sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Partida

E enquanto fechava a porta de casa, ouvi Pedro a descer as escadas, desenfreado, suportando a enorme mochila que trazia às costas.

Pondo-as no chão e largando um sopro de cansaço, explicou:

"Vou para o Haiti."

Ele nao esperava nenhuma reacçao minha, percebi. Perguntei por Cláudia, ele disse que iria ficar cá. Ao menos teria quem me fizesse o jantar, pensei.

Sei que preciso de explicar: Pedro é voluntário na AMI. Recrutado nas catástrofes naturais de grande escala, nunca disse Nao a um pedido de ajuda.

Eu fico, mas com pena de tambem nao puder ajudar. Podemos estar a viver numa sociedade com crise de valores, mas é bom sinal ver a pronta ajuda prestada pelos vários paises, organizaçoes, entidades, pessoas.

Valerá sempre a pena.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Re-descoberta

Aceita o universo
Como to deram os deuses.
Se os deuses te quisessem dar outro
Ter-to-iam dado.

Se há outras matérias e outros mundos -
Haja.

Alberto Caeiro

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Descanso




(Royal Yacht - Edimburgo, Escócia)


Ao vaguear nas imagens aqui do pc, descobri esta, que me trouxe à memória um momento muito particular: descansar. 

Mesmo na afazama dos exames, a calma tem sido imenso, e o lema tao arduamente ensinado durante 9 anos, "Sem stress", começa a dar os seus frutos. 

Fica a partilha.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

2010

Guxerre, freguesia de Almoster, Santarem. Das poucas vezes que tive a sensação real de estar no "fim-de-mundo".

2010 começa no silêncio do meio do campo, preparando mais um ano fantastico.

Mais 365 dias!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

2009 em imagens



















sábado, 26 de dezembro de 2009

Natal

Vi os posts de Dezembro de 2008 e nao senti que conseguisse ter recordado alguma coisa da altura.

Bom, ja sei como costuma ser o Natal. Este ano tem uma particularidade: nao há Faro. Ate mudaria quase tudo, nao tivessemos feito uma troca: a familia algarvia veio entao passar cá o Natal.

E assim se constroi tradições. Simples. No meio da aflição de ter que preparar a epoca de exames do IST, aindo reservo dois dias para nada fazer. Os carols soam por toda a casa, e as velas desenham um percurso desde o topo até ao presépio. Veem-se filmagens de outros anos, e acima de tudo, continua uma história de partilhas.

Este foi mais um Natal. Todos eles teem alguma coisa em particular, em especial, que os diferencia. 

Este ano foi mais O Natal. Sem duvida, das melhores alturas do ano.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Não sei, não comento.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Ílhavo

(fotografia retirada de murtosaemfotos.blogspot.com)


Este sabado rumei a Aveiro, mais propriamente a Ílhavo, para tocar o meu primeiro recital fora de portas Lisboetas e Gregorianas.

Acompanhado pelo meu colega Daniel, esta pequena aventura acabou por revelar que nem sempre onde se espera está o que se procura. 

Na verdade, os dois orgaos que hoje toquei (um alemao e um holandes, modernos) foram uma agradavel surpresa. A simplicidade das Igrejas onde se encontravam, e mesmo a sua estrutura, transformaram as peças numa interessante descoberta de sons. Nao era mais do mesmo. Era diferente.

Para recordação, e na esperança de um dia lá voltar para poder fazer um Concerto, fica a Igreja da Costa Nova, rodeada de dunas. Ao sairmos do carro, e sem ver omar, pudemos logo sentir o espectaculo que era.É um novo Natal.  

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Escadas

Loulé, 3 da manha.

Silêncio mentiroso, nas escadas que subo. Olho pela janela. Mais que noite cerrada, nao é a noite Lisboeta, que luzes tanto iluminam. É mais simples. 

Decoro estas palavras que agora escrevo, numa especie de viagem ao futuro. De hoje, entre IST, ensaios na Juvenil, viagens e dormidas, fica a frase:

"O ouvinte ouve o presente à luz do passado. O executante planeia o futuro à luz do presente", maestro Christopher Bochmann.

Olho para trás. As imensas histórias vividas. Todas elas quase sempre tem os mesmos "actores". Nós. E agradeço, porque é assim que a Matemática tem dado resultado, e a Música tem soado melhor.

E agora, vai um poker?

domingo, 29 de novembro de 2009

Recital


A minha redescoberta do Natal foi feita atravês de dois dos mais famosos compositores para Órgão. Terei todo o prazer em partilhar convosco.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

No final do dia, o cansaço torna-se uma agradavel surpresa.

Sem ele, o descanso nao teria o mesmo significado.

domingo, 8 de novembro de 2009

Fim de dia

Refúgio.

Fica apenas a 40 minutos. Nao muito.

E ontem, de noite, la fui. Esse poder que tenho, basta fechar os olhos, parar e ir.

A casa é da familia. Quero dizer, ja faz historia.

Abro a porta, devagar. Quem a conhece, sabe o quao dificil é poder abrir sem barulho. Pensei entrar pelo quintal do Tio Filipe, mas parece-me demasiado arriscado. Mesmo apos estes anos, nunca ganhei coragem para passar aquele simples caminho sozinho.

Entro, sigo para a sala. Fria, sem ninguem. Ja estao deitados. 

Afinal, o que é um refúgio? 

Lugar onde paramos, inclusive no tempo. Aí, podemos avançar para a frente ou para trás. Podemos re-viver as historias. O meu estilo desajeitado de futebol foi treinado ali, no palheiro. Ou podemos imaginar futuras historias.

O silêncio. Alguns carros passam, é raro.

Subo as escadas ao topo da casa. 

Deito-me, adormeço. As noites sao iguais às passadas. O sorriso de fim de dia é o mesmo. 

E naquele sorriso esconde-se a companhia de quem lá está.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ensaios, pensamentos, descobertas

O jantar terminara, as mesas estavam arrumadas, e na cozinha sobrava eu e o Jorge. 

O Gregoriano ja dormia, ou parte dele, no fundo nunca sabemos o que esperar. Rapidamente e em jeito de susto, o filho da Dulce apareceu à porta, citando a famosa frase ganhadora:

"Nao há paninhos quentes, André!"

Sorri, mais que uma especie de codigo secreto, era uma ligaçao.

Eu e o Jorge limpavamos e alinhavamos a loiça lavada, num silencio pensativo. Quebrei a pausa de longas breves:

"Engraçado, Jorge. Ha bocado a Rita disse, ao jantar, que nao sabia bem o que queria seguir porque para ela era dificil nao se imaginar a cantar daqui a 10 anos."

Jorge sorriu. É mesmo assim. Sorriso compreensivo. 

"Pois... acho que é um problema de todos."

E o silêncio quebrado recompos-se, qual tema de fuga!

A dificuldade está aqui. Daqui a 10 vou querer estar dentro ou fora da Musica? .. Dentro ou fora de Matematica?

Os pratos passavam de mao em mao, arrumados, prontos para o dia seguinte. O tempo era contado em forma descrescente, no fundo ninguem gosta de ficar a limpar a cozinha.

De repente, assaltado de um pensamento, partilhei:

"Bom, mas enquanto nao sabemos, nada melhor que dar graças por este dia."

Parei, encostei-me ao balcao, olhar fixo no tecto. Jorge nada disse, expectante do que viria a seguir..

"É que é um luxo poder estar a tirar um curso que sempre quis, e tambem fazer musica com estas pessoas!"

Jorge riu-se. É verdade! E realmente, poucas vezes damos valor.

Cozinha terminada, tempo de ir reunir com o pessoal na sala de alunos. Descemos calmamente as escadas...

"Simão, o que é que ainda estás a fazer de pé? Pedro! Pedro, para de correr! Isto ja nao sao horas..! Alberto... outra vez ires acordar a Magui com a esfregona.. nao..."

Avisos caiam em tom mandatário, confesso, mas tento nao faze-lo. É tao mais facil errarmos nós.

Chegado à sala de alunos, belo cenário! Todos dormiam profundamente... o cansaço era tal após um ensaio de Coro de Camara, que a ideia de ver o Rei Leao às escuras, telas de cinema, projectores directamente vindos da China ou do Cambodja, nunca sei, nao resultara.

Laura e Ana tinham a cabeça encostada uma à outra, enroscadas no pequeno cobertor.

Debora e a Eunice falavam, afinal, baixinho. Riam-se, baixinho, das suas piadas, privadas, mas que fazem delas assim tao especial.

Jorge e eu sentamo-nos, cada um numa ponta do sofá, mesmo a tempo de uma das minhas cenas favoritas:

"- Timon...
- Que é?
- Alguma vez imaginaste o que serão aqueles pontos brilhantes lá em cima?
- Pumba, eu não imagino, eu sei!
- Ah! E o que são?
- São pirilampos! Pirilampos que ficaram colados àquela coisa grande azul escura.
- Ah!... Sempre pensei que fossem bolas de gás a arder a milhões de quilómetros daqui...
- Pumba, p’ra ti, tudo é gás."

Dia cumprido, satisfaçao. Hoje há que dizer obrigado pelo que se tem. Daqui a 10 anos, aquela sala tera outras pessoas a dormir. Mas no fundo, a uniao de quem a fundou continuará, de certo!

sábado, 24 de outubro de 2009

Desabafos

Entrei de rompante. Respiraçao rápida.

Jesus ali estava, na sua secretária, na mesma sala onde outrora eu ja estive.

Pernas esticadas, olhar concentrado, na sua mao tinha o livro de José Saramago. E nao, nao era "Caim". Era o "Memorial do Convento".

O meu olhar surpreso nao passou despercebido.

"Diz, André!", Pediu-me.

Meio atrapalhado com a ironia da situaçao, balbuciei:

"Mas... vinha-Te desabafar acerca do livro..."

E ainda antes de eu acabar a frase, Jesus fechou o Memorial, endireitou-se na cadeira, olhou seriamente para mim e disse:

"Vens Me perguntar se acho bem ou mal, se fico ofendido ou nao..."

Inclinei a cabeça em sinal de aprovaçao. Estendeu a mao para a cadeira, numa especie de convite para sentar. Depois continuou.

"Tens que aceitar, André. É liberdade...!"

"Mas nao é abusivo? Quer dizer, as pessoas dao a desculpa que ele é Nobel, entao nao deveria ter mais cuidado com o que diz?"

"Imagina um grande musico. Ou um grande matematico. Agora imagina que ele vai ter que dar um espectaculo ou seminário. Quando chega a hora, enfrenta o publico, manda dois arrotos para o ar.. É por ser reconhecido que pode fazer isso?"

"Eu acho que nao..."

"Pronto, deixo-te com esta para reflectir. O escandalo é enorme, mas nao vale a pena! Olha, até mais pessoas teem lido a Biblia, sabias? Pode ser que ajude a conhecerem-Me melhor!"

10 segundos de silencio. Percebi a mensagem. Levantei-me. 

"André...", Disse-me, "... nao te esqueças que muda a hora!"

E com uma gargalhada, sem respiraçao ofugante e muito menos sem duvidas, abandonei a sala.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Dias assim


Simples.


Um dia bem passado tem que ser simples. Sem correrias.

O tempo pouco faz.

E deixa a saudade, no final, de voltar ao inicio. 

E porque nao, outra viagem de teleférico?

quarta-feira, 14 de outubro de 2009


Prefiro pensar como um desafio.

Disseste-me que chegavas ao final do dia sem saber se eras capaz. Aqui escrevo, para mais tarde um de nós relembrar: és capaz.

Se calhar antes o caminho era simples como uma recta, numa planicie. Ainda bem. Agora é altura de escalar montanhas, de teres rocha e escorregares por vezes nos passos que dás.

Mas a diferença entre os dois caminhos é clara: no final da recta da planicie, nem a paisagem terá mudado. Nao tiveste muito cansaço, e teres chegado ao final da recta pouco te teria alterado.

Mas ao chegares ao topo da montanha, tens vista sobre tudo. O cansaço é grande, mas a recompensa é enorme. 

Vale a pena..!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

E ao avançar para a Igreja do Campo Grande, perguntei-me:

"Como é que eu devo encarar... a morte de alguem?"

Não é facil, e sei que muitas vezes é este o ponto que separa a fé. O meu passo ia rápido, a cara nao tinha feiçao.

Estava meio perdido no acontecimento. 

Ás vezes nao é preciso ter-se uma ligaçao profunda com alguem. Basta esse alguem marcar-nos de alguma maneira.

Estava aqui a resposta, entao, à minha pergunta: A morte nao é mais que um reconhecimento e passagem de testemunho. 

Confesso que nao me satisfez, principalmente naquele momento de dor. Mas sabia que a imagem que mais me vinha era o sorriso que trocavamos, todos os domingos de manha. 

Aquele sorriso marcava-me. Fazia parte daqueles sorrisos que eu sabia que me protegiam, que me perguntavam como ia a faculdade, a vida, tudo... num simples sorriso.

A Igreja ja aparecia ao longe. Nao havia mais a pensar.

Aqui fica a lembrança e o obrigado. A falta estará sempre presente, mas disseram: "Hoje o banquete nao é aqui. É na casa do Pai."

Eu creio que sim.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Retorno

Voltaram as aulas, o ritmo frenético e o pouco tempo para descansar.

Para trás ficou um Verão cheio. Cheio de descanso, cheio de energia, cheio de aventuras que me fazem acreditar: Basta querer!

Agora é altura de "arregaçar mangas". Expressao estranha, escrita. Mas sei o que significa. 

Revejo o ano passado tal como um treinador reve os videos do ultimo jogo da sua equipa, para tirar ideias.

Reconheço erros, agora espero poder emendar. Nao duvido: Basta querer!

domingo, 6 de setembro de 2009

Surpresa

Apesar de nao ter sido eu quem fiz anos recentemente, o presente foi dado pelo Carlos (O Carlos Nao Está em "Outros")

O grande sorriso que fiz ao ver o teu trabalho disse tudo!

Obrigado!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Nun komm der Heiden Heiland

"Marie-Claire Alain at the Schnitger organ of the St. Laurenskerk (Alkmaar)"




Tradução atrapalhada: Agora que vem o Salvador dos Homens.

Nunca tinha posto antes uma gravaçao de qualquer peça de orgao que nao fosse eu o interprete, mas esta obra é do outro mundo.

Na Alemanha, os corais possuiam outro caracter. Ao serem tocados naqueles instrumentos, é como se ganhassem o seu verdadeiro significado.

Esta é uma das peças que tenho no bolso para este ano. Fantastico!