domingo, 24 de fevereiro de 2008

Lado (quase) Desfeito

Transportava o teclado nos braços, mochila às costas, vinha da Missa das Promessas dos Escuteiros. Bem interessante, por sinal.
Um aglomerado de gente formava uma roda, em frente à minha casa. Soltavam gemidos de susto, espanto, e uma ambulância virava a esquina a toda a velocidade. Intrigado com o sucedido, resolvi aproximar-me, lentamente, como quem dá mostras de nao se interessar no que se passa, mas de quem ao mesmo tempo lá no fundo pergunta "mas que raio..?".
Parei. Escandalizado.
Revejo. Outra vez. E outra vez.
E nao sabia o que sentir ou o que dizer.
Furei a roda, e sentei-me ao lado dele. Perguntaram-me: "Conhece?". Se eu o conheço? Mas claro. Era Pedro. "Meu irmao", disse. E um silêncio mortal pairou sobre as pessoas.
Pedro jazia em sangue, fruto de uma queda altissima. Morto? Mais que morto, completamente sem vida, sem hipotese de retornar, sem hipotese de salvamento.
O meu coração acelera atromentado, a cabeça anda meio à roda na ansia de ser um pesadelo, mas... Bolas!! Nao é!
Relembro um post que fiz aos tempos atrás, aonde ele tinha feito uma especie de "partida". Mas nao. Agora é mesmo sem aspas. Nao pode ser. Nao podia ser. Mas era...
Terei desmaiado. Acordei com um desconhecido a abanar-me, e a dizer: "Está aqui o INEM para o ajudar.". Ajudaram-me a subir as escadas até minha casa, no final disseram: "Ha alguem que nos devemos contactar?". Estarreci de novo. "Merda", pensei.
Cláudia. Tinha que ser eu a dizer-lhe. "Porquê?", pensava, "mas que raio te passou pela cabeça?". Fechei a porta, e ainda com a cara lavada em lágrimas percorri toda e qualquer especie de canto em minha casa à procura de uma explicação, de uma carta, nada.
Depois tudo se passou muito depressa. Avisar Cláudia tinha sido muito mau, e o funeral qualquer coisa de indescritivel. Sobre a campa de Pedro, a sua namorada mandara por: "Amou e foi amado."

Até me custava acreditar que era verdade. E mais uma vez perdida alguem de quem necessitava. E mais uma vez sem poder fazer uma despedida, um último abraço, um olhar de quem ja sabe que vai partir, nada.
Pedro foi-se.  Está algures em mim, o que resta dele, essa pujança e força incrivel que sempre me deu. Terei que procurar viver sem isso. Terei que procurar viver sem o meu Lado-Oculto.

6 comentários:

Tiago Krug disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tiago Krug disse...

Força meu amigo!
Independentemente do que te faz tomar a decisão de deixares de escrever neste espaço a que nos habituaste e a que voltamos todos os dias com carinho, para te ouvir, uma coisa eu aprendi um dia: que na história que escrevemos, o que nos completa, vai mudando à medida que crescemos enquanto percorremos o Seu caminho.
Tal como para iniciar um projecto, é preciso coragem, ousadia e maturidade para terminar: no tempo certo, para torna-lo eterno.
As histórias que nos contaste, o teu lado-oculdo, não morerá enquanto nos continuarmos a lembrar que ele é a tua sensibilidade e a tua paixão, que nos aproxima!
Que os novos projectos que agarrares, continuem a demonstrar o André que sorri, que se exprime cada vez melhor, que olha atento e que nos Abraça!
É um gosto percorrer o meu caminho contigo!

Tiago

Ana Macedo disse...

oh... =S

Cacao disse...

André, mataste-o...

Cacao disse...

...o teu outro "eu"...

Cacao disse...

...talvez porque o André vive sozinho, sem precisar do Pedro...