quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Silêncio murmurante

André Ferreira e Pedro Freitas. Concerto Final do Instituto Gregoriano de Lisboa, com a actuação do Coro Gregoriano, Coro Infantil e nós os dois, a Órgão.

Caras de crianças. Com responsablidade de gente grande.


Relembro agora, passado 5 meses, esse grande dia que foi o concerto na Sé de Lisboa. Talvez porque estou prestes a repeti-lo, e porque tem sido constante a pergunta: "Entao André, como foi tocar na Sé?". Não sei! Continuo sem saber. Estava literalmente perdido noutro lugar.


Deveria ter passado uma semana borrado de medo, so de pensar que ia tocar com a Sé cheia, e ainda por cima era uma peça a 4 maos, ou seja, se eu fizesse porcaria, ainda pior. Deveria. Mas nao passei.


Deveria ter vomitado, ter o estomago à volta, mas nao tive. Deveria ter tremido, ter vacilado, mas assim nao foi.

E tudo porque recebia mensagens que nao o permitiam. Ahahaha, como é possivel? Como é que os nervos passaram-me todos ao lado?

Ainda me lembro, quase como se fosse ontem. (Tambem nao passou muito tempo).
O Coro Gregoriano (aonde eu tambem cantava) tinha acabado de actuar. As palmas ecoavam pela Sé, o Coro saía de frente do altar, e eu ficava. Dirigi-me para o órgão. O Pedro já estava lá.
Minutos antes de ter saído da sacristia para cantar com o Coro, vi rapidamente o meu telemovel. Tinha la A mensagem. Aquela que faria tudo mudar outra vez. Tinha as palavras "ARRASA COM A SÉ" escrita como um berro e com um sorriso, de certo. Como poderia temer? Tinha quem mais precisava ao meu "lado".
E la estávamos nos os dois sentados naquele banco, com centenas de olhares recaídos sobre nós. Murmurava-se baixinho, enquanto nos preparavamos as partituras (vulgo "pautas"). Respirámos fundos. Creio que terei dito para o Pedro: "Vamos la crl, vamos la arrasar com isto.". Ele riu-se, e respirou fundo tambem. Ja nao se murmurava, falava-se. Era um barulho enorme e tive medo, por uns instantes, que o som não se ouvisse (irónico, eu sei, mas era bem possivel). Era eu que começava, que tocava a primeira nota, que diria a toda gente: "ESTAMOS A TOCAR, PAH!".
E assim foi. Mal toquei a primeira nota, um Lá grave, muito suave, nao soou a nada. O público falava imenso. De repente alguem mandou calar o publico com um audivel "SHIUUUU!" e.... um silêncio tremendo apoderou-se da Sé. Um silêncio quebrado pelo leve som do órgão, triste e melancolico.
A peça foi passando, o som aumentando cada vez mais. No final, os ultimos acordes eram autenticos berros dos tubos. O que passou pelo meio? Nao sei. Nao me lembro. Estava perdido noutra.
O último acorde... esse tao perigoso ultimo acorde. Ou acabava bem, ou era uma miséria. Felizmente acabou lindamente. Aos tirarmos os dedos dos teclados do órgão, o público começou lentamente a bater palmas. E la fui eu e o Pedro, à frente do altar, agradecer. Isso sim, choca. Comove. Não sei explicar. Uma sensação unica.
Saí, e so queria dizer obrigado a quem me tinha mandado aquela mensagem. Tenho a certeza absoluta que se essa mensagem nao tivesse aparecido como e quando apareceu, a história que eu estaria a escrever aqui seria bem diferente.
"ARRASA"!

3 comentários:

Ana Rita Sousa disse...

Nao sou ninguem para to dizer. Mas digo-te a mesma: arrasa com o curso, com a matematica, sei la.
E verdade que é dificil, um grande choque, mas é um sonho ou não é?
Quem disse que conquistar um sonho é facil? Ha sempre um caminho penoso a percorrer, afinal,se assim nao fosse, nao seria um sonho!
E no fim (que agora parece ainda longe, ate para mim que dei 2 ou 3 passos a mais que tu!) vais olhar para tras, sorrir e dizer "boa! consegui e valeu a pena!". Pelo menos eu quero acreditar que assim é=PPP

Cacao disse...

(essa palavra, arrasa, faz lembrar a Catarina Furtado no dança comigo. Passa a vida a dizer "ARRASA", de maneira que, er... nao gosto da palavra:P eheheh)

Cacao disse...

tema desta semana em qe estamos: testes? (LOOL);P