domingo, 30 de dezembro de 2007

Perspectivas para 2008

Este post é parelelo! O seu reverso está em Dedos Livres.

Quando me ia preparar para começar uma enorme lista das coisas para 2008, parei e gritei para o Pedro: "-Hey, Oh, Vem cá, oh anormal...". Temos uma maneira peculiar de falar, mas sempre assim foi.
Apressado, Pedro chegou e disse:
-Diz, depressa, vou ter com a Cláudia.
Cláudia?, pensei. Afinal ja estava tudo resolvido. O perdão e o amor falaram mais alto que outra coisa qualquer. Um post que ficou oculto, nem era preciso expo-lo. Era bom saber que tinha ficado tudo bem.
-Era so para saber, o que é que tu queres para 2008, perguntei.
Muito rapidamente ele respondeu:
-Paz e amor.
E dito isto, saiu que nem uma seta, em direcção ao seu quarto. Passado 5 segundos, gritou:
- E TAMBEM UMA BICICLETA, SE PUDER SER!
Ok, percebi que nao valia muito a pena contar com qualquer sugestao dele. Elaborei, entao, a minha lista para 2008:

-Continuar com a minha namorada.
-Aprender a escrever em português (por vezes escrevo numa lingua qq parecida com a nossa, mas que nao é a nossa.)
-Fazer parapente.
-Fazer snowboard.
-Nao deixar cadeiras do IST para trás.
-Tocar num concerto na Sé de Lisboa a solo.
-Ser um catequista decente.
-Aprender as musicas do Michael Bublé, para depois quando o pianista dele se lesionar, eu possa substituir.
-Gostar um pouco mais do curso em que estou.
-Arranjar paciencia para aturar o ambiente desse curso.
-Desenjoar de algum enjo que tem aparecido em relação à Matemática.
-Ser convidado para ir tocar a missas.
-Ser pago para tocar em casamentos (epah, mas esta tem mesmo que se repetir :P )
-Arranjar uma afilhada e ser um bom padrinho.
-Ter paciencia para começar a escrever um pouco mais decentemente as histórias ocultas de Pedro ( que embora apareçam em posts soltos, tem um seguimento )
-Ir acampar mais vezes com o Grupo de Jovens ( e arranjar um nome decente para o mesmo).
-Ir a um concerto qq dos Coldplay, RATM, MB, FOB.
-Continuar envolvido no projecto da AE do IGL.
-Continuar a dar catequese à malta a quem estou agora a dar.
-Ter mais presente a noção de que com calma tudo se resolve.
-Ter fé.
-Chegar ao final de 2008, olhar para a lista e sorrir, porque ou grande parte foi feita, ou entao surgiram coisas que me esqueci de por na lista mas que até deram jeito!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

André

É nestes dias ( logo neste, é incrivel... ) em que tudo nos corre mal, desde o momento em que pomos o pé fora da cama, que preciso de me relembrar de algo para me animar. Urgentemente.

E quem mais para me ajudar nessa tarefa do que o pequeno André. Ele chega. Passo a contar a história, totalmente verídica, que me faz sorrir mesmo quando as coisas teimam em correr mal. Porque esta história vai durar para sempre, e apesar de eu nem ter filhos ( e de, sinceramente, nao me ver a te-los. Assim poupo o trabalho do Natal. Vá, estou a brincar.. ), sinto que ja passei um legado, um nome, uma história, uma recordação.

A mãe do F. e o G., que sao ambos meus catequisandos do 2ºVolume, estava grávida. O bébé acabou por nascer no decorrer do ano passado lectivo, erro meu nao saber a data, mas creio que foi entre Fevereiro... e Maio!

Um dia, a senhora apareceu para ir buscar os miudos, como todos os Sábados de manha. Trazia consigo o bébé. Dizem que há bébés bonitos e feios, para mim é tudo igual. Alguns mais gordos ou mais magros, mais sorridentes ou mais choroes, mas na verdade aquele bébé eu iria achar o melhor do mundo.

Quando lhe perguntei o nome, a mae respondeu: "Chama-se André!". Olhei surpreendido, "que coicidência", pensei. E disse-me ainda a senhora: " E sabe porquê? Perguntámos, eu e o meu marido, ao F. e ao G., que nome queriam dar ao bébé. E eles disseram: André. Por sua causa!". Eu olhei estupefacto, mas insistiu: "Sim, é mesmo verdade!".

Olhei para o André com outros olhos. Olhei-o, vendo a marca de quem eu sou. Porque, para a toda a vida, carrega o meu nome. E se alguem, uma vez, tiver a curiosidade de lhe perguntar o porquê do nome, saberá, de certo, dizer: "Era um catequista dos meus irmãos!". Estranho. Mas sei que é por isso que tenho continuar a caminhada que estou a fazer, independentemente dos altos e baixos, para quando o André poder contar a história do seu nome, o faça com um grande sorriso na cara.

E sei que nao te vou desiludir. A ti, André, que sem saberes, tens comigo uma ligação tao grande.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Conto de Natal

Nunca me quis aventurar por este caminho: Escrever. Mas como tenho lido ultimamente, nao sabemos o resultado se nao arriscarmos. Fica aqui entao uma pequena história, imaginada em 5 minutos, depois de ter visto a pessoa em questão.


"

Tempos frios. As mãos congelam, andar na rua torna-se impossivel. Era noite de dia 23. Algures numa caixa de um supermercado, um senhor preparava-se para pagar. Usava um gorro sujo, assim como toda a sua roupa, gasta pela idade. Trazia consigo uma mochila às costas. Apenas comprava um garrafa de vinho e pouco mais. Pagou, e saiu lentamente do supermercado. Tinha que aproveitar os últimos momentos de algum conforto, para preparar a caminhada até casa.


Dezenas de pessoas cruzavam-se com ele, com uma pressa infernal de quem tem alguem à espera em casa. E entao lembrou-se que a senhora esperava tambem por ele. Fazendo um suspiro, pos-se a caminho.


O frio era aterrador. O seu casaco, gasto, ja pouco protegia do vento, e a chuva parecia teimar em querer cair.


Dezenas de carros passavam por ele, sem pressa. Lá dentro, as pessoas faziam sorrisos, cantavam, falavam... Era Natal! E entao lembrou-se que a senhora esperava por ele. Nao se podia atrasar.


O senhor vivia numa casa distante da cidade. Era um local onde os carros nao passavam e as luzes nao brilhavam. Nao tinha quartos, era muito simples. Abria-se a porta, e estava-se em toda a casa. A um canto, via-se com colchão com alguns lençois em cima. Noutro, uma pequena lareira fumegava, nao sendo suficiente para aquecer a casa.


A senhora levantou a cabeça quando o viu entrar, e sorriu:
- Entao, conseguiste alguma coisa?



O senhor posou a sua mochila, fez outro suspiro de alivio. Era bom estar em casa. Na sua casa.


- Trouxe-nos uma garrafa de vinho e alguns ingredientes para ajudar à nossa ceia de Natal.


A senhora riu-se. Ceia de Natal. Todos os anos, a ceia de Natal era uma mistura de saladas com algo mais requintado. Todos os anos, rezavam para que na próxima Ceia de Natal pudessem comer bem e estarem aquecidos. Todos os anos.


- Vamos dormir, disse o senhor. Amanha tenho que ir ver se arranjo mais qualquer coisa, quem sabe se nao é desta que comemos algo melhor!


Deitados no colchão, agarravam-se um ao outro na ansia de conseguirem o único calor que podia haver.. humano.


Frágil e com a idade a fazer-se sentir, a senhora precisava muito de descansar. O senhor esperou que ela fechasse os olhos, para tambem poder dormir. "Amanha é outro dia", pensou alto,"E vai ser amanha que vou conseguir encontrar algo para podermos comer decentemente. Enfim... Seja o que Deus quiser!". E vendo que a senhora ja dormia, pode descansar, finalmente.


Dormiam com um sorriso. Apesar de tudo, estavam juntos, e tinham a fé de que um dia poderiam estar numa Ceia de Natal.


Não sonhavam com mansões, com riqueza, com dinheiro. Não. Apenas sonhavam que um dia, poderiam estar sentados numa mesa, a sorrir ainda mais, e reconfortados para dizerem: "Feliz Natal!".


De súbito, o senhor acordou. A senhora continuava abraçada a ele, mas havia qualquer coisa de estranho. Olhou para onde estava deitado, e reparou que nao era o seu colchão. Era uma cama, grande, com muitos cobertores. Estava muito bem aconchegado. Nao fosse a estranheza da situação, teria ficado ali deitado, sem se mover.


Endireitando-se na cama, teve um enorme susto. Encontrava-se rodeado por muitas pessoas. Eram 10 pessoas de cada lado da cama, e em frente uma só pessoa. Sorriam para ele, mas nada diziam. O senhor beliscou-se, entao, para perceber se estava a dormir ou nao. Mas alguem lhe disse: "Deixa... isto é mesmo verdade!".


Abraçou a mulher com mais força, de tal modo que tambem a acordou. Sobressaltada, ela perguntou-lhe:
- Quem é esta gente toda?



O senhor nada dizia. Contudo, começou a olhar para as caras de cada uma, e riu-se. "Nao... vá, vamos lá acabar com este sonho.", pensou. Tinha reconhecido que as 20 pessoas que rodeavam a cama eram da sua familia, e tambem da familia da sua esposa. Mas no entanto, tambem sabia que essa gente toda ja tinha partido para o céu.

Só a pessoa do meio é que ainda lhe era desconhecida. Tinha barba, cabelos longos, um manto de purpura vermelho, era jovem. Foi a mulher que acabou por perceber, dizendo:

- Meu Deus!


E todos se riram da situação.

- Vá, tudo a ir-se embora. Quanto aos senhores, temos mais lugares na nossa Ceia de Natal. Quando quiserem, a mesa já está posta! disse o jovem de manto de purpura.

Ainda incrédula, a senhora responde um baixinho: "Obrigado Jesus!", ao mesmo tempo que o senhor, com um sorriso, afirma: "Sempre pensei que os anjos tinham asas!"

"




sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Reencontro-me

Tempos de Outono. O Natal passa-me ao lado.

O Natal de criança já se foi. O dia havia de chegar, eu sabia-o, mas é sempre estranho.
Lembro-me de chegar a casa dos meus avós e perder-me na alegria que era o reencontro após o verão, apenas 4 meses, que para crianças parece uma vida. O vermelho do Natal estava bem patente, eu conseguia "cheira-lo". Eram dias passados ansiosamente, tendo em vista aquela noite com toda a gente reunida.

O Natal de criança já se foi. Agora estou eu, em Dezembro, sem magia nenhuma. O André, aquele de 6 anos, puxa-me pelo robe e pergunta-me: "Já compraste algum presente para mim?". Eu sorrio. Apenas lhe digo: "Tenho andado ocupado, mas eu prometo.". Mal ele sabia que ja o tinha feito. Numa noite, antes de me deitar, escrevi numa folha aquilo que me vinha da cabeça. Um papel. Só isso. Contudo tinha tudo aquelo que eu "desejava", e abri-la-ei na noite de Natal. Um presente de mim para mim. Há certas alturas em que temos que ser um pouco egocentricos, pensei.

Enquanto escrevia isto, Pedro chegou. Vinha com um enorme sorriso, e eu sentia que mais alguem subia as escadas com ele.

"André?", chamou-me, "olha, trouxe-a comigo.", disse-me. Foi uma maneira um bocado estranha de apresentar a namorada, mas enfim... nem o nome acabei por saber.
Era de baixa estatura, morena, com um olhar muito cerrado. Os cabelos castanhos constratavam com a barba de Pedro, era estranho. Fez uma pequena vénia estilo séc.XVIII, e nao pude deixar de sorrir. Disse-me olá, e a sua voz ecoou. Era suave. Combinava em tudo com Pedro, interessante, pensei.

Meio bruscamente, virei-lhes costas e continuei a escrever, enfiado em papeis e papeis, o tempo nao permite outra coisa. Pedro percebeu. Veio ter comigo, e disse-me:

"Nao desistas. Ja faltou tanto. Ja foi tao pior. Um ultimo esforço..". Nao fosse a presença da sua namorada, e certamente teriamos tido uma enorme discussão, mas ele tinha razao.

Passado alguns minutos, desci as escadas, e na porta tinha um post-it de Pedro, escrito: "Lc 8, 22". Apeteceu-me amachucar o papel, farto daquelas frases sem nexo nenhum, com passagens da Bíblia em vez de conselhos práticos e eficazes como sempre fizera. Apeteceu-me, mas nao o fiz. Foi ler a passagem, fechei a Biblia, e reencontrei-me. Aos poucos. Mas vou-me reencontrado. Esse André que andou desaparecido após tanto tempo, com a brusca entrada na faculdade, vai-se encontrado. Mas o Natal, esse há-de sempre pertencer à criança. E ainda bem, é bom recordar memórias bem vividas. Amen.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Obrigado

Depois de uma venda desastrosa de jornais na missa dos escuteiros, o animo era pouquissimo. Domingo nao prometia ser um dia bestial, bem pelo contário, prometia ser uma besta. Contudo a minha falta de fé mais uma vez desmontrou que ha Algo a mais que isso. Ja Alguem me tinha dito, nessa noite de sabado: "Nao te preocupes, vai correr tudo bem!". Por mais que quisesse acreditar, era impossivel.

Levantei-me bem cedo. O dia prometia ser longo. Ás 9:30 estava na Igreja de São Lourenço. Dirigi-me à sacristia, aonde eu esperava que estivesse o Padre Jorge. Afinal nao, era a vez do P.Filipe. Recebeu-me com um sorriso e perguntou-me ao que eu vinha. Expliquei-lhe a situação do Afonso, e a razao da venda dos Jornais da Catequese. Ele ficou muito baralho, e pediu-me para, na acção de graças, eu ir lá falar à frente.

Nao fiquei ansioso nem com medo. "Quem toca para 'multidoes', tambem sabe expor decentemente o problema para uma igreja cheia", pensei. Enquanto esperava ansioso a chegada da Andreia com os jornais, o tempo passava. A acção de graças aproximava-se, e jornais, nada. Meio baralhado, dirigi-me para o ambao quando terminou a comunhão. O Padre Filipe fez uma pequena introdução.

Enquanto isso, fitei as caras das pessoas. Era tudo gente idosa, cabisbaixos, acompanhando de certo o tom pobre e lento das musicas, embora cantadas com fé de quem so tem olhos para Ele. O P.F. passou-me a palavra. Eu estava debruçado sobre o ambao, e resolvi falar, decidido.

Comecei por falar do jornal, do propósito da venda desta edição, e depois tive uma frase que saiu e surpreendeu-me: "Podia ser eu, o meu irmao, o teu filho, o teu neto, não é. Saibamos dar graças a Deus por isso, mas saibamos tambem ajudar quem precisava.". Terá sido a formula para o P. Filipe voltar a falar.

Chegando-se perto do ambao, revelou-se: "Dizem que os jovens nao fazem nada? Aqui teem. Dizem que nao sao activos? Pois eles aqui estão. Ainda no outro dia vi imensos a participarem no Banco Alimentar Contra a Fome, de voluntariado. Onde estao os jovens que nao fazem nada? Devemos todos dar um euro, contribuir para esta causa, que sabemos que será entregue em boas maos!". Eu continuava no ambao, com um sorriso incredulo do que acabava de ver. E do que acabava de ouvir: enquanto o P.Filipe falava, ouvia-se o tilintar das moedas que as pessoas começavam a procurar no bolso.

Terminei o discurso, cheguei lá fora e estavam a Joana Marto e a Andreia, sorridentes, com os jornais na mao. Quando a missa acabou, foi a loucura. Toda, mas toda a gente que esta la dentro insistiu em dar dinheiro, as notas de 5 pareciam que choviam, a mensagem que queriamos transmitir nao podia ter sido dada da melhor maneira. Nao é de admirar que tenhamos os 3 ficado comovidos. As pessoas passavam por nos, davam o dinheiro, recusavam o jornal e ainda diziam: "Boa sorte para o rapaz, e bom trabalho!". E nos diziamos..: "Obrigado!"

Estavamos parvos. De tal modo que quisemos voltar a repetir a receita no Seminário da Luz. Era justo, nao era por nos, era por alguem que precisava. Mas aí tive outra vez receio. O Seminário da Luz era outro "estatuto". Por isso pedi ajuda a quem sabia que me podia ajudar: F. Albertino. Impecavel, la estava eu à hora combinada para falar. Fui menos agressivo, mas voltou a funcionar. Os jornais que eu levava esgotaram-se duas vezes, e era curioso ver pessoas que ja tinham comprado o jornal no dia anterior (sabado), voltarem a comprar.

No final, ja nao tinhamos quase mais jornais, e ainda faltavam duas missas. Tinha que ir para casa, embora ainda fosse a tempo de ver os sorrisos nas caras dos Nós, que diziam "Obrigado", incessantemente. Sorri tambem. Afinal, estavamos todos unidos por uma causa.

Foi para casa com a sensação de que metade do dia estava cumprido. Faltava a outra, e a mais decisiva.

Tinha sido convidado há umas semanas atrás para ir tocar a Alverca. A ideia era eu abrir o concerto com uma peça para orgao, e acompanhar o coro nas duas ultimas. Aceitei, sem olhar a datas, e sem olhar ao que eu tinha que tocar.

Foi uma optima expriencia. Era o meu primeiro concerto em que estava envolvido, nao sendo com ou atraves do IGL. Soube bem. Foi uma longa tarde de ensaios, mas nada soube melhor do que perto das 6 tarde, sentar-me dentro da sacristia numas cadeiras muito confortaveis que para la haviam, enquanto o coro ensaiava. Era o descanso de semanas, sabia bem. Nao tinha que fazer nada, soube bem.

O jantar passou-se, chegava a altura do concerto. Mais uma vez nao estava nervoso. Seria do publico, que nao era decididamente o mais entendido na matéria? Ou seria porque... ? Foi porque. Quando o concerto começou, fui sentar-me ao orgao. Tinha os olhares todos fixos em mim, mas passou-me tudo sem me incomodar. Ao meu lado tinha a Laura, que iria virar as páginas. Sentei-me, parei, baixei a cabeça, e os oculos iam caindo (estao a precisar de uma afinaçaozita!). E quando comecei a tocar, consegui sentir a musica outra vez. Era uma sensação rara. Até que, consciente e seguro do que estava a fazer, lembrei-me de Alguem. E um grande sorriso apareceu na minha cara. Tudo estava a correr bem, mas porque alguem tinha acreditado mais em mim, do eu próprio.

Quando parei, soaram as palmas. Com um sorriso, esbocei um "obrigado", e sai. Voltei, minutos mais tarde, para acompanhar o coro. E quando estavamos todos reunidos a agradecer as palmas, depois de termos empurrado o (grande!) maestro para ser ovacionado, empurraram-me tambem a mim, para frente daquela gente toda, para ser aplaudido outra vez. Agradeci, mas agradeci mais, muito mais, a esse Alguem, que insiste em marcar o meu caminho, mesmo quando ja por vezes eu nem acredito em mim.

Um Domingo fantastico. Obrigado!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

....

E esta noite sabia que nao ia estudar. Resolvi "vaguear" na net. Dou por mim quando encontrei isto:

http://palcoprincipal.clix.pt/mc_ciganita

Claro que pouco mais há a dizer. Poderia escrever um enorme post acerca do estado decadente da música em Portugal, mas acho que nao iria servir de muito. "Desfrutem"!

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Puzzle esquisito

Pedro subiu as escadas duas a duas, a correr.

- André! André! André! , gritava esbaforido pela corrida que tinha estado a fazer. Cansado do final do dia, eu contrava-me debruçado sobre o computador, numa tentativa desesperada para que algo entrasse na minha cabeça, em vesperas de teste. Um "Sim, diz", foi tudo o que eu consegui emitir. Ele continuava:

- Epah, nem sabes. Nem vais imaginar! É que nem te passa... , e isto sim, fez-me levantar a cabeça. Nao era nada genero dele começar frases com Epah, nem algo tao enérgico. Olhei para ele, tinha montes de adrenalina pegada aos olhos. Correria o mundo inteiro, se fosse preciso. Eu atendi o que se passava, mas continuava a tentar nao perceber. Meio atónito, balbuciei: "Quem é ela?"

Pedro nada disse. Fitava distante o luar lá fora. Sorria com um sorriso do tamanho do mundo. Amava, isso era certo. Até eu ri e sorri. "Quem diria", pensei eu, "que este tipo ainda ia conseguir uma namorada..". Entao Pedro virou-se, e respondeu-me com um ar mais sério:

- Não sejas preconceituoso, André. Há imensa coisa que ainda tens que aprender. , o tom de voz era mais calmo, quase paternal. , Contudo, para nao pensares que eu so "ensino", posso-te dizer que aprendi a amar.

Foi o delírio. Desmanchei-me a rir, dizendo no meio das gargalhadas: "Mas que frase bimba!". E nao me interessei muito pelo que ela significava. Pedro foi-se embora, parecia que alguma mensagem que me queria entregar, estava entregue.

Voltei a mergulhar nos livros, no computador, em números ficticios que passavam tudo o que eu imaginava. "Aprendeu a amar?!". O mestre, Pedro de Arimateia, aquele que tudo sabia, aprendeu? Senti-me ainda mais ignorante.

Quando me ia deitar, tinha um papel em cima da cama. Era a letra de Pedro, que dizia: "Mt 21, 22". E certas peças do puzzle continuam sem encaixar.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Testes

Este post é parelelo! O seu reverso está em Dedos Livres.

São, claramente, o maior entrave na vida de um jovem. Senão vejamos:

Tenho amanha (Sabádo), às 9 da manha. Isso impede-me de poder estar totalmente no GJ d'hoje, impede-me de ir dar catequese amanha (o que contribui para que eu esteja um mes sem dar catequese), e acima de tudo, impede-me de ter "vida".

Talvez isso nem soe muito estranho se eu chegar ao teste e souber fazer decentemente aquilo. Contudo a Matemática tem destas coisas. Até ao 12ºano era tudo muito bonito, agora fica-se na expectativa de saber se afinal ainda somos capazes de algumas habilidades ou nao. Veem-se mais letras que numeros, veem-se teoremas e demonstrações. Deveria sorrir, pois gosto disso, mas "tudo o que é demais, enjoa!". E amanha pimba, fazer um teste de Álgebra Linear às 9 da manha.

Testes... Sem comentários.

So para concluir, deixo aqui uma cena caricata que aconteceu no teste da semana passada: num dos exercicios, havia algo que nao estava muito bem explicito. Um dos profs nao hesitou, e em vez de dar so um empurraozinho para depois os alunos chegaram lá, fez exactamente o que nao devia, começou a falar e a escrever no quadro o que significava aquele "hieroglifo". Depois ficou pasmado a olhar para o quadro, e ainda consegui dizer: "Huuuuuuuuum.... acho que nao devia ter dito isto".

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Silêncio murmurante

André Ferreira e Pedro Freitas. Concerto Final do Instituto Gregoriano de Lisboa, com a actuação do Coro Gregoriano, Coro Infantil e nós os dois, a Órgão.

Caras de crianças. Com responsablidade de gente grande.


Relembro agora, passado 5 meses, esse grande dia que foi o concerto na Sé de Lisboa. Talvez porque estou prestes a repeti-lo, e porque tem sido constante a pergunta: "Entao André, como foi tocar na Sé?". Não sei! Continuo sem saber. Estava literalmente perdido noutro lugar.


Deveria ter passado uma semana borrado de medo, so de pensar que ia tocar com a Sé cheia, e ainda por cima era uma peça a 4 maos, ou seja, se eu fizesse porcaria, ainda pior. Deveria. Mas nao passei.


Deveria ter vomitado, ter o estomago à volta, mas nao tive. Deveria ter tremido, ter vacilado, mas assim nao foi.

E tudo porque recebia mensagens que nao o permitiam. Ahahaha, como é possivel? Como é que os nervos passaram-me todos ao lado?

Ainda me lembro, quase como se fosse ontem. (Tambem nao passou muito tempo).
O Coro Gregoriano (aonde eu tambem cantava) tinha acabado de actuar. As palmas ecoavam pela Sé, o Coro saía de frente do altar, e eu ficava. Dirigi-me para o órgão. O Pedro já estava lá.
Minutos antes de ter saído da sacristia para cantar com o Coro, vi rapidamente o meu telemovel. Tinha la A mensagem. Aquela que faria tudo mudar outra vez. Tinha as palavras "ARRASA COM A SÉ" escrita como um berro e com um sorriso, de certo. Como poderia temer? Tinha quem mais precisava ao meu "lado".
E la estávamos nos os dois sentados naquele banco, com centenas de olhares recaídos sobre nós. Murmurava-se baixinho, enquanto nos preparavamos as partituras (vulgo "pautas"). Respirámos fundos. Creio que terei dito para o Pedro: "Vamos la crl, vamos la arrasar com isto.". Ele riu-se, e respirou fundo tambem. Ja nao se murmurava, falava-se. Era um barulho enorme e tive medo, por uns instantes, que o som não se ouvisse (irónico, eu sei, mas era bem possivel). Era eu que começava, que tocava a primeira nota, que diria a toda gente: "ESTAMOS A TOCAR, PAH!".
E assim foi. Mal toquei a primeira nota, um Lá grave, muito suave, nao soou a nada. O público falava imenso. De repente alguem mandou calar o publico com um audivel "SHIUUUU!" e.... um silêncio tremendo apoderou-se da Sé. Um silêncio quebrado pelo leve som do órgão, triste e melancolico.
A peça foi passando, o som aumentando cada vez mais. No final, os ultimos acordes eram autenticos berros dos tubos. O que passou pelo meio? Nao sei. Nao me lembro. Estava perdido noutra.
O último acorde... esse tao perigoso ultimo acorde. Ou acabava bem, ou era uma miséria. Felizmente acabou lindamente. Aos tirarmos os dedos dos teclados do órgão, o público começou lentamente a bater palmas. E la fui eu e o Pedro, à frente do altar, agradecer. Isso sim, choca. Comove. Não sei explicar. Uma sensação unica.
Saí, e so queria dizer obrigado a quem me tinha mandado aquela mensagem. Tenho a certeza absoluta que se essa mensagem nao tivesse aparecido como e quando apareceu, a história que eu estaria a escrever aqui seria bem diferente.
"ARRASA"!

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Desconhecidos

Este post é parelelo! O seu reverso está em Dedos Livres.

Embora custume andar na rua com a cabeça a vaguear por pensamentos, várias vezes são as ocasiões que a palavra "desconhecido" tem significado. É comum ir aqui em Carnide, e as pessoas mais idosas passarem por mim, fazerem um sorriso e dizerem: "Boa tarde!". Eu sorrio. São desconhecidas, embora quase que saiba o porquê do "Boa tarde!".

É comum desviar-me desses pensamentos e prestar atenção a quem passa. Por mera curiosidade, várias feições revelam diferentes sentimentos. Olhares distantes, cabisbaixos, apressados, tudo.

18:30. Depois de ter estado no Gregoriano, apanhei o metro em Entre-Campos para o Marquês de Pombal. Cansado, tive a sorte de, no Marques, ter apanhado um Metro com lugares livres. Sentei-me. Ao meu lado estava um senhor que jogava freneticamente GameBoy, enquanto falava ao telefone. Olhei melhor para ele e reparei que obviamente era alguem que tinha crescido, agarrado ainda aos belos prazeres da infância.
Voltei a vaguear na minha cabeça, com o olhar fixado no painel que diz: "Proxima estação:...". Por momentos, desviei o olhar e reparei que a senhora que estava sentada do lado oposto ao meu tinha a cara toda vermelha. Talvez não me tivesse apercebido melhor da situação, caso ela não estivesse a chorar compulsivamente. Encolhida sobre si, enconstada o máximo possivel à janela, as lágrimas corriam sem parar. Tentava controlar os soluços, mas não consiga. Fazia impressao.
A palavra "desconhecido" ganhava, então, um novo significado. As pessoas que estavam nesse Metro aperceberam-se da situação, e notava-se um certo clima de "Quero ajudar, mas nao posso". Não? Não. Porque era desconhecida. Porque nada ligava essa senhora a quem estava no Metro, e ninguem se queria intrometer. Chorava, era claro que precisava de alguem que lhe dissesse "Está tudo bem.". Mas ninguem o podia fazer.
Retirei o meu olhar incrédulo, que durou meio segundo, de volta ao painel da "Proxima estação...". E quando sai em Carnide, ela ainda lá estava. A chorar. E percebia-se que era uma dor que destruia-lhe tudo o que tinha dentro de si.

Fui para casa a perguntar-me se devia ter dito alguma coisa. Mas o que? Que poderia eu ter dito? "Ora, não chore, a vida continua", parecia-me tao absurdo que quase me ri so de pensar nesta frase. Era impossivel dizer alguma coisa. Fica a intenção. Porque eramos todos, todos aqueles que estavam no Metro nesse momento, uns meros desconhecidos.

sábado, 10 de novembro de 2007

Caminho



Ontem, enquanto descia para o GJ, pensava na enorme caminhada que é a vida.

Olhei para o lado, e reparei que comigo caminhavam dezenas, centenas, sei la... milhares de pessoas, todas elas deixando a sua marca (umas maiores, outras mais pequenas, mas todas com o seu significado).

Percebi que há um imenso caminho para se fazer. Percebi isso com um sorriso na cara. Mais momentos fantásticos ainda estão por vir. Mas para isso tenho que caminhar. E não estou sozinho.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Fugacidade

Este post é paralelo! O seu reverso está em Dedos Livres.




Rápido! Não há tempo a perder! Mudar freneticamente de um lado para o outro!

Que dias.. Dias em que não temos tempo para nada, não temos tempo para nós, não temos tempo para o que nós mais gostávamos de fazer. A azafama é tanta que me perco na barafunda de um horário preenchido.

Tempo. Era tudo o que eu ansiava este ano, como até posso relembrar com uns posts anteriores. Tempo. É tudo o que me tem vindo a faltar. Tempo para Mim. Tempo para não fazer nada de nada, para poder abraçar a vida da maneira que eu gosto.

Nem me vejo como Eu. Vejo-me como uma máquina que trabalha, sujeita a não parar um minuto. Mas agora, enquanto escrevo, respiro fundo. "Finalmente!". Minutos em que posso parar e pensar. Algo tão essencial.. "parar e pensar".

Sorrio quando penso que é por este estilo de vida que darei mais valor a outro que venha a ter. Talvez antes tinha tanto tempo para poder fazer tudo o que queria, que não me apercebia da sorte que isso era. De certeza que da próxima vez ja saberei a sorte que é.

Mas isto sufoca-me. Perde-me. Só queria era que houvessem mais horas, alem do dia, em que fosse proibido fazer o habitual. Em que nessas horas, tudo era permitido excepto manter uma rotina. Fugir, porque não? Agora faço-o, mas é em pensamento, enquanto ando rápido na rua e anseio pelo fim do dia, para poder descansar em paz.

Não há Pedro sequer. Esse apercebeu-se a tempo e resolveu "tirar férias". Agora estou entregue a este tempo, agora sou mais uma daquelas pessoas que vagueia apressadamente pelas ruas, mudando de destino, porque não se podem perder com o tempo. E porque não teem tempo para elas.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Halloween

Posts Paralelos: A Cacao escreveu algo sobre este tema aqui, no blog Dedos Livres.

O primeiro tema dos Posts Paralelos é sobre este magnifico dia. "Magnifico?" penso para mim enquanto escrevo...

Esforço-me para lhe achar uma certa piada, mas não consigo. Adorava entrar no espírito do dia, mas obviamente que Portugal é o local menos apropriado para o fazer.

Dada a minha certa ignorância sobre o tema, resolvi ir pesquisar melhor acerca disto. Primeiro facto interessante é de que a designação de "Dias das Bruxas" so é usada pelos povos de Lingua Portuguesa, não sendo nenhuma tradução do estrangeiro. E que muito possivelmente o Dia de Todos os Santos terá sido imposto pela Igreja para evitar esta "desavergonhice" que certos povos andavam a fazer :P

Tentei lembrar-me das vezes que se fez alguma coisa entre a malta, no noite do Dia das Bruxas. Preferi nao lembrar-me: acabou sempre por haver porcaria!

Um ano, acho que foi no 8º, organizou-se uma discoteca na escola, que começou e acabou às moscas. No 9º ano fez-se um jantar, depois de jantar alguem teve a excelente ideia de se por a gozar com as pessoas que passavam de carro, até que passou alguem que não gostou la muito do jogo, e dei por nós a correr como loucos enquanto o carro nos "perseguia" lentamente.

A partir daí limitei-me a olhar o cemitério à noite, que consigo ver aqui de casa. "Blurgh!", dizem voces. Mas nestes dois dias (Halloween e Todos os Santos), o cemitério fica momentaneamente iluminado pelas milhares de velas que as pessoas deixam acesas.

Acho que me vou ter que esforçar um pouco mais para ver se passo um Halloween diferente! Mas interessante interessante vai ser a mitica pergunta de: "Então digam lá como foi o vosso Halloween?" aos putos da catequese, e ouvir as respostas mais estapafurdias que nunca esparia ouvir! É o que dá ser criança..!

sábado, 27 de outubro de 2007

Posts Paralelos

Este mundo dos blogs é imenso, já se sabe. Diferentes opiniões escrevem-se diariamente, embora as pessoas nunca as cruzem, porque não sabem.. que há outras opinioes.

Bom, pondo o Pedro de lado ( que tem andado desaparecido nestes últimos dias ), sugeri à Cacao (autora do blog Dedos Livres) que fizessemos algo que cruzasse opinioes. Mas de uma maneira.. diferente, ou seja, são temas escolhidos por nós, e em cada semana preparamos um post acerca desse tema, contendo o que cada um bem entender (texto, imagens, video. O que cada um entender)

Acho que será interessante (no minimo, e divertido de se fazer tambem), e assim pertende-se isso mesmo: ver dois olhares diferentes sobre exactamente o mesmo ponto.

Sinceramente não sei o que sairá daqui, mas tou curioso :P Esta semana já deve saír algo sobre o primeiro tema ( que so revelaremos quando pusermos o post [acho eu] ).

Posts Paralelos (nome dado pela Cacao), brevemente, aqui e mais uma vez aqui

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Fim

Sorriste, sei que sim. Tu, e toda a nossa grande familia que se encontra ao teu lado e que estava a olhar para nós naquele momento.

Sorriste com uma leve dor de barriga, porque não querias que nada daquilo estivesse a acontecer. Leve? Ok, fortissima. Eu tambem nao queria, e ela tambem nao queria.

Ouviste tudo o que eu disse, e nao tenho duvidas de que ficaste orgulhoso. Pera, sabes que nao fiz isto para tu ficares orgulhoso. Nem sei donde veio esta força para fazer isto tudo.

Não perdi nunca a cabeça, e senti que estava a transformar aquilo a que se chama Amor em algo que... hum... tu percebes, em algo taooooo mais à frente do que isso! Entreguei-me, de maneira a estar sempre ao lado de quem merecia muito mais. Não virei costas, não fiquei frustrado nem chateado, porque.. nao consigo e nao quero. E ela merece muito mais que isso.

Hoje senti-me plenamente O André. Não que não o andasse a sentir nos outros dias, mas isto tudo tem sido tao estranho, desde a entrada no IST, que so agora pude sentir-me como sempre fui nestes 4 meses, e no resto da minha vida (mas mais ainda naqueles 4 meses, recordo-te): André. Porque fiz algo que representa tudo o que sou e tudo aquilo que serei, porque herdei de alguem.

E hoje tu sorris, e eu tambem, porque caminho ao lado daquela pessoa que tu um dia me apontaste.

Saí de lá de cabeça erguida, de sorriso aberto, de lágrimas a cairem. Que tripla... Mas foi assim.
Não há justiças nem injustiças, embora ache que isto tudo seja.... sim, injusto.

Deixemos Lado-Ocultos de lado, deixa-me falar-te sendo eu, o André. Deixa-me pedir-te desculpa por tudo o que eu disse. Não merecias sequer que tivesse desviado o olhar de ti. Sei que não me abandonaste, mas isto é tao angustiante que sinto mesmo isso. Mas sei que nao. É tentar viver com um espinho cravado no coração, que tu docilmente me foste pondo, e para o qual eu olhoo....e sorrio. Serei parvo? Masoquista? Não, se é assim que o queres, sei que um dia mais tarde te darei graças por teres feito isto tudo. Nao sei como, nem porque, mas fa-lo-ei.

Ver-te-ei sempre 2 vezes ao fim-de-semana, (como te deverei tratar: Senhor? Jesus?), na Missa dos Escuteiros (é irresistivel ouvir aquele coro. Mesmo!!) e na minha Missa (ainda mais aliciante :P). E ainda nao te esqueças que todas as sextas ( e aproveito a conversa que estamos a ter para alertar todos os que estejam a ler isto), entre as 15 e as 17, la estarei eu, a tocar Órgão na Igreja da Luz, a fazer aquelas figuras meio apalhaçadas enquanto tocas, mas que tu nao te importas com isso (nem com o som, obrigado :) )

Olha por mim, e por ela.

Porque nestes 4 meses puseste em mim o sonho de uma criança. E ainda tenho esperança de que esse sonho, apesar de tão utópico e tão magico.. seja realizado!

Amen!

sábado, 20 de outubro de 2007

Lado-Oculto

E se o Pedro existisse mesmo, seria ele. Sem dúvida.

Chegou-se ao pé de mim, com os seus simples modos. Olhou para mim, eu olhei para ele, baixei a cabeça e continuei a trabalhar. Passado algum tempo dirige-me a palavra, dizendo:

"Estás triste, estás apaixonado e com medo de a perder..."

Estarreci. Parei. Congelei. "Quem és tu?" era a pergunta que mais me saltava à cabeça. "Quem és tu para chegar, olhar e decifrar o indecifravel?". Mas nada disse. Limitei-me a olhar, estupefacto, para a personagem que se encontrava à minha frente.

E debitou verdades inabalaveis acerca do amor. Perguntei-lhe: "Como sabes isso tudo?"

Respondeu: "Não interessa."

Na sua simplicidade, sorriu. Mas era um sorriso de quem vive dentro de si mesmo. De quem aprende as verdades da vida à custa de si mesmo, sem ninguem. Mas continuava a sorrir.

"Descansa, é ela.", disse-me nas entrelinhas.

Saiu, sem dizer nada. Saiu como entrara, numa forma muito simples de se movimentar. Porém, antes de sair, disse apenas:

"Não me procures conhecer. Sou e vivo sozinho. Não tenho alma.". E saiu.

(História verídica, embora com alguns pequenos aspectos alterados.)

Se o meu Lado-Oculto existisse verdadeiramente, não exitaria em dizer que ele seria ele. Mas algo torna o meu Lado-Oculto impossivel de reproduzir na realidade: de vir de mim para mim.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Fugir





GRITAR! Cantar! Imaginar! Irritar.... Correr!

DESANIMAR..... Falar! Pensar! Baixar os braços.... AMAR! Desistir...

Ofender..... Sorrir! EU! BERRAR! VIVER!



E aparece-me uma súbita vontade de correr, gritar, fazer mil e uma coisas que fujam mesmo da rotina.. Fugir da rotina. Preciso disso. Urgentemente!

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Como?


Cabeça descaída, rosto pálido. A luz entrava pela janela, e em vez de iluminar, dava um aspecto sombrio à cena, na qual eu próprio estava envolvido.

Como era possivel ter chegado aquele estado, perguntava-me. Sou uma autentica sombra do que fui. A pior parte de mim, aquela que todos tentamos esconder, revela-se. Porquê, pergunto-me. Porque é que tem que ser assim? Se alguem, há 2 meses atrás, me tem dito que isto tudo iria acontecer, eu tinha soltado uma enorme gargalhada. Agora ainda o faço, mas surpreendido como tudo fui acontecer.

Pedro chegou e sentou-se ao meu lado, sem nada dizer. Olhei para ele, mas não o conseguia ver.

"Desistir, não?" , disse-me, numa voz que tremia. Tambem ele estava incrédulo.

Fiquei parvo. Como podia ele dizer isso numa altura destas, pensei. Ainda não estava em mim, depois de ele ter dito aquilo, quando de repente ele chega-se ao pé de mim, e sussura-me algo ao ouvido. A voz dele tremia profundamente, e percebi perfeitamente que ele tinha estado a chorar bastante.

"Mas que... Mas estás parvo? Que se passa?", perguntei-lhe, enquanto me levanta, decidido a não fazer nada do que ele estava a dizer. Pedro, o meu lado-oculto, aquele que aparecia sempre nas alturas em que eu não estava lá muito bem, estava decididamente alterado.

Percebi-me rapidamente que era a minha vez de ser decidido, era a minha vez de dizer alguma coisa, era a minha vez de ser A voz. Acalmei-me, respirei fundo e disse:

"De certo te lembras da história das pegadas, de Jesus?" Pedro nada disse, mas percebi-me que sim. Continuei.

"Nunca penses que estás sozinho. Nunca penses que és o único ser do mundo que sofre." Quando disse isto, parei um segundo. "Elah", pensei, "ando a evoluir!". E sorri. Talvez isto seria uma daquelas coisas que estava sempre à espera que alguem me dissesse , e que eu nunca chegaria à conclusão por mim mesmo. Mesmo sendo algo tão.. trivial.

"Como podes falar em desistir? Assim, dessa maneira cobarde...? Nunca foi nada teu, esse tipo de cenas. Que se passa?"

Pedro levantou a cabeça. Tinha-se chegado para a luz, e a sua cara estava completamente lavada em lágrimas. Eu estava petrificado. Nunca o tinha imaginado assim, e de repente...

"Desculpa... Desculpa..." , foi a única coisa que soube dizer. Levantou-se, olhou-me nos olhos e saiu.

Eu continuava parvo. Mas afinal que se tinha passado ali? Afinal não era eu que tinhas razoes de sobra para estar triste? E no entanto soube-lhe dizer para não desistir. "Irónico", pensei.

Então apercebi-me de tudo o que se tinha passado. Deu para eu me aperceber, e cheguei à mesma conclusão enquanto gritava:

"NUNCA DESISTIR!!"

Mas rapidamente me calei, não fosse alguem ver a estranha figura que acabara de fazer, do outro lado da janela. Saí da sala, com um sorriso a aparecer na minha cara. Olhei para trás. E a luz, que dava um aspecto sombrio à cena, de repente iluminou mesmo.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

IGL


Chegou ao fim esta aventura.

Com orgulho chamei-lhe casa, com orgulho fiz parte desta família. Não entrei por vontade própria, mas fui-me apercebendo da enorme importância que era pertencer a esta escola.

Perde-se a conta às horas passadas na sala dos Alunos, a falar acerca de tudo e de nada. As amizades feitas, foram para além de amizades.

Julgo na obrigação de explicar a minha saída, a razao de nao dizer nada a ninguem, e ainda um grande agradecimento.

Este era um ano de muita mudança. Com a entrada na faculdade, o tempo que eu precisava era imenso e nesta semana e meia que passou, depressa me apercebi que não iria aguentar, visto já estar sufocado de trabalho, e ainda em nenhum dos lados (IGL, IST) o ritmo de aulas encontra-se no seu melhor.

Sei que muitos argumentarão que há imensas pessoas a fazer IGL com faculdade. Sim, é verdade. Mas só há duas que estão a fazer IGL com IST, e fala-nos a expriencia que as duas coisas costumam ser por norma incompativeis.

Falei imenso na minha saida do IGL há uma semana atrás. Mudei de ideias, garanti a toda a gente que nao, mas chegou a hora. Não há volta a dar. O meu horário nao se pode reduzir mais, e sei que há alturas que temos que escolher entre o que nos agrada e o que está certo. Por mim passava os dias no IGL, mas não pode ser assim. Sei que não iria seguir música, e se assim é, tenho que tentar fazer bem o IST, do que propriamente arrastar as duas coisas, arriscando a não fazer nenhuma delas bem. Não tenho dúvidas que daqui a uma semana me vou arrepender de tudo o que fiz, mas sei que é o correcto.

Sei que estou a "trair" algumas pessoas. O que me custa nisto tudo é abandonar o Mestre, o professor António Esteireiro. Se sou "alguem" a tocar órgão, é a ele que devo tudo. Aprendi, com ele, lições não só de música, mas de vida tambem. É assim a vida. Perder as coisas que mais gostamos parece uma constante. Até quanto vai deixar de assim?

Chegou a altura dos agradecimentos:

Tiago Oliveira - Bem tentaste, meu amigo, bem tentaste :P Acabamos os dois por passar tempos iguais, se é que me entendes. Julgo que devias deixar o piano e passar para órgão. Lol! Deixa é de fazer essa vibrato irritante na voz quando cantas! Ahaahaha, brincadeiraaa.

João Pedro - Fazemos percursos exactamente diferentes: Tu sais de LMAC para continuar no IGL, eu saio do IGL para continuar em LMAC :P Acho que, cada um, na sua maneira de ser, fez a opção correcta. Não duvido que daqui a uns anitos vou ver umas composições tuas!

Maria Guilhermina (Magui) - Deves tar com vontade de me esbofetear. Eu sei, eu prometi-te que nunca saira do IGL este ano. Desculpa, mas teve que sair assim. Acho que evoluis-te: Ainda me lembro dos dias em que entravas na sala de Alunos, a berraaaar, e a distribuir beijinhos por toda a gente, feita tia! lool, mas agora tás bem melhor. Acho que uma certa pessoa de te fez bem à cabeça, e nós sabemos quem foi!

Ana Gomes - Viva a Presidente! Incrivel, em menos de um ano criámos um Associação de Estudantes ( a primeira! ) do IGL, e ainda nao foi reconhecida! Bah, burocracias :P E nunca tocámos algo para órgão e violoncelo. Que crime! Enfim... tenho saudades dos jantares do Coro Gregoriano, acho que era muito bem oferecidos! Ahhh, é verdade: ainda tenho aqui a gravação do nosso concerto na Assembleia da República.

Lea - "Leaaaa! Yaaaah! Yeaaah! (Posição de Guerreio do Espaço)! AHHHHHH!" Loool, quem ja viu esta cena, sabe do que estou falando. :P Vá, perdeste S E M P R E as discussões que tivemos acerca do ensino do órgão em comparação com o ensino do piano. Hum, nem sempre. Mas quase! Bolas, já nao vou poder gozar com a altura: Prof Armando [em Modalidae]: "Quem é que daqui é baixo?" "Nós todos aqui atrás. E a Lea tb" :P

Pedro Damásio - Ahahahahhhahaha! Somos a pior dupla que já passou por Canto Gregoriano. As nossas técnicas únicas para fazer uma boa perfomance são demais. Incrivel, saio do IGL sem nunca me teres dado boleia, nesse carro que dizes ser teu :P Agora é que vejo: com a minha saída ficas mais exposto em CG :P E ainda por cima tens a Lea à tua frente, portanto és um alvo a abater por parte do prof! lool! Continua o mestre do piano, que eu vou tentar aparecer nos teus concertos deste ano.

Diana Lucas - Era ingrato, no minimo, não escrever nada a quem me deu mais de (hum.. deixa ca fazer as contas :P) 20 boleias. Acho que nunca te devias separa desse mitico carro, que é um autentico candidato ao Pimp My Ride :P Bom final de curso, senhora advogada (isto é para remendar aquilo que eu disse de "Pseudo-Advogada".

Obrigado a todos, com os quais passei excelentes momentos:

André Baleiro, André Lourenço, Ana Raquel, (Nao, nao vou por isto por ordem alfabética!), Pedro Zurzica, Francisco, Filipa, Grilo, Pedro Pombo, Mariana Martins, Mariana Cardoso, Mariana Lemos, Leonor, Rita, Vânia, Luís, Tiago Martins, Tiago Amaro, Joana Amaro, Ricardo, Pedro Freitas, Leonor Frazão, Wilson, Manel, Laura, Maria São Pedro, Bayley, (...).

IGL sempre.

domingo, 23 de setembro de 2007

Assim seja


"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."

Fernando Pessoa

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

MB



Aquela voz. Aquele acompanhamento. Aquela genealidade.

Michael Bublé, "o maior artista da sua geração" sem dúvida alguma. E digo mesmo: passou a ser o meu cantor preferido de sempre.

Quando for eu a tocar piano para o Michael, talvez depois peça alguns autografos para a malta. Até la vamos ouvindo, e perguntando quando é que ele vem a Portugal!

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Anos passados

(Prof. Carminda, Hélder, Eu, Bernardo, Migas, Bruno - Grupo Lava-Bandeiras - 2003 )

Mais um ano que começa, outros são cada vez mais memórias.

"Saber dar sempre o nosso melhor", diria eu àquele André ali em cima, que mal desconhecia que 4 anos depois ia viver os melhores momentos da vida dele. Mas se lhe diria isso, de certo que tambem o tenho que dizer a mim.

Aquele André, que vivia de futeboladas, de aulas passadas a rir alto, de computadores, de Coldplay. Será que ele se assustaria a olhar para mim? Creio que não. Ele não iria olhar so para mim, e de certo que sorriria como nunca sorrira, e iria ansiar que esses 4 anos passassem a voar.

domingo, 9 de setembro de 2007

A música

Suave, lentamente, A música tende a desaparecer. Deixa de soar a algo. Ja nada quer de mim.

Insisto em tocar, mas nada sai. Notas separadas já não formam o conjunto de outrora. Assusto-me.

Levanto-me, saio, na esperança de que tenha sido só um susto. Mas não: quando volto, A música não sorri, não ama, não fala, nada.

Aonde está a música pela qual eu me apaixonei?

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Perdão



Esta noite estou entregue ao silêncio da reflexao.

Errei. So me resta pedir perdão. Algo tao simples, tao leve: "desculpa". Mas sinto que nao chega. Nao.

Uma viola, um cântico. "Cantar é rezar duas vezes."

Continua a não chegar. O peso na consciencia subsiste, mas sei que ja fui perdoado. Porquê, entao, esse peso?

Sinto-me preso ao sentimento de culpa. Quando me irei libertar deste fardo?

Perdoa, Senhor, a ausência de gestos corajosos.

A agonia continua. Quase que a sinto na garganta.

Nao se faça a minha vontade, mas a tua.

"Perdoa-se com um sorriso.

Perdoa-se com um "Está tudo bem".

Perdoa-se com um abraço.

Perdoa-se.

Será que existe poder maior na terra do que perdoar?"

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

'Mas espera lá...'

... Pensei eu... 'ainda! Ainda sao férias!'. E entao, em vez de perder-me em pensamentos angustiantes, levantei a cabeça e desfrutei da sensaçao de nao fazer nada, de estar no algarve, de poder ir para a praia a cantar bem alto no carro, de fazer ainda mais videos que comprovam a minha ignorancia do futebol, enfim.. Tudo a seu tempo virá. Julgo que nao me devo preocupar com isso agora, certo?

sábado, 1 de setembro de 2007

Verdade

Após uma tentativa frustrada de fechar os olhos para tentar dormir, resolvi levantar-me e fazer qq coisa. De repente, assim do nada, uma pergunta assalta-me a cabeça:

"Verdade. O que é a verdade?"

Fiquei assustado. Para que raio queria eu saber o que era a verdade? Simples, era tudo o que correspondia à realidade, pensei. No entanto, parecia que não era essa a resposta, ou a pergunta teria deixado cabeça.

Já tinha ouvido essa pergunta algures, mas onde? Resolvi perguntar à única pessoa, que àquela hora da noite, tambem nao conseguia dormir.

Pedro: "O que é a verdade, perguntas tu...", disse enquanto procurava um livro na estante, "...devias ter isto melhor arrumado. Mas isso eu ja nem comento."

Eu: "Fazes bem. Mas pera la, do que é que estás à procura? Pode ser q eu saiba onde está.", sugeri, embora percebesse que ele nao tinha ouvido nada do que eu tinha dito.

Pedro: "Ah! Está aqui!", e retirou um volume enorme. Era a Biblia. Deu-mo para as mãos, dizendo: "São João. Interrogatório de Pilatos a Jesus."
Abri ferneticamente à procura da dita passagem.

"Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade?"

Reli uma, duas, três vezes. Pq razao não respondeu Jesus?
Pedro sentou-se no chao, encostado à parede. Um leve suspiro, e perguntou-me: "O que é o amor?"

Eu: "Para que é que isso interessa agora?"

Pedro: "Porque é a chave de tudo. Talvez Jesus não tenha respondido a Pilatos algo que ele nao poderia compreender. E porque ja o tinha feito anteriormente. Lembraste quando ele disse: "Eu sou a Verdade e a Vida"?" , disse, sorrindo como quem insiste que eu puxe o máximo pela minha cabeça.
Eu continuava sem perceber quase nada do raciocinio dele. Porem fiz um esforço: "Sim, embora não perceba a ligação."

Pedro: "A verdade é o amor." Ao ouvir isto parti-me a rir. Desde quando é que a verdade podia ser o amor?

Eu: "Deve ser das horas, que não estás a regular bem da cabeça. Como é que consegues perceber que a verdade é amor?"

Pedro: "Re-le: Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. O Homem foi feito para amar, nao para constantar factos reais de qq coisa q seja. O valor que damos à verdade na vida real não é o sentido mais exacto da palavra."

Eu: "Entao significa que vivi estes anos todos na mentira, como muita gente que não amou?"

Pedro: "Acho forçada a palavra mentira. Chamar-lhe-ia Ignorância. Jesus deixou bem claro: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.". E Ele próprio disse que este era o Seu grande mandamento. A base de tudo é o amor."

Eu: "Hum... entao, mas há imensa gente que não ama e é feliz."


Pedro: "Achas mesmo? Olha como vivias antes e como vives agora. Essas pessoas pensam que são felizes, mas creio que vivem numa ilusão."

Tudo fazia sentido agora. Tentei dizer algo, mas nao conseguia. Mais uma vez o meu lado-oculto deixava-me estupefacto.

Eu: "Como sabes tu isto tudo?" , perguntei, curioso.

Pedro: "Boa noite, André. Descansa, amanha vai ser um dia longo." , e dito isto, saiu.

Para quando..



.. o acampamento da Rentree-de-Aulas ( ou la como se escreve ) ?

E a pedido de muitas familias, aqui ficam as 4 razoes para eu nunca ter sido selecionado para fazer anuncios da Nike (contem cenas que dada a ignorância do jogador, podem ser consideradas chocantes :P ) :



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E para terminar:

André: "Entao Andrão, hj tb vais ficar a falar ao telemovel na tenda, à noite?"
Eu: "Sim, quase de certeza."
André: "Mas vai ser qt tempo?"
Eu: "Hum... creio que vai ser aquilo que a bateria neste momento deixar..!"
André: "E como é que está ela?"
Eu: "Ela vai bem, acho eu."
André: "Nao, estupido. A bateria..."
Eu: "Ah, sorry. 'Tá cheia, carreguei-a abocado."
André: "Entao esquece, acho que esta noite vou dormir ao relento."


No outro dia de manha:

Frei Bruno: "Ontem à noite, depois de deitarmo-nos, quem é que ficou a falar sozinho até às 4 da manha?"

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Nascer

Parece que nasci de novo. Hj apetecia-me gritar bem alto. Libertei-me deste "espinho" q estava encravado na minha cabeça há 3 meses.


Há 3 meses foi-me diagnosticado Glaucoma, tive logo que começar um tratamento. Fiquei preocupadissimo, pq um deslize no tratamento podia ser "fatal", e ficar cego.


Hoje soube que afinal não me aconteceu nada, o tratamento foi parado, e até ja posso usar lentes-de-contacto.

Ahhhh, que sensação!

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Não sei (?)

Pediram-me que me descrevesse como pessoa. "Hum, não sei", disse eu rapidamente. Insistiram. Aí pensei do que eu gosto como pessoa. Talvez isso me descrevesse.

"Viver.
Acordar de manha com um sol brutal e saber que vou saír. Acordar de manha com um dia chuvoso e saber que posso ficar na cama.
Agasalhar-me até aos pés pq está a chuver a potes, e mal dou dois passos na rua fico todo encharcado, mas "Não interessa! Siga em frente!". Ouvir o Metro a vir, e ainda estou a descer a estação, e lá tenho que correr que nem um maluco pq não posso chegar atrasado. Chegar nas calmas, sentar-me, e mal isso acontece aparece a msg: "Destino: BaixaChiado" (Ou Amadora-Este).
Respirar.
Andar sem óculos e não reconhecer as pessoas a 100 metros de distância, sendo suficientemente maluco para ir a correr até elas pq penso que as conheço, e depois fazer um desvio na trajectoria pq afinal não era bem assim. Gosto que perguntem: "Que vamos fazer?", ouvir um minuto de silêncio e depois alguem dizer: "Não sei, vamos por aí".
Ir por aí sem destino aparente, sabendo só que tenho que estar num certo sitio a uma certa hora.
Cantar.
Fazer fantásticas jogadas de futebol e gritar que nem um maluco, após uma hora de catequese. Estar numa situação séria e começar a desmanchar-me a rir. Rir ainda mais, quando pensava que ja tinha rido tudo.
Ver o por-do-sol dentro do mar.
Tentar ver sempre o nascer-do-sol, mas nunca o conseguir pq simplesmente nunca acordo a horas. Os aplausos de um público que nao percebeu se toquei bem ou mal. Sorrir. Saber que não está nada marcado para o amanha, mas mesmo assim saber que vai acontecer alguma coisa. Gritar.
Escrever coisas que nem eu percebo, e perguntar-me: "Mas que raio...?".
Receber um desenho dos miudos da catequese, que diz: "Boas férias, André!". Pensar que já fui capaz de me surpreender, mas mesmo assim fazer coisas que me deixam estupefacto. O imprevisto.
Estar numa reflexão de um grupo de jovens, porem uma musica mta estranha, e de repente ter que fazer um esforço incrivel para não rir e rir e rir bem alto.
Acordar com a minha tenda a ser agredida ao pontapé.
Saber que à noite tenho sempre uma conversa marcada. Piadas secas.
A minha namorada.
Ser eu."

Amen.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Quem?

Ontem alguem me disse que os pensamentos sao como uma gota de perfume: assim como sao precisas toneladas de petálas para se chegar a uma gota, certos pensamentos só chegam após doses enormes de horas a reflectir.

Interessante. Nestes 15 dias que passaram, parei sempre 2 ou 3 horas a pensar. Fazia-o sempre à noite, por volta das 3 da manha, quando as ruas se encontravam desertas. Sentado na varanda, pensava.

Acho curioso, interessante, o efeito que algumas pessoas teem na nossa vida. Sim, todos temos pessoas que nos marcam, ou mesmo das quais nos necessitamos. Depois deste ano que passou, julguei sempre que nunca haveria alguem que pudesse ter efeito sobre mim. Nunca tinha havido, porque haveria de ser agora?

Ah, ele ri-se.

"Por aí?", perguntei
"Como sempre..." respondeu o Pedro. "Acho que antes a pergunta mais interessante seria: 'Quem é que iria ter esse tal efeito sobre ti?'. Porque alguem haveria de ter, e tu encontrarias, mais cedo ou mais tarde. Aliás!... como vai a acontecer."

E um sorriso apareceu na cara dele, e não pude deixar de sorrir tambem. Essa pergunta tambem surgira imensas vezes. "Quem?". E agora a resposta é tão obvia.

O Pedro levantou-se e foi para dentro. Porem, antes de sair, disse ainda: "Pergunto-me, às vezes, se mereces...". E sem dizer mais nada, nem boa noite, saiu.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Longe


Lá longe o sol brilha.

Vou em "retiro", 15 dias. Pôr a cabeça a descansar de tudo... mas não de todos. Não.

Lá longe o mar explode em ondas e perde-se na areia.

15 dias. Parece um eternidade. Até lá..

Até lá fico a ver o sol brilhar e o mar a perder-se na areia. E um sentimento de correr até ao "fim-do-mundo" percorre-me o corpo. Procurar-te. Ir ter contigo.

Lá longe sinto-me distante. Não do mundo, mas de ti.

Sinto-me totalmente amarrado, como se nada pudesse fazer. O tempo passa, mas tão devagar que começa ligeiramente a enervar-me. Mas calma...

Lá longe grito, berro o teu nome. Ninguem responde, porque ninguem tem que responder.

E enquanto o sol muda de cor e chama a lua, eu anseio pela noite, onde dormir significa sonhar, ter asas, sair daqui, libertar-me, poder ir até aí sem ninguem me dizer alguma coisa.

Mas antes de me deitar, vou dizer baixinho: "Boa noite!...". E não tenho duvidas que vais ouvir, mesmo estando tao longe... e tao perto.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Parado, a olhar para ontem

(Santa Cruz-2006)

E hoje fico assim, parado, a olhar para ontem.
Mas nao quero!
Alguem que me chame e diga: "Vamos ali!". Alguem que alinhe nalguns momentos de loucura.
Nao! Ninguem me chame! Eu quero-TE.
Nao. Ninguem.

Querem que eu fique assim, parado, a olhar para ontem.
Eu fico! A sério que fico. Mas so quero é que o tempo passe!
Tou preso ao tempo. Ele olha para mim nos olhos, e diz: "Nao tenho a culpa".
Suspiro... pois nao... mas custa.
Resta-me ficar parado, a olhar para ontem.

Alguem que me puxe pela mao e me leve.
Nao! Ninguem me puxe pela mao.
Nao, esperem. Prefiro ficar assim, parado, à espera que o tempo passe. Porque tem mesmo que passar.
E vai passar, mas lento ou mais devagar, mais vai.
Quando isto terminar, aí sim, sei que terei alguem que me puxará pela mao, e me levará.
A ti, Rita.
Até lá, vou-me deliciando a ver o tempo passar, parado, a olhar para ontem.

domingo, 1 de julho de 2007

Momentos

Hoje entrei na Sé, mais uma vez, para ir ajudar o João Segurado no seu exame final de curso (Licenciatura em Órgão). Cheguei cedo, e ainda ele não estava lá, portanto tomei o rumo dos turistas que por ali passavam, e pus-me a redescobrir a Sé.



Quando ja tinha dado a volta completa, paro em frente as umas velas acesas. 40 centimos era quanto custava cada uma. "E porque nao?". Pus as moedas na caixinha, peguei numa vela nova e acendi. Fiquei parado a olhar para ela, como se tivesse a comtemplar a luz pela primeira vez. Como uma criança que olha para algo novo. Olhei para o lado, e "lá estavas" tu. Demos as mãos, e continuámos a olhar a luz. Depois tive que ir ajudar. (O João acabou por ter 19.)



Ao voltar da Sé as ruas encontravam-se vazias e o céu estava "sujo". Algumas gotas começavam a cair, e o meu passo teve que acelerar. Ao entrar no Metro, fiquei sentado junto à janela, e pus-me a pensar em todos os momentos que tem ocupado este último mês. 1 mês, e parece que ja foi tanto.



Penso nestas 2 semanas que não nos vamos ver, e sorrio. "Vou aguentar". E porque? Relembro todos os momentos deste último mês, e percebo porque. O concerto na Sé em que so pensava em ti, as noites que vou a correr até aí (e muitas delas tu nem imaginas que eu vou), a enorme corrida até Telheiras, as chamadas de telemovel, as enormes cicatrizes, enfim... os dias passam, mas parece que a tónica é sempre a mesma: Tu, tu, e só tu. Sorrio. Porquê desesperar, ou até chorar? Porquê gritar? Não vale a pena. Suspirar, talvez. Há algo que nunca para: o tempo. Agora é deixar passar.

Como ja tinha dito a algumas pessoas, ontem fui tocar a dois casamentos, onde acompanhei a Joana , o Luís e o Francisco (pessoal do IGL). Tive o privilégio de poder acompanhar a Joana Amaro no Ave Maria de Schubert. Aqui fica o video:

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Músicas

Para mim jamais haverá outro cantor á face da terra como Freddie Mercury. E música de geito vai rareando. Os Coldplay ainda me preenchem a alma... e eu achava que mais ninguem ainda era capaz de me surpreender, sendo eu um pseudo musico (como todos aqueles que andam no Instituto Gregoriano de Lisboa).

Não fui capaz de passar impune aos eufóricos comentários que apareceram no blog da Cacao (http://carolinaaa.blogspot.com - Links), relativamente ao Michael Bublé. Ficou a curiosidade de saber o que valia este rapaz. Não que a minha opiniao conte para alguma coisa que seja, mas tinha curiosidade.

Hoje estava a dar um videoclip dele na MTV, e deixei estar. Comecei a gostar da voz. "Mas isto pode ser só uma música dele.. e o resto ser porcaria.". Ah, como errei.

Estava agora na net e resolvi pegar no Youtube e escrever "Michael Bublé". Apareceu-me a música "Everything", depois fui vendo outras, e outras, e meus amigos.. Tou rendido.

Uma grande vénia para:


Michael Bublé

P.s.: Obrigado Cacao :)

P.s.: Epah, há musicas que tem com cada piano que é de choraaaaaaaar.

P.s.: Crazy Little Thing Called Love. Mas que versão poderosa. E como essa frase diz tanto...

domingo, 24 de junho de 2007

Hoje




Hoje é tempo de reflectir. O sol está a pôr-se, e nada melhor que estes momentos para reflectir.

Mais um ano que passou. Não, desculpem. Minto. Não foi mais um. Foi O ano. O último.

Ir para férias sabendo que para o ano não vou voltar para as aulas com as mesmas pessoas, na mesma turma, sentados lado a lado, é um bocado angustiante. Férias são férias, mas o ano que aí vem assusta-me. Vou sozinho para um curso que vai definir o meu futuro. Sozinho.

Vejo a música ao longe: avisam-me que para o ano não irei ter muito tempo para outras coisas senão faculdade. Não consigo ouvir isto. NÃO! Eu QUERO ter tempo. Sentir aquela liberdade de outrora, dizerem-me: "Queres ir ali?" e eu poder dizer "SIM!".

Hoje é tempo de preparar. Descansar. Não pensar. O sol está perto do fim do horizonte.

12 anos. Tanto e tao pouco, longos mas rápidos. Desespero. Recordo a ansiedade que eu tinha, no 9ºano, em chegar ao 12ºano. E cá estou. Puf. Nada. Agora quero é voltar para trás.

"Nada?" diz-me ele. "Chamas a isto nada?"

Calo-me. No fundo ele tem razao. "Inevitablidades" da vida. Crescer.

Contudo, será impossivel não olhar a luz que brilha no meio deste imenso cenário escuro. A luz que não me faz desistir, mas olhar em frente e sorrir.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Assim

Ja faltava pouco. As pernas nao querem correr mais, o estomago queixa-se: acabara de jantar à 5 minutos, e agora corria que nem um doido.

Apetece-me parar, sim, porque uma subita sensação de enjoo começa a fazer-se sentir.

"Mas para onde ias, André, com tanta pressa?, pergunta quem ler isto.

Nem eu sabia bem. Dei por mim e tinha dito aos meus pais: "Vou la fora, não se preocupem!". Agora corro para lá. Mais uma vez, como em tantas que têm vindo a acontecer, corria para a Quinta da Luz.

Com uma caneta na mao, um papel no bolso, o telemovel no outro bolso, lá ia correndo. Para quem conhece a zona, sabe que da minha casa até a Quinta da luz, é um bocadito inclinado.

Chego. Finalmente. Paro, sento-me, contorço-me de algumas "dores de burro". Respiro fundo. O telemovel vibra. Era ela. Afinal ela ainda nao tinha chegado a casa. Perfeito.

Não importava se tava com dores ou nao, importava sim que eu a ia ver. Eu sabia que nem 2 minutos iam ser, mas que importa?

Esperei sentado, e pus-me a pensar.

No fim, só sabia dizer-te, mesmo antes de teres chegado: "Obrigado."

E ao pensar em ti, um enorme sorriso percorre a minha cara. "Obrigado"

terça-feira, 19 de junho de 2007

Noites

E ontem foi outra noite, em que fui vagueando por aí, algures... nada como a noite para nos lembrar do dia, ou da solidão para nos lembrar daqueles de quem mais gostamos.

E ontem foi outra noite, em que fui vaguendo, por esses lados... e vi acesa a luz, parei, olhei, mas fiquei-me por esse simples gesto que é olhar. Murmurei algo. Sentei-me, sossegado, e fiquei a olhar. Somente a olhar.


Fechei os olhos uma vez e imaginei-te. Alguem passou por mim, ainda oiço os passos. Deverá ter olhado? Não creio. A noite esconde faces. Não quis saber quem era.

Levanto a cabeça e pergunto-me o que faço ali. O Pedro disse-me: "Hum... nem eu sei bem o que tamos a fazer aqui." e apartir desse momento, deixei o meu olhar preso no chão, a pensar-te.


Não duvido que ficaria ali toda a noite. Mas é tempo de me levantar e ir embora. Olho, de relance, a luz. E caminho em direcção contrária.

Oiço os passos de alguem que vem atras. Anda perdido, oiço o som dos pés a baterem num ritmo desacertado, como quem procura algo. Olho, e vejo-me. "Aonde ja vi esta situação?" pergunto-me. E começo a rir-me. "Estarei bebado?"


O meu eu procurava algo, e olhou de repente para o mesmo sitio que eu tinha olhado. Gritei "Tu!". Mas ele continuava perdido a olhar. E parou.

Quando dei por mim, e tava estupefacto a olhar para o chão. Afinal ainda não me tinha levantado, apenas a minha imaginação tinha levitado. Afinal não estava ninguem na rua, mas a luz, lá no alto, continuava acesa. Levantei-me, e dessa vez estava mesmo a levantar-me, ou nem tivesse eu quase tropeçado na pedra que estava ali ao pé.

E ontem foi outra noite, a vaguear por Carnide. E no meio da noite, havia uma luz.

"Já o fez andar na lua, no meio da rua e a chover a sério."

domingo, 17 de junho de 2007

Porque?

Ja me perguntaram o porquê do "Lado-Oculto", ou até mesmo porquê Pedro de Arimateia?

Dizem-me que acham estranho isto de haver 2 "eu".

Quando pensamos, o que é que realmente fazemos? Não estamos a falar connosco? Embora a uma velocidade que nao nos faça aperceber disso, pensar é falar la dentro, connosco.

E quando falamos, é porque alguem nos ouve. Pensar é ouvir-nos. E quando penso, falo "comigo".

Porque Pedro de Arimateia? Nao tem significado. O Pedro é o completamento da razao, quando o André está perdido. Quantas vezes nos enervamos e perdemos o controlo da situação? No entanto, ha algo que nos controla. A mim há algo me controla. Este Lado-Oculto.

Pegando no exemplo do post anterior, no meio da ficção e da verdade ( toda a história é veridica, embora, claro, estivesse presente uma so pessoa. ), temos um bom exemplo para "dissecar":

Pq duas pessoas? Pq um dialogo quase real entre um Pedro e um André? De facto, todos os pensamentos, os do Pedro e do André, me passaram pela cabeça. No entanto ,parece que me vem de zonas diferentes da cabeça, conseguindo assim diferenciar. Estranho? Sem duvida.

O Pedro não é um heteronimo, como Alberto Caeiro é de Fernando Pessoa. Apenas dei nome a um conjunto de pensamentos.

E porque o nome Pedro de Arimateia? Nao sei. Soou-me bem, qd escrevi pela primeira vez.

Mas como digo, "vou juntado as peças do puzzle, vou descobrindo o meu Lado-Oculto.". Se eu conseguisse responder com mais clareza à pergunta inicial, eu teria feito. Mas não consigo. Talvez daqui a um ano seria interessante rever este post. Por agora, assim fica.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Emoções

Descia o elevador, e la dentro eu olhava-me para o espelho.

"'Tás velho, André" - disse uma voz.

Estranhei, olhei para todos os lados, e de novo para o espelho. Nao acredito, la estava ele, no mesmo lugar onde eu estava.

"Sim, Pedro, envelheci nestes 7 dias..... Deverei mandar um berro de alegria? Nao. Mas que raio tás aqui a fazer? Que historia foi aquela? PORQUE?"

"Calma. Decidi voltar, agora mesmo que 'tamos prestes a fazer mais uma loucura! Concentra-te. Depois falamos"

"Seja. Tas preparado?"


"Yep... let's go."

Saímos do prédio, eram 9:30 da noite. Sem luar. Começámos a correr, debaixo de chuva, cobertos com um guarda chuva que, enfim...

"GUARDA CHUVA? LARGA ISSO!" gritou ele. E decidimos correr à chuva.

Corremos em direcção à Quinta da Luz. Sem parar, ou se o fizemos foi para apertar melhor os atacadores, que estupidamente insistiam em sair do sitio.

Chegámos ao local completamente a arfar.

"Isto... é.... de.. loucos" dizia eu.

"Acho que... nao se... esperava.. outra coisa de ti." gozava ele.

Tirei o telemovel. Agora vinha a melhor parte. Começo a telefonar à pessoa que me fizera correr este caminho todo.

"Entao?" perguntava ele

"Nada.. tem o telemovel desligado."

"És taoooo troll. Mas tao troll mesmo. Nao te certificaste se ela tinha o movel ligado antes de sair de casa?"

"Nao..."


Estavamos parados, à chuva, a olhar para o alto do Prédio.

"Alguma sugestao?" perguntei

"Senao fosse eu, senao fosse eu.." dizia ele, enquanto caminhava para a entrada do Prédio.

Agarrei-o pelo braço:

"Hei!! Nao!! N vais tocar à porta!" gritei

"A tua estupidez causa-me impressao, André. Como terao sido estes 7 dias sem mim?"

"Depois falamos"

Vi-o a sacar de um papel.

"Vamos, escrever-lhe uma mensagem"

Escrevi e dei-lhe de novo. Entretanto ele fizera um pequeno monte de pedras, junto à porta do prédio, que se distinga bem do resto. No meio pos a mensagem.

"Quando chegares a casa, avisa-a. Duvido que isto se aguente ate amanha, mas nao custa nada tentar." , disse ele enquanto escondia o papel dobrado.

Fiz um enorme sorriso. 2 cabeças pensam, definitivamente, melhor que 1.

"Vá, vamos para casa. Nao temos mais hipoteses" disse ele, depois de eu ter tentado mais 5 vezes telefonar-lhe.

Saimos a andar. Nao estavamos desolados, vinhamos a rir e cantar bem alto "Fix You", dos Coldplay.

"When you try your best..."

"but you don't succeed!"

Enfim, cansados mas felizes. Porque uma loucura sabe sempre bem.

"Porque voltaste?" perguntei eu, a meio do caminho

"Porque alguem me chamou"

"Quem?" , mas ele nao respondeu. Insisti. "Quem , Pedro? Pensei que tinhas.... " .

Deu uma gargalhada bem alta e disse: "Ora ora ora... nao caias no erro de pensar que és o unico que me conhece!"

E continuamos a andar, a caminhar, enquanto as luzes nos guiavam para casa.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Fim


Era Quinta de Corpo de Deus.

Ele tinha sugerido irmos até ao Norte, nessa tarde, somente para descansarmos destas semanas. Tive que me ausentar durante 2 horas, para ir fazer uma visita a alguns amigos que por la moram.
Quando voltei, a casa estava vazia.
"Pedro?" perguntei. "Pedro? Temos d'ir... Ja se faz tarde e daqui bocado nao apanhamos o autocarro, e nós prometemos à mae que chegavamos a horas!"

Ninguem respondeu.

"Va la pa! Nao ha tempo para brincadeiras!"
Ninguem respondeu. Avancei entao para o meu quarto. Estava tudo como eu tinha deixado. Fui ao quarto dele. Nao havia la nada. Somente uma carta em cima da cama, dirigida a mim.


"Grande André!

É com dificuldade que te escrevo esta carta. Não me procures, não vale a pena. Nesta altura estarei como Judas ficou depois de ter traído Jesus. Espero que compreendas, eu próprio nao queria acabar assim."

Parei. Ainda havia mais para ler, mas começava a sentir-me perdido. Como Judas ficou...? Ou seja.... Não, não podia ser verdade. Apetecia-me correr, procurar, gritar, mas nao conseguia. Continuei.


"Os últimos acontecimentos nao tem sido muito bons. Sei que agora, mais do que nunca, precisas de mim ao teu lado para te aconselhar como sempre fiz, mas julgo ja nao o conseguir fazer. Nao sintas que te abandonei. Apenas acho que agora deves ser tu a seguir, sozinho, o teu percurso."

Uma lágrima cai em cima da carta.


"Não desistas. Nunca o fizemos, nao o farás agora. Nunca encontrei ninguem, dizias-me sempre. Julgo que nesse aspecto pouco te poderia ajudar, tu próprio o reconhecias.

Espero que te tenha ensinado alguma coisa. As nossas conversas, a música, a matemática, as miúdas que eu sempre achei que tu podias ter mas com as quais tu nunca engraçavas, as loucuras, o nosso português desajeitado, as tentativas de jogarmos alguma coisa de futebol, enfim.. Tanto e tao pouco."

Nao aguentei e começava a chorar compulsivamente.


"Estarei mais perto de ti como nunca. Esta é a prova de fogo: Saberes continuar sem mim. E eu próprio tambem aprenderei a continuar sem ti. A irmandade que nos une continuará.
Continuarei a gritar Sporting, a tocar, a cantar, a correr, sempre ao teu lado. Nao me verás, talvez por isso a expressão Lado-Oculto tomará o seu verdadeiro significado.

Como alguem escreveu para ti: Serás, de certo, um campeão! E eu estarei sempre aqui, a gritar vitória!


Eternamente,

Pedro Arimateia."


Deitei-me no chão. Olhava fixamente para o tecto, e esperava ansiosamente o momento em que ele ia entrar e dizer: "ahahhhha! Enganei-te!". Mas esse momento nunca veio.


O Lado-Oculto encontra-se fechado, esperando, ansiosamente, o dia em que alguem o vai fazer reabrir.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Sonhos!


E foi ontem, pelas 21:50, que eu e o Pedro Freitas tocámos a peça a 4 mãos, contando com a ajuda (moral e na troca de registos :P ) preciosa do Diogo Pombo.


Um sonho de miúdo foi tornado realidade.
E quando a peça acabou, os aplausos inundaram a Sé ( muitos eram de alívio, pois a maioria dos pais queria era ver os filhos cantar :P ). E no entanto...

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Contrariedades

Pergunto-me como é possivel que esteja a pensar somente numa coisa que nada tem a haver com o concerto de logo à noite, na Sé. Há algo que está errado... e até acho que sei o que é.

16 h - Preparo a mochila, vou agora ensaiar à Sé de Lisboa. Ás 21:30 estarei a tocar, mas duvido que esteja concentrado o suficiente. Contrariedades. O que parecia mais provavel nunca acontecer, tocar na Sé, vai acontecer logo à noite. E no entanto, a minha cabeça está completamente noutro lado... oculto. Salvem-me...

domingo, 3 de junho de 2007

Incertezas

Eu: "Incrivel como o Homem é o ser inteligente, mas é tao estupido ao ponto de fazer sempre os mesmo erros..."
Delavid: "Ainda bem que TU reconheces isso..."

sábado, 2 de junho de 2007

Viver

7:45 Acordo repentinamente. Ás 11 iria ter mais uma audição de órgão. Mais uma audição que me andava a moer a cabeça, a por o estomago a dar voltas, pronto, o costume.
Obviamente que a minha paciencia estava esgotada.
9:10 Encontro-me no Instituto Gregoriano de Lisboa para ensaiar as peças que iria tocar. Os nervos aumentam, a estupidez tb, mas as peças, felizmente, estavam a sair bem no ensaio.
Olho nervosamente para o telemovel, para saber as horas....
11:00 O concerto começa. Eu sou o último. Os meus colegas vao tocando, a minha vez aproxima-se.
Quase todos se enganam uma ou mais vezes na peça. Penso: "tou tramado".
11:40 É a minha vez. O Ricardo acabara de tocar, e a seguir a ele era eu. Pego nas partituras, sento-me. Suspiro. Um turbilhao de ideias e sentimentos passam-me pela cabeça. O meu lado-oculto grita-me: "TOCA!". Continuo parado, com a cabeça ligeiramente inclinada para a frente. E de repente, toco. Saiu-me, da mente para os dedos, dos dedos para as teclas, das teclas para os tubos. E eles gritam o que eu cá dentro grito. E de repente, acabou. Sim. o último acorde soa a despedida. Foi mágico.

19:00 Missa dos escuteiros, deu para "terminar" o dia a rir (desculpem :)! ).

20:30 Revejo o video da minha peça. Os tubos a gritar, eu a "correr", acho que correu bem. Como disse a minha mae: "Tu viveste a música". Mas eu nao vivi, eu vivo a musica. Eu e todos aqueles e aquelas que tem o privilegio da estar na melhor escola de música do país: IGL.
Gritavam um so nome. Gritavam o que eu grito.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Vontades

Deitado no chão da varanda, em noite de luar. Dia 31 de Maio, 23h. O meu lado-oculto diz-me: "Ha instantes que marcam.". Eu sorrio, inocentemente, como se nao percebesse o que ele queria dizer.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Tocar


É gritar. Não por nós próprios. Os tubos fazem-no por nós, e porque nós queremos.

É falar. Baixo, alto, devagar, depressa.

É correr. Tocar com os pés, depressa, devagar, quase a saltar.

É chorar. Quando a música assim o pede.

É pensar. Reflectir, ouvir, falar connosco.

É ser velho. O velho corcunda, dono do enorme castelo assombrado, que todos os miúdos assim pensam que são todos os organistas, mas que no fundo nao passa de alguem que quer tocar. Pelo simples prazer de tocar.

É ser novo. Querer aprender mais e mais, porque o que sabemos sabe sempre a pouco.

É voar. Daqui para fora, esquecer tudo, porque tudo tem que ser esquecido para tocar.

É exprimir. Dizer que se gosta, que se odeia, que se tem raiva e dor, ou que nos apatece rir bem alto.

É ser outro. O meu lado oculto, talvez. É a liberdade.


sexta-feira, 11 de maio de 2007

Para sempre


terei este novo amigo. Sempre que forem ao oftalmologista, nao se esqueçam de medir a pressão ocular. Não custa nada, e pode servir para prevenir um eventual aumento da pressão ocular, ou até à detecção de Glaucoma.

Agora, até ao final da vida, andarei sempre com o amigo "Tim".

terça-feira, 1 de maio de 2007

O Projecto

Depois de um ano a trabalhar na esquisita disciplina de Área de Projecto, aqui fica o inicio do projecto que eu, o V. , o L. e o Z. realizamos ao longo do ano.

O trailer ficara para depois :P

"O PROJECTO"

REALIZAÇÃO: WITHOUT PRODUCTIONS

Por entre cânticos

No sábado passado, a paróquia de Carnide, realizaram-se os Crismas ( festa que so decorre, na nossa paróquia, de 2 em 2 anos. ) O grupo anterior tinha sido o meu, e este ano encontrava do lado de lá, para ( tentar :) ) ajudar! Foi espectacular, tão espectacular que me fez voltar a escrever aqui.

Antes da missa começar ( à qual presidiu o Sr Patriarca D. José Policarpo ) fui ter com os crismados à sacristia, e apesar de todos os seus sorrisos, vi que estavam nervosos ( mais nervosos que eu, que pensava que me ia enganar em todas as músicas :P ). Porque todos sabiam o que iam fazer, o que isso representava. Foi bonito, pois nestes tempos, em que se pensa que a Igreja enfraquece, pelo contrário, ela cresce e com boa saude :).

A missa em si foi espectacular, jamais festa alguma tinha corrido tao bem! Estão todos de parabens!

Fica a esperança que alguem dos crismados dê catequese comigo para o ano :P.

"Se o grão de trigo não morrer na terra, é impossivel que nasça fruuuuuto"