortes, nem que seja pelos laços que se fortaleceram naqueles momentos mais dificeis. Sabemos que vamos lá voltar, para ajudar. No fim de contas, o unico trabalho que eu la fiz foi por a loiça na maquina (e pensa uma pessoa que eu conheço: "Oh nao...!"), e eu prometi que fazia mais que isso!



O nosso Grupo de Jovens, ou GJC (Grupo de Jovens de Carnide), continua sem nome, e precisamos urgentemente de um. Os maiores disparates ja foram sugeridos ("Os pintainhos.."), portanto acho que qualquer sugestão é muito bem vinda.

Jesus, és o maior!



P.s.: "MAN IN BLACK!... ACTIVAR... POSIÇÃO!". Chica: "Oh meu deus, nao acredito que eles estão a fazer isto!"

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Dias indo...

Um chuto na pedra do caminho que se aproxima faz matar a monotonia do caminho.

De volta às aulas. De volta aquele mundo desumano. Mas desta vez é diferente: desta vez estou disposto a lutar!

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Lado (quase) Desfeito

Transportava o teclado nos braços, mochila às costas, vinha da Missa das Promessas dos Escuteiros. Bem interessante, por sinal.
Um aglomerado de gente formava uma roda, em frente à minha casa. Soltavam gemidos de susto, espanto, e uma ambulância virava a esquina a toda a velocidade. Intrigado com o sucedido, resolvi aproximar-me, lentamente, como quem dá mostras de nao se interessar no que se passa, mas de quem ao mesmo tempo lá no fundo pergunta "mas que raio..?".
Parei. Escandalizado.
Revejo. Outra vez. E outra vez.
E nao sabia o que sentir ou o que dizer.
Furei a roda, e sentei-me ao lado dele. Perguntaram-me: "Conhece?". Se eu o conheço? Mas claro. Era Pedro. "Meu irmao", disse. E um silêncio mortal pairou sobre as pessoas.
Pedro jazia em sangue, fruto de uma queda altissima. Morto? Mais que morto, completamente sem vida, sem hipotese de retornar, sem hipotese de salvamento.
O meu coração acelera atromentado, a cabeça anda meio à roda na ansia de ser um pesadelo, mas... Bolas!! Nao é!
Relembro um post que fiz aos tempos atrás, aonde ele tinha feito uma especie de "partida". Mas nao. Agora é mesmo sem aspas. Nao pode ser. Nao podia ser. Mas era...
Terei desmaiado. Acordei com um desconhecido a abanar-me, e a dizer: "Está aqui o INEM para o ajudar.". Ajudaram-me a subir as escadas até minha casa, no final disseram: "Ha alguem que nos devemos contactar?". Estarreci de novo. "Merda", pensei.
Cláudia. Tinha que ser eu a dizer-lhe. "Porquê?", pensava, "mas que raio te passou pela cabeça?". Fechei a porta, e ainda com a cara lavada em lágrimas percorri toda e qualquer especie de canto em minha casa à procura de uma explicação, de uma carta, nada.
Depois tudo se passou muito depressa. Avisar Cláudia tinha sido muito mau, e o funeral qualquer coisa de indescritivel. Sobre a campa de Pedro, a sua namorada mandara por: "Amou e foi amado."

Até me custava acreditar que era verdade. E mais uma vez perdida alguem de quem necessitava. E mais uma vez sem poder fazer uma despedida, um último abraço, um olhar de quem ja sabe que vai partir, nada.
Pedro foi-se.  Está algures em mim, o que resta dele, essa pujança e força incrivel que sempre me deu. Terei que procurar viver sem isso. Terei que procurar viver sem o meu Lado-Oculto.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Histórias que são para ser vividas…

... Sim, creio que há histórias que merecem personagens. Histórias de amor, que magicamos na nossa cabeça, e que sem nos apercebermos, ficamos envoltos nelas. E melhor de tudo, sermos nos as personagens das Nossas histórias.

... Não, nao devemos guardar as histórias no bau, mas expo-las na parede do nosso quarto, para ao acordar termos noção dos momentos felizes que já vivemos, e para termos consciencia de que mais virão. Porque histórias dessas merecem ser vividas. Mais que saber que não estamos sós, é importante saber que partilhamos histórias.

Abraço, Tiago!

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Palavras de sempre e para sempre

Faro, 14 de Fevereiro de 2007:

E ainda sinto os olhos cheios de lágrimas. Não só porque tu partiste, acho que graças aquilo que acredito isso era necessário para todos, mas porque vejo memórias como cada vez mais.. memórias. Vejo a familia em que eu vivia a desmontar-se, metade cá, metade aí. Vai chegando a minha vez (lentamente, muito lentamente), de ficar no topo da piramide, e de ser eu a olhar para baixo. Mas porque agora nao quero. Quero continuar a ser o mais novo, a olhar para cima, a nao saber o que é a morte ou morrer alguem de quem nos gostamos. Prefiro nao continuar a saber. Ainda te oiço, na tua voz trémula, a dizer: "É o André". Amanha vou preferir nao tocar em modo menor. Pelo contrário, se pudesse tocava algo simples, mas que soasse bonito e alegre. Foi assim que te conheci e sempre te vi, nao conhecia nada que nao fosse assim.
Deves ter ficada boquiaberta quando viste aquilo que eu depois tive oportunidade de saber que aconteceu. E ao mesmo tempo deves ter sorrido, comentado para aquela grande pessoa que está ao teu lado, e que nós sabemos quem é, : "Fenomenal!".
Tocar para ti daquela maneira parece-me tao pouco. Apetece-me voltar a atrás, ficar horas a ouvir as histórias que tinhas para contar, mas nao. Agora so me resta tocar, em modo menor, enquanto os olhos continuam a querer despejar rios. Vou crescendo. Vai olhando por nós, sff.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

...Obrigado pela chama que me queima!...

Caminhava lentamente. Vinha de uma manha de catequese e ensaio com os escuteiros.
De repente lembrei-me de uma música muito pouco cantada nas missas, mas que diz tanto. Chama-se "Obrigado", contem algumas frases bimbas, mas isso é indispensavel, claro!

Lembrei-me da letra, e aos poucos um sorriso ainda maior ia brilhando na minha cara, tentando competir com o sol que la no alto me cegava o olhar.

Não era um sorriso qualquer. Não era um sorriso daqueles que fazemos quando agradecemos quase banalmente. Não. É O Sorriso. O sorriso quando penso nela. Ahhhhhhhhhhhhhh, mas que energia! Ainda me lembro que durante o ensaio, lá no alto da Igreja, olhava de relance para ela e via-lhe aquele olhar. Já posso morrer feliz. Há coisas que são mais que inexplicaveis. Há coisas que sabemos que vem lá de cima ou la Dele. Ha momentos que marcam tanto que podiamos passar sempre a revive-los. Com ela estou cheio deles. Dizia uma parte da música:
Dá vontade de chorar :)
"Obrigado por esse brilho no ar. Por essa chama que me queima. Obrigado pela estrela que há em mim! Obrigado por essa mão que necessita... de outra mao que saiba amar e ser feliz!"

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Enfim

O país anda louco, isso é sabido, mas entre determinados niveis de loucura, parece que estamos a atingir um auge preocupante.

Creio que para os leigos da música isto nao deve estar muito divulgado, portanto acho que o pouco que eu podia fazer era transmitir esta informação:

Tem andado à baila nos ultimos dias uma enorme contestação contra o fim do regime supletivo nas escolas de música. Basicamente, todos os alunos que nao queiram viver da musica a full time (como quase todos os que frequentam as escolas de música, incluindo eu) vao porta fora das escolas oficiais, tais como Conservatórios e Gregoriano e outras tantas. No regime supletivo, os alunos tem a sua escola de música num horário compativel com a escola aonde andam, nao interferindo uma com a outra. No regime articulado, é suposto os alunos saberem desde logo (no momento em que passam para esse regime) que vao seguir musica (aqueles que estão no secundário), pois perdem uma data de disciplinas na escola, e as "oficiais" passam a ser as que teem na escola de música. Inconviniente? Se ao fim de alguns anos decidirem seguir algo que nao seja musica, tem que voltar a perder alguns anos a fazer as tais disciplinas que tinham ficado isentos.

Mas o problema é que a maioria (diria... 80% ? 70%? ) dos alunos das escolas de música frequentam o regime supletivo. E o que o Governo quer reduzir as escolas de música oficiais somente ao regime articulado. E lá temos que ir nos, esses tais, pagar balúrdios para escolas de música particulares, se quisermos continuar a seguir música.  

Há uma petição a correr na net: http://www.petitiononline.com/CFEEMP/petition.html  

Imagens como estas podem ficar em risco. Mas que miséria de governo.


(Coro Gregoriano do IGL, 2007, no Mosteiro de Alcobaça (mas que dia! :) ) . A manter-se a ideia da ministra, so ficaria ali o rapaz de azul, o Tiago, que actualmente está no regime articulado.)