quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Outrora
Saí, fui até à varanda. À minha frente, grande parte do cemitério de Benfica. Nao me faz confusão nenhuma, até é ponto de reflexão. Por vezes dá-me a consciencia das gerações que passaram, e que eu agora faço parte tambem de uma. Da importância que temos agora na vida.
Continuava debruçado na varanda a pensar, quando me lembrei de repente de uma coisa que achei interessante. Há uns dias atrás, um jogador do Sporting, Vuckevic, disse que não gostava do futebol. Nao gostava de ver futebol (detestava, aliás), so gostava de jogar. Muitas pessoas ficaram chocadas, mas acho que entendi perfeitamente o que ele queria dizer. Porque eu detesto órgão. Não suporto estar num concerto de órgão, porque pura e simplesmente nao sou eu a tocar. Nao é egoncentrismo, não é por mal, mas nao consigo. Mexe comigo.
Pedro surgiu então, acordado de certo pela invasao que acabara de fazer ao seu quarto.
-Então irmao? Outra vez perdido nessa cabeça?
Não pude disfaçar, nao fosse ele o Lado-Oculto. Preferi manter-me calado, ao que ele disse:
-"Felizes os que nao vendo, acreditam".
Dito isto, saiu.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Sé de Lisboa
(Eu momentos antes do concerto)
Eram duas da tarde quando cheguei à Sé de Lisboa. Aproximei-me da imagem de Maria com Jesus morto nos braços, e acendi, como sempre faço quando lá vou, uma vela. Enquanto isso, o João fazia inudar a Sé ao som do enorme órgão.
O concerto era às 21:30, mas o dia prometia ser de ensaios. Antes de falar do concerto, apenas referir um pequeno episódio que aconteceu durante um ensaio que eu estava a ter com o meu professor:
O Joao tinha ido almoçar, eram 3 ou 4 da tarde, e assim o meu professor teve que tocar comigo a peça de Mozart a 4 mãos. A Sé esta aberta sempre que ensaiamos, apesar de
algum desconforto (pelo menos para mim), de termos constantemente turistas a passarem, aponteram e tirarem fotografias. Por vezes até se sentam para ouvirem um bocadinho.
Quando acabámos de tocar, ouvimos umas palmas, o que é raro de acontecer. Mesmo que tivessemos tocado uma peça excelente, os turistas nunca batem palmas. Mas daquela vez, alguem estava a fazer um chinfrim desgraçado. Olhei para o lado, e vi que eram duas asiáticas.
Terminada a peça, resolvi ir falar ao Jorge, um colega do IGL que tinha acabado de chegar. Enquanto conversava com ele, uma das raparigas asiáticas aproximou-se de mim e enquanto abanava a cabeça em sinal de agradecimento, dizia-me em inglês: "Obrigado, muito obrigado pela vossa música, foi espectacular!". Gostou tanto que segundo consta, voltou para o concerto à noite. Como disse o meu professor, ja tinhamos fãs.
Quanto ao concerto em si, foi a loucura. Era o primeiro, mais uma vez, o público falava falava falava.
Eu já estava sentado,
preparado para tocar, mas as pessoas nao paravam de falar. A peça
começava muito baixinho, e por isso
era incomodo para mim estar ouvir as pessoas a falar
sinal de que se estavam a cagar completamente. Enquanto tocava a peça, estava completamente cheio de adrenalina. As maos tremiam desenfreadamente, e tinha que respirar muito mais frequentemente para nao perder o controlo de tudo o que acontecia, como muitas vezes esteve perto de acontecer.
Para uma dessas vezes eu tinha a minha arma secreta. Sabia que se quisesse, esse nervosismo todo podia passar. Tinha um preço: por momentos iria ficar desconcetrado do que estava a tocar, e isso podia ser perigoso. "Caguei", pensei. E numa das vezes que estava perto de perder o controlo, fugi da Sé e fui ter com ela. Ah, que sensação de alivio! Via de relance, o quanto bastasse para voltar e continuar a tocar. Assim aconteceu. O resto? Brutal. A peça nao correu extraordinariamente bem, mas as palmas e os "EEEEEEEEEEEH, BRAVO BRAVO BRAVO!" que recebi souberam muito bem mesmo.
Aqui fica o "video" do concerto, aconselho a irem fazendo outra coisa qualquer enquanto ouvem, porque ver... so se vê eu a mexer a cabeça de um lado para o outro.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Sábado à noite
O concerto é este sabado, dia 19, com começo marcado entre as 21/21:30.
Ando em preparaçao mental. Passaram 7 meses desde o concerto passado, muitas coisas mudaram, mas felizmente as essenciais mantiveram-se.
Hoje estava a ensaiar na Sé, e senti o cheiro da nostalgia. De todas as emoçoes vividas naquela noite de Junho em que eu sabia que maior adrenalina era impossivel.
Desta vez vou tocar duas peças, uma delas sozinho. Uma delas vou estar entregue ao silencio de olhares postos em mim. Vou ser o unico a quem se permite fazer barulho naqueles instantes.
Sinto-me imensamente sozinho qd toco .. sozinho. Mas hoje foi outra vez diferente. No meu braço direito tinha um elástico que me teimava a dizer: "Vá, nao olhes para mim, olha para a partitura."
E eu sorria, inocentemente, como se nao entendesse o que isso significava.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Amanhecer
-O essencial é totalmente invisivel aos olhos.
-Conseguiste atingir um nivel mais bimbo do que eu.
"Ela tem cabelos loiros, ele tem tesouros para repartir."
domingo, 30 de dezembro de 2007
Perspectivas para 2008
Quando me ia preparar para começar uma enorme lista das coisas para 2008, parei e gritei para o Pedro: "-Hey, Oh, Vem cá, oh anormal...". Temos uma maneira peculiar de falar, mas sempre assim foi.
Apressado, Pedro chegou e disse:
-Diz, depressa, vou ter com a Cláudia.
Cláudia?, pensei. Afinal ja estava tudo resolvido. O perdão e o amor falaram mais alto que outra coisa qualquer. Um post que ficou oculto, nem era preciso expo-lo. Era bom saber que tinha ficado tudo bem.
-Era so para saber, o que é que tu queres para 2008, perguntei.
Muito rapidamente ele respondeu:
-Paz e amor.
E dito isto, saiu que nem uma seta, em direcção ao seu quarto. Passado 5 segundos, gritou:
- E TAMBEM UMA BICICLETA, SE PUDER SER!
Ok, percebi que nao valia muito a pena contar com qualquer sugestao dele. Elaborei, entao, a minha lista para 2008:
-Continuar com a minha namorada.
-Aprender a escrever em português (por vezes escrevo numa lingua qq parecida com a nossa, mas que nao é a nossa.)
-Fazer parapente.
-Fazer snowboard.
-Nao deixar cadeiras do IST para trás.
-Tocar num concerto na Sé de Lisboa a solo.
-Ser um catequista decente.
-Aprender as musicas do Michael Bublé, para depois quando o pianista dele se lesionar, eu possa substituir.
-Gostar um pouco mais do curso em que estou.
-Arranjar paciencia para aturar o ambiente desse curso.
-Desenjoar de algum enjo que tem aparecido em relação à Matemática.
-Ser convidado para ir tocar a missas.
-Ser pago para tocar em casamentos (epah, mas esta tem mesmo que se repetir :P )
-Arranjar uma afilhada e ser um bom padrinho.
-Ter paciencia para começar a escrever um pouco mais decentemente as histórias ocultas de Pedro ( que embora apareçam em posts soltos, tem um seguimento )
-Ir acampar mais vezes com o Grupo de Jovens ( e arranjar um nome decente para o mesmo).
-Ir a um concerto qq dos Coldplay, RATM, MB, FOB.
-Continuar envolvido no projecto da AE do IGL.
-Continuar a dar catequese à malta a quem estou agora a dar.
-Ter mais presente a noção de que com calma tudo se resolve.
-Ter fé.
-Chegar ao final de 2008, olhar para a lista e sorrir, porque ou grande parte foi feita, ou entao surgiram coisas que me esqueci de por na lista mas que até deram jeito!
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
André
E quem mais para me ajudar nessa tarefa do que o pequeno André. Ele chega. Passo a contar a história, totalmente verídica, que me faz sorrir mesmo quando as coisas teimam em correr mal. Porque esta história vai durar para sempre, e apesar de eu nem ter filhos ( e de, sinceramente, nao me ver a te-los. Assim poupo o trabalho do Natal. Vá, estou a brincar.. ), sinto que ja passei um legado, um nome, uma história, uma recordação.
A mãe do F. e o G., que sao ambos meus catequisandos do 2ºVolume, estava grávida. O bébé acabou por nascer no decorrer do ano passado lectivo, erro meu nao saber a data, mas creio que foi entre Fevereiro... e Maio!
Um dia, a senhora apareceu para ir buscar os miudos, como todos os Sábados de manha. Trazia consigo o bébé. Dizem que há bébés bonitos e feios, para mim é tudo igual. Alguns mais gordos ou mais magros, mais sorridentes ou mais choroes, mas na verdade aquele bébé eu iria achar o melhor do mundo.
Quando lhe perguntei o nome, a mae respondeu: "Chama-se André!". Olhei surpreendido, "que coicidência", pensei. E disse-me ainda a senhora: " E sabe porquê? Perguntámos, eu e o meu marido, ao F. e ao G., que nome queriam dar ao bébé. E eles disseram: André. Por sua causa!". Eu olhei estupefacto, mas insistiu: "Sim, é mesmo verdade!".
Olhei para o André com outros olhos. Olhei-o, vendo a marca de quem eu sou. Porque, para a toda a vida, carrega o meu nome. E se alguem, uma vez, tiver a curiosidade de lhe perguntar o porquê do nome, saberá, de certo, dizer: "Era um catequista dos meus irmãos!". Estranho. Mas sei que é por isso que tenho continuar a caminhada que estou a fazer, independentemente dos altos e baixos, para quando o André poder contar a história do seu nome, o faça com um grande sorriso na cara.
E sei que nao te vou desiludir. A ti, André, que sem saberes, tens comigo uma ligação tao grande.
sábado, 22 de dezembro de 2007
Conto de Natal
"
Tempos frios. As mãos congelam, andar na rua torna-se impossivel. Era noite de dia 23. Algures numa caixa de um supermercado, um senhor preparava-se para pagar. Usava um gorro sujo, assim como toda a sua roupa, gasta pela idade. Trazia consigo uma mochila às costas. Apenas comprava um garrafa de vinho e pouco mais. Pagou, e saiu lentamente do supermercado. Tinha que aproveitar os últimos momentos de algum conforto, para preparar a caminhada até casa.
Dezenas de pessoas cruzavam-se com ele, com uma pressa infernal de quem tem alguem à espera em casa. E entao lembrou-se que a senhora esperava tambem por ele. Fazendo um suspiro, pos-se a caminho.
O frio era aterrador. O seu casaco, gasto, ja pouco protegia do vento, e a chuva parecia teimar em querer cair.
Dezenas de carros passavam por ele, sem pressa. Lá dentro, as pessoas faziam sorrisos, cantavam, falavam... Era Natal! E entao lembrou-se que a senhora esperava por ele. Nao se podia atrasar.
O senhor vivia numa casa distante da cidade. Era um local onde os carros nao passavam e as luzes nao brilhavam. Nao tinha quartos, era muito simples. Abria-se a porta, e estava-se em toda a casa. A um canto, via-se com colchão com alguns lençois em cima. Noutro, uma pequena lareira fumegava, nao sendo suficiente para aquecer a casa.
A senhora levantou a cabeça quando o viu entrar, e sorriu:
- Entao, conseguiste alguma coisa?
O senhor posou a sua mochila, fez outro suspiro de alivio. Era bom estar em casa. Na sua casa.
- Trouxe-nos uma garrafa de vinho e alguns ingredientes para ajudar à nossa ceia de Natal.
A senhora riu-se. Ceia de Natal. Todos os anos, a ceia de Natal era uma mistura de saladas com algo mais requintado. Todos os anos, rezavam para que na próxima Ceia de Natal pudessem comer bem e estarem aquecidos. Todos os anos.
- Vamos dormir, disse o senhor. Amanha tenho que ir ver se arranjo mais qualquer coisa, quem sabe se nao é desta que comemos algo melhor!
Deitados no colchão, agarravam-se um ao outro na ansia de conseguirem o único calor que podia haver.. humano.
Frágil e com a idade a fazer-se sentir, a senhora precisava muito de descansar. O senhor esperou que ela fechasse os olhos, para tambem poder dormir. "Amanha é outro dia", pensou alto,"E vai ser amanha que vou conseguir encontrar algo para podermos comer decentemente. Enfim... Seja o que Deus quiser!". E vendo que a senhora ja dormia, pode descansar, finalmente.
Dormiam com um sorriso. Apesar de tudo, estavam juntos, e tinham a fé de que um dia poderiam estar numa Ceia de Natal.
Não sonhavam com mansões, com riqueza, com dinheiro. Não. Apenas sonhavam que um dia, poderiam estar sentados numa mesa, a sorrir ainda mais, e reconfortados para dizerem: "Feliz Natal!".
De súbito, o senhor acordou. A senhora continuava abraçada a ele, mas havia qualquer coisa de estranho. Olhou para onde estava deitado, e reparou que nao era o seu colchão. Era uma cama, grande, com muitos cobertores. Estava muito bem aconchegado. Nao fosse a estranheza da situação, teria ficado ali deitado, sem se mover.
Endireitando-se na cama, teve um enorme susto. Encontrava-se rodeado por muitas pessoas. Eram 10 pessoas de cada lado da cama, e em frente uma só pessoa. Sorriam para ele, mas nada diziam. O senhor beliscou-se, entao, para perceber se estava a dormir ou nao. Mas alguem lhe disse: "Deixa... isto é mesmo verdade!".
Abraçou a mulher com mais força, de tal modo que tambem a acordou. Sobressaltada, ela perguntou-lhe:
- Quem é esta gente toda?
O senhor nada dizia. Contudo, começou a olhar para as caras de cada uma, e riu-se. "Nao... vá, vamos lá acabar com este sonho.", pensou. Tinha reconhecido que as 20 pessoas que rodeavam a cama eram da sua familia, e tambem da familia da sua esposa. Mas no entanto, tambem sabia que essa gente toda ja tinha partido para o céu.
Só a pessoa do meio é que ainda lhe era desconhecida. Tinha barba, cabelos longos, um manto de purpura vermelho, era jovem. Foi a mulher que acabou por perceber, dizendo:
- Meu Deus!
E todos se riram da situação.
- Vá, tudo a ir-se embora. Quanto aos senhores, temos mais lugares na nossa Ceia de Natal. Quando quiserem, a mesa já está posta! disse o jovem de manto de purpura.
Ainda incrédula, a senhora responde um baixinho: "Obrigado Jesus!", ao mesmo tempo que o senhor, com um sorriso, afirma: "Sempre pensei que os anjos tinham asas!"
"
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Reencontro-me
O Natal de criança já se foi. O dia havia de chegar, eu sabia-o, mas é sempre estranho.
Lembro-me de chegar a casa dos meus avós e perder-me na alegria que era o reencontro após o verão, apenas 4 meses, que para crianças parece uma vida. O vermelho do Natal estava bem patente, eu conseguia "cheira-lo". Eram dias passados ansiosamente, tendo em vista aquela noite com toda a gente reunida.
O Natal de criança já se foi. Agora estou eu, em Dezembro, sem magia nenhuma. O André, aquele de 6 anos, puxa-me pelo robe e pergunta-me: "Já compraste algum presente para mim?". Eu sorrio. Apenas lhe digo: "Tenho andado ocupado, mas eu prometo.". Mal ele sabia que ja o tinha feito. Numa noite, antes de me deitar, escrevi numa folha aquilo que me vinha da cabeça. Um papel. Só isso. Contudo tinha tudo aquelo que eu "desejava", e abri-la-ei na noite de Natal. Um presente de mim para mim. Há certas alturas em que temos que ser um pouco egocentricos, pensei.
Enquanto escrevia isto, Pedro chegou. Vinha com um enorme sorriso, e eu sentia que mais alguem subia as escadas com ele.
"André?", chamou-me, "olha, trouxe-a comigo.", disse-me. Foi uma maneira um bocado estranha de apresentar a namorada, mas enfim... nem o nome acabei por saber.
Era de baixa estatura, morena, com um olhar muito cerrado. Os cabelos castanhos constratavam com a barba de Pedro, era estranho. Fez uma pequena vénia estilo séc.XVIII, e nao pude deixar de sorrir. Disse-me olá, e a sua voz ecoou. Era suave. Combinava em tudo com Pedro, interessante, pensei.
Meio bruscamente, virei-lhes costas e continuei a escrever, enfiado em papeis e papeis, o tempo nao permite outra coisa. Pedro percebeu. Veio ter comigo, e disse-me:
"Nao desistas. Ja faltou tanto. Ja foi tao pior. Um ultimo esforço..". Nao fosse a presença da sua namorada, e certamente teriamos tido uma enorme discussão, mas ele tinha razao.
Passado alguns minutos, desci as escadas, e na porta tinha um post-it de Pedro, escrito: "Lc 8, 22". Apeteceu-me amachucar o papel, farto daquelas frases sem nexo nenhum, com passagens da Bíblia em vez de conselhos práticos e eficazes como sempre fizera. Apeteceu-me, mas nao o fiz. Foi ler a passagem, fechei a Biblia, e reencontrei-me. Aos poucos. Mas vou-me reencontrado. Esse André que andou desaparecido após tanto tempo, com a brusca entrada na faculdade, vai-se encontrado. Mas o Natal, esse há-de sempre pertencer à criança. E ainda bem, é bom recordar memórias bem vividas. Amen.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Obrigado
Levantei-me bem cedo. O dia prometia ser longo. Ás 9:30 estava na Igreja de São Lourenço. Dirigi-me à sacristia, aonde eu esperava que estivesse o Padre Jorge. Afinal nao, era a vez do P.Filipe. Recebeu-me com um sorriso e perguntou-me ao que eu vinha. Expliquei-lhe a situação do Afonso, e a razao da venda dos Jornais da Catequese. Ele ficou muito baralho, e pediu-me para, na acção de graças, eu ir lá falar à frente.
Nao fiquei ansioso nem com medo. "Quem toca para 'multidoes', tambem sabe expor decentemente o problema para uma igreja cheia", pensei. Enquanto esperava ansioso a chegada da Andreia com os jornais, o tempo passava. A acção de graças aproximava-se, e jornais, nada. Meio baralhado, dirigi-me para o ambao quando terminou a comunhão. O Padre Filipe fez uma pequena introdução.
Enquanto isso, fitei as caras das pessoas. Era tudo gente idosa, cabisbaixos, acompanhando de certo o tom pobre e lento das musicas, embora cantadas com fé de quem so tem olhos para Ele. O P.F. passou-me a palavra. Eu estava debruçado sobre o ambao, e resolvi falar, decidido.
Comecei por falar do jornal, do propósito da venda desta edição, e depois tive uma frase que saiu e surpreendeu-me: "Podia ser eu, o meu irmao, o teu filho, o teu neto, não é. Saibamos dar graças a Deus por isso, mas saibamos tambem ajudar quem precisava.". Terá sido a formula para o P. Filipe voltar a falar.
Chegando-se perto do ambao, revelou-se: "Dizem que os jovens nao fazem nada? Aqui teem. Dizem que nao sao activos? Pois eles aqui estão. Ainda no outro dia vi imensos a participarem no Banco Alimentar Contra a Fome, de voluntariado. Onde estao os jovens que nao fazem nada? Devemos todos dar um euro, contribuir para esta causa, que sabemos que será entregue em boas maos!". Eu continuava no ambao, com um sorriso incredulo do que acabava de ver. E do que acabava de ouvir: enquanto o P.Filipe falava, ouvia-se o tilintar das moedas que as pessoas começavam a procurar no bolso.
Terminei o discurso, cheguei lá fora e estavam a Joana Marto e a Andreia, sorridentes, com os jornais na mao. Quando a missa acabou, foi a loucura. Toda, mas toda a gente que esta la dentro insistiu em dar dinheiro, as notas de 5 pareciam que choviam, a mensagem que queriamos transmitir nao podia ter sido dada da melhor maneira. Nao é de admirar que tenhamos os 3 ficado comovidos. As pessoas passavam por nos, davam o dinheiro, recusavam o jornal e ainda diziam: "Boa sorte para o rapaz, e bom trabalho!". E nos diziamos..: "Obrigado!"
Estavamos parvos. De tal modo que quisemos voltar a repetir a receita no Seminário da Luz. Era justo, nao era por nos, era por alguem que precisava. Mas aí tive outra vez receio. O Seminário da Luz era outro "estatuto". Por isso pedi ajuda a quem sabia que me podia ajudar: F. Albertino. Impecavel, la estava eu à hora combinada para falar. Fui menos agressivo, mas voltou a funcionar. Os jornais que eu levava esgotaram-se duas vezes, e era curioso ver pessoas que ja tinham comprado o jornal no dia anterior (sabado), voltarem a comprar.
No final, ja nao tinhamos quase mais jornais, e ainda faltavam duas missas. Tinha que ir para casa, embora ainda fosse a tempo de ver os sorrisos nas caras dos Nós, que diziam "Obrigado", incessantemente. Sorri tambem. Afinal, estavamos todos unidos por uma causa.
Foi para casa com a sensação de que metade do dia estava cumprido. Faltava a outra, e a mais decisiva.
Tinha sido convidado há umas semanas atrás para ir tocar a Alverca. A ideia era eu abrir o concerto com uma peça para orgao, e acompanhar o coro nas duas ultimas. Aceitei, sem olhar a datas, e sem olhar ao que eu tinha que tocar.
Foi uma optima expriencia. Era o meu primeiro concerto em que estava envolvido, nao sendo com ou atraves do IGL. Soube bem. Foi uma longa tarde de ensaios, mas nada soube melhor do que perto das 6 tarde, sentar-me dentro da sacristia numas cadeiras muito confortaveis que para la haviam, enquanto o coro ensaiava. Era o descanso de semanas, sabia bem. Nao tinha que fazer nada, soube bem.
O jantar passou-se, chegava a altura do concerto. Mais uma vez nao estava nervoso. Seria do publico, que nao era decididamente o mais entendido na matéria? Ou seria porque... ? Foi porque. Quando o concerto começou, fui sentar-me ao orgao. Tinha os olhares todos fixos em mim, mas passou-me tudo sem me incomodar. Ao meu lado tinha a Laura, que iria virar as páginas. Sentei-me, parei, baixei a cabeça, e os oculos iam caindo (estao a precisar de uma afinaçaozita!). E quando comecei a tocar, consegui sentir a musica outra vez. Era uma sensação rara. Até que, consciente e seguro do que estava a fazer, lembrei-me de Alguem. E um grande sorriso apareceu na minha cara. Tudo estava a correr bem, mas porque alguem tinha acreditado mais em mim, do eu próprio.
Quando parei, soaram as palmas. Com um sorriso, esbocei um "obrigado", e sai. Voltei, minutos mais tarde, para acompanhar o coro. E quando estavamos todos reunidos a agradecer as palmas, depois de termos empurrado o (grande!) maestro para ser ovacionado, empurraram-me tambem a mim, para frente daquela gente toda, para ser aplaudido outra vez. Agradeci, mas agradeci mais, muito mais, a esse Alguem, que insiste em marcar o meu caminho, mesmo quando ja por vezes eu nem acredito em mim.
Um Domingo fantastico. Obrigado!
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
....
http://palcoprincipal.clix.pt/mc_ciganita
Claro que pouco mais há a dizer. Poderia escrever um enorme post acerca do estado decadente da música em Portugal, mas acho que nao iria servir de muito. "Desfrutem"!
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Puzzle esquisito
- André! André! André! , gritava esbaforido pela corrida que tinha estado a fazer. Cansado do final do dia, eu contrava-me debruçado sobre o computador, numa tentativa desesperada para que algo entrasse na minha cabeça, em vesperas de teste. Um "Sim, diz", foi tudo o que eu consegui emitir. Ele continuava:
- Epah, nem sabes. Nem vais imaginar! É que nem te passa... , e isto sim, fez-me levantar a cabeça. Nao era nada genero dele começar frases com Epah, nem algo tao enérgico. Olhei para ele, tinha montes de adrenalina pegada aos olhos. Correria o mundo inteiro, se fosse preciso. Eu atendi o que se passava, mas continuava a tentar nao perceber. Meio atónito, balbuciei: "Quem é ela?"
Pedro nada disse. Fitava distante o luar lá fora. Sorria com um sorriso do tamanho do mundo. Amava, isso era certo. Até eu ri e sorri. "Quem diria", pensei eu, "que este tipo ainda ia conseguir uma namorada..". Entao Pedro virou-se, e respondeu-me com um ar mais sério:
- Não sejas preconceituoso, André. Há imensa coisa que ainda tens que aprender. , o tom de voz era mais calmo, quase paternal. , Contudo, para nao pensares que eu so "ensino", posso-te dizer que aprendi a amar.
Foi o delírio. Desmanchei-me a rir, dizendo no meio das gargalhadas: "Mas que frase bimba!". E nao me interessei muito pelo que ela significava. Pedro foi-se embora, parecia que alguma mensagem que me queria entregar, estava entregue.
Voltei a mergulhar nos livros, no computador, em números ficticios que passavam tudo o que eu imaginava. "Aprendeu a amar?!". O mestre, Pedro de Arimateia, aquele que tudo sabia, aprendeu? Senti-me ainda mais ignorante.
Quando me ia deitar, tinha um papel em cima da cama. Era a letra de Pedro, que dizia: "Mt 21, 22". E certas peças do puzzle continuam sem encaixar.
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Testes
São, claramente, o maior entrave na vida de um jovem. Senão vejamos:
Tenho amanha (Sabádo), às 9 da manha. Isso impede-me de poder estar totalmente no GJ d'hoje, impede-me de ir dar catequese amanha (o que contribui para que eu esteja um mes sem dar catequese), e acima de tudo, impede-me de ter "vida".
Talvez isso nem soe muito estranho se eu chegar ao teste e souber fazer decentemente aquilo. Contudo a Matemática tem destas coisas. Até ao 12ºano era tudo muito bonito, agora fica-se na expectativa de saber se afinal ainda somos capazes de algumas habilidades ou nao. Veem-se mais letras que numeros, veem-se teoremas e demonstrações. Deveria sorrir, pois gosto disso, mas "tudo o que é demais, enjoa!". E amanha pimba, fazer um teste de Álgebra Linear às 9 da manha.
Testes... Sem comentários.
So para concluir, deixo aqui uma cena caricata que aconteceu no teste da semana passada: num dos exercicios, havia algo que nao estava muito bem explicito. Um dos profs nao hesitou, e em vez de dar so um empurraozinho para depois os alunos chegaram lá, fez exactamente o que nao devia, começou a falar e a escrever no quadro o que significava aquele "hieroglifo". Depois ficou pasmado a olhar para o quadro, e ainda consegui dizer: "Huuuuuuuuum.... acho que nao devia ter dito isto".
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Silêncio murmurante
André Ferreira e Pedro Freitas. Concerto Final do Instituto Gregoriano de Lisboa, com a actuação do Coro Gregoriano, Coro Infantil e nós os dois, a Órgão.Relembro agora, passado 5 meses, esse grande dia que foi o concerto na Sé de Lisboa. Talvez porque estou prestes a repeti-lo, e porque tem sido constante a pergunta: "Entao André, como foi tocar na Sé?". Não sei! Continuo sem saber. Estava literalmente perdido noutro lugar.
Deveria ter vomitado, ter o estomago à volta, mas nao tive. Deveria ter tremido, ter vacilado, mas assim nao foi.
E tudo porque recebia mensagens que nao o permitiam. Ahahaha, como é possivel? Como é que os nervos passaram-me todos ao lado?
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Desconhecidos
Embora custume andar na rua com a cabeça a vaguear por pensamentos, várias vezes são as ocasiões que a palavra "desconhecido" tem significado. É comum ir aqui em Carnide, e as pessoas mais idosas passarem por mim, fazerem um sorriso e dizerem: "Boa tarde!". Eu sorrio. São desconhecidas, embora quase que saiba o porquê do "Boa tarde!".
É comum desviar-me desses pensamentos e prestar atenção a quem passa. Por mera curiosidade, várias feições revelam diferentes sentimentos. Olhares distantes, cabisbaixos, apressados, tudo.
18:30. Depois de ter estado no Gregoriano, apanhei o metro em Entre-Campos para o Marquês de Pombal. Cansado, tive a sorte de, no Marques, ter apanhado um Metro com lugares livres. Sentei-me. Ao meu lado estava um senhor que jogava freneticamente GameBoy, enquanto falava ao telefone. Olhei melhor para ele e reparei que obviamente era alguem que tinha crescido, agarrado ainda aos belos prazeres da infância.
Voltei a vaguear na minha cabeça, com o olhar fixado no painel que diz: "Proxima estação:...". Por momentos, desviei o olhar e reparei que a senhora que estava sentada do lado oposto ao meu tinha a cara toda vermelha. Talvez não me tivesse apercebido melhor da situação, caso ela não estivesse a chorar compulsivamente. Encolhida sobre si, enconstada o máximo possivel à janela, as lágrimas corriam sem parar. Tentava controlar os soluços, mas não consiga. Fazia impressao.
A palavra "desconhecido" ganhava, então, um novo significado. As pessoas que estavam nesse Metro aperceberam-se da situação, e notava-se um certo clima de "Quero ajudar, mas nao posso". Não? Não. Porque era desconhecida. Porque nada ligava essa senhora a quem estava no Metro, e ninguem se queria intrometer. Chorava, era claro que precisava de alguem que lhe dissesse "Está tudo bem.". Mas ninguem o podia fazer.
Retirei o meu olhar incrédulo, que durou meio segundo, de volta ao painel da "Proxima estação...". E quando sai em Carnide, ela ainda lá estava. A chorar. E percebia-se que era uma dor que destruia-lhe tudo o que tinha dentro de si.
Fui para casa a perguntar-me se devia ter dito alguma coisa. Mas o que? Que poderia eu ter dito? "Ora, não chore, a vida continua", parecia-me tao absurdo que quase me ri so de pensar nesta frase. Era impossivel dizer alguma coisa. Fica a intenção. Porque eramos todos, todos aqueles que estavam no Metro nesse momento, uns meros desconhecidos.
sábado, 10 de novembro de 2007
Caminho
Ontem, enquanto descia para o GJ, pensava na enorme caminhada que é a vida.
Olhei para o lado, e reparei que comigo caminhavam dezenas, centenas, sei la... milhares de pessoas, todas elas deixando a sua marca (umas maiores, outras mais pequenas, mas todas com o seu significado).
Percebi que há um imenso caminho para se fazer. Percebi isso com um sorriso na cara. Mais momentos fantásticos ainda estão por vir. Mas para isso tenho que caminhar. E não estou sozinho.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Fugacidade
Rápido! Não há tempo a perder! Mudar freneticamente de um lado para o outro!
Que dias.. Dias em que não temos tempo para nada, não temos tempo para nós, não temos tempo para o que nós mais gostávamos de fazer. A azafama é tanta que me perco na barafunda de um horário preenchido.
Tempo. Era tudo o que eu ansiava este ano, como até posso relembrar com uns posts anteriores. Tempo. É tudo o que me tem vindo a faltar. Tempo para Mim. Tempo para não fazer nada de nada, para poder abraçar a vida da maneira que eu gosto.
Nem me vejo como Eu. Vejo-me como uma máquina que trabalha, sujeita a não parar um minuto. Mas agora, enquanto escrevo, respiro fundo. "Finalmente!". Minutos em que posso parar e pensar. Algo tão essencial.. "parar e pensar".
Sorrio quando penso que é por este estilo de vida que darei mais valor a outro que venha a ter. Talvez antes tinha tanto tempo para poder fazer tudo o que queria, que não me apercebia da sorte que isso era. De certeza que da próxima vez ja saberei a sorte que é.
Mas isto sufoca-me. Perde-me. Só queria era que houvessem mais horas, alem do dia, em que fosse proibido fazer o habitual. Em que nessas horas, tudo era permitido excepto manter uma rotina. Fugir, porque não? Agora faço-o, mas é em pensamento, enquanto ando rápido na rua e anseio pelo fim do dia, para poder descansar em paz.
Não há Pedro sequer. Esse apercebeu-se a tempo e resolveu "tirar férias". Agora estou entregue a este tempo, agora sou mais uma daquelas pessoas que vagueia apressadamente pelas ruas, mudando de destino, porque não se podem perder com o tempo. E porque não teem tempo para elas.
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Halloween
O primeiro tema dos Posts Paralelos é sobre este magnifico dia. "Magnifico?" penso para mim enquanto escrevo...
Esforço-me para lhe achar uma certa piada, mas não consigo. Adorava entrar no espírito do dia, mas obviamente que Portugal é o local menos apropriado para o fazer.
Dada a minha certa ignorância sobre o tema, resolvi ir pesquisar melhor acerca disto. Primeiro facto interessante é de que a designação de "Dias das Bruxas" so é usada pelos povos de Lingua Portuguesa, não sendo nenhuma tradução do estrangeiro. E que muito possivelmente o Dia de Todos os Santos terá sido imposto pela Igreja para evitar esta "desavergonhice" que certos povos andavam a fazer :P
Tentei lembrar-me das vezes que se fez alguma coisa entre a malta, no noite do Dia das Bruxas. Preferi nao lembrar-me: acabou sempre por haver porcaria!
Um ano, acho que foi no 8º, organizou-se uma discoteca na escola, que começou e acabou às moscas. No 9º ano fez-se um jantar, depois de jantar alguem teve a excelente ideia de se por a gozar com as pessoas que passavam de carro, até que passou alguem que não gostou la muito do jogo, e dei por nós a correr como loucos enquanto o carro nos "perseguia" lentamente.
A partir daí limitei-me a olhar o cemitério à noite, que consigo ver aqui de casa. "Blurgh!", dizem voces. Mas nestes dois dias (Halloween e Todos os Santos), o cemitério fica momentaneamente iluminado pelas milhares de velas que as pessoas deixam acesas.
Acho que me vou ter que esforçar um pouco mais para ver se passo um Halloween diferente! Mas interessante interessante vai ser a mitica pergunta de: "Então digam lá como foi o vosso Halloween?" aos putos da catequese, e ouvir as respostas mais estapafurdias que nunca esparia ouvir! É o que dá ser criança..!
sábado, 27 de outubro de 2007
Posts Paralelos
Bom, pondo o Pedro de lado ( que tem andado desaparecido nestes últimos dias ), sugeri à Cacao (autora do blog Dedos Livres) que fizessemos algo que cruzasse opinioes. Mas de uma maneira.. diferente, ou seja, são temas escolhidos por nós, e em cada semana preparamos um post acerca desse tema, contendo o que cada um bem entender (texto, imagens, video. O que cada um entender)
Acho que será interessante (no minimo, e divertido de se fazer tambem), e assim pertende-se isso mesmo: ver dois olhares diferentes sobre exactamente o mesmo ponto.
Sinceramente não sei o que sairá daqui, mas tou curioso :P Esta semana já deve saír algo sobre o primeiro tema ( que so revelaremos quando pusermos o post [acho eu] ).
Posts Paralelos (nome dado pela Cacao), brevemente, aqui e mais uma vez aqui
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Fim
Sorriste com uma leve dor de barriga, porque não querias que nada daquilo estivesse a acontecer. Leve? Ok, fortissima. Eu tambem nao queria, e ela tambem nao queria.
Ouviste tudo o que eu disse, e nao tenho duvidas de que ficaste orgulhoso. Pera, sabes que nao fiz isto para tu ficares orgulhoso. Nem sei donde veio esta força para fazer isto tudo.
Não perdi nunca a cabeça, e senti que estava a transformar aquilo a que se chama Amor em algo que... hum... tu percebes, em algo taooooo mais à frente do que isso! Entreguei-me, de maneira a estar sempre ao lado de quem merecia muito mais. Não virei costas, não fiquei frustrado nem chateado, porque.. nao consigo e nao quero. E ela merece muito mais que isso.
Hoje senti-me plenamente O André. Não que não o andasse a sentir nos outros dias, mas isto tudo tem sido tao estranho, desde a entrada no IST, que so agora pude sentir-me como sempre fui nestes 4 meses, e no resto da minha vida (mas mais ainda naqueles 4 meses, recordo-te): André. Porque fiz algo que representa tudo o que sou e tudo aquilo que serei, porque herdei de alguem.
E hoje tu sorris, e eu tambem, porque caminho ao lado daquela pessoa que tu um dia me apontaste.
Saí de lá de cabeça erguida, de sorriso aberto, de lágrimas a cairem. Que tripla... Mas foi assim.
Não há justiças nem injustiças, embora ache que isto tudo seja.... sim, injusto.
Deixemos Lado-Ocultos de lado, deixa-me falar-te sendo eu, o André. Deixa-me pedir-te desculpa por tudo o que eu disse. Não merecias sequer que tivesse desviado o olhar de ti. Sei que não me abandonaste, mas isto é tao angustiante que sinto mesmo isso. Mas sei que nao. É tentar viver com um espinho cravado no coração, que tu docilmente me foste pondo, e para o qual eu olhoo....e sorrio. Serei parvo? Masoquista? Não, se é assim que o queres, sei que um dia mais tarde te darei graças por teres feito isto tudo. Nao sei como, nem porque, mas fa-lo-ei.
Ver-te-ei sempre 2 vezes ao fim-de-semana, (como te deverei tratar: Senhor? Jesus?), na Missa dos Escuteiros (é irresistivel ouvir aquele coro. Mesmo!!) e na minha Missa (ainda mais aliciante :P). E ainda nao te esqueças que todas as sextas ( e aproveito a conversa que estamos a ter para alertar todos os que estejam a ler isto), entre as 15 e as 17, la estarei eu, a tocar Órgão na Igreja da Luz, a fazer aquelas figuras meio apalhaçadas enquanto tocas, mas que tu nao te importas com isso (nem com o som, obrigado :) )
Olha por mim, e por ela.
Porque nestes 4 meses puseste em mim o sonho de uma criança. E ainda tenho esperança de que esse sonho, apesar de tão utópico e tão magico.. seja realizado!
Amen!
sábado, 20 de outubro de 2007
Lado-Oculto
Chegou-se ao pé de mim, com os seus simples modos. Olhou para mim, eu olhei para ele, baixei a cabeça e continuei a trabalhar. Passado algum tempo dirige-me a palavra, dizendo:
"Estás triste, estás apaixonado e com medo de a perder..."
Estarreci. Parei. Congelei. "Quem és tu?" era a pergunta que mais me saltava à cabeça. "Quem és tu para chegar, olhar e decifrar o indecifravel?". Mas nada disse. Limitei-me a olhar, estupefacto, para a personagem que se encontrava à minha frente.
E debitou verdades inabalaveis acerca do amor. Perguntei-lhe: "Como sabes isso tudo?"
Respondeu: "Não interessa."
Na sua simplicidade, sorriu. Mas era um sorriso de quem vive dentro de si mesmo. De quem aprende as verdades da vida à custa de si mesmo, sem ninguem. Mas continuava a sorrir.
"Descansa, é ela.", disse-me nas entrelinhas.
Saiu, sem dizer nada. Saiu como entrara, numa forma muito simples de se movimentar. Porém, antes de sair, disse apenas:
"Não me procures conhecer. Sou e vivo sozinho. Não tenho alma.". E saiu.
(História verídica, embora com alguns pequenos aspectos alterados.)
Se o meu Lado-Oculto existisse verdadeiramente, não exitaria em dizer que ele seria ele. Mas algo torna o meu Lado-Oculto impossivel de reproduzir na realidade: de vir de mim para mim.