sábado, 16 de fevereiro de 2008

Palavras de sempre e para sempre

Faro, 14 de Fevereiro de 2007:

E ainda sinto os olhos cheios de lágrimas. Não só porque tu partiste, acho que graças aquilo que acredito isso era necessário para todos, mas porque vejo memórias como cada vez mais.. memórias. Vejo a familia em que eu vivia a desmontar-se, metade cá, metade aí. Vai chegando a minha vez (lentamente, muito lentamente), de ficar no topo da piramide, e de ser eu a olhar para baixo. Mas porque agora nao quero. Quero continuar a ser o mais novo, a olhar para cima, a nao saber o que é a morte ou morrer alguem de quem nos gostamos. Prefiro nao continuar a saber. Ainda te oiço, na tua voz trémula, a dizer: "É o André". Amanha vou preferir nao tocar em modo menor. Pelo contrário, se pudesse tocava algo simples, mas que soasse bonito e alegre. Foi assim que te conheci e sempre te vi, nao conhecia nada que nao fosse assim.
Deves ter ficada boquiaberta quando viste aquilo que eu depois tive oportunidade de saber que aconteceu. E ao mesmo tempo deves ter sorrido, comentado para aquela grande pessoa que está ao teu lado, e que nós sabemos quem é, : "Fenomenal!".
Tocar para ti daquela maneira parece-me tao pouco. Apetece-me voltar a atrás, ficar horas a ouvir as histórias que tinhas para contar, mas nao. Agora so me resta tocar, em modo menor, enquanto os olhos continuam a querer despejar rios. Vou crescendo. Vai olhando por nós, sff.

1 comentário:

Pedro Jorge disse...

bruscamente triste. um certo ênfase à eternidade e à perca. um certo mistério tocado pela música.

em termos literários está muito bom. em termos factuais penso ser muito negativo, porque é mau sinal um texto destes ter sido criado e basear-se na realidade, como eu sei que se baseia, algo de mal aconteceu?